Adilson Batista visa retomada da carreira na chegada ao Ceará: "Cometi erros que não farei mais"
Adilson Batista (centro) entre o presidente Robinson de Castro (à esquerda) e o executivo de futebol Marcelo Segurado (Foto: Mauro Jefferson/Ceará S.C.)

Após ter seu nome anunciado como novo técnico do Ceará na noite da última quarta-feira (2), Adilson Batista foi apresentado em Porangabuçu na tarde desta sexta (4). Desempregado há quase um ano, desde a sua saída do América-MG no dia 10 de novembro, o paranaense de Adrianópolis fará sua estreia no comando alvinegro no próximo domingo (6), ante o Goiás, às 16h, diante do torcedor na Arena Castelão, em partida válida pela 23ª rodada do Brasileirão

Sem vencer a oito partidas, ocupando a 15ª posição com 23 pontos, tendo conquistado somente três pontos em 24 disputados, o Vovô optou pela troca no comando. Desde a primeira rodada da competição a frente da equipe, Enderson Moreira não resistiu a sequência de maus resultados e foi demitido na última terça-feira (1). Assim como aconteceu no América-MG, Batista herda um trabalho do seu colega mineiro. 

Do atual elenco do Vovô, apenas o goleiro Diogo Silva, o meio-campista Pedro Ken, e o atacante recém-chegado, Willian Popp, já foram comandados por Adilson Batista. 

"É com muito orgulho que aceitei esse desafio, temos um grande grupo, um bom elenco. Sou um pouquinho viciado em futebol, então eu já fucei muita coisa, já tenho muita informação e troquei ideia com os ex-comandantes, estava hoje com o Luis Fernando (auxiliar técnico de Enderson Moreira) e depois falei com o Enderson; isso daí é em benefício do Ceará. Quero dar a minha contribuição", comentou Adilson. 

Diante do clima adverso no campeonato, a coletiva de apresentação do treinador contou com inúmeras perguntas direcionadas para o importante compromisso do próximo domingo, o treinador deu mostras de estar tomando pé da situação e elaborando as estratégias o mais rápido possível. 

"Sei que o tempo é curto, mas a gente tem que vivenciar jogo a jogo, tenho que pensar no Goiás agora domingo, já conversei com o Luis Fernando (auxiliar de Enderson); eu revi muita coisa pela manhã, ontem eu já conversei com alguns atletas. Tenho a ideia inicial para fazermos um grande jogo e vencermos esse Goiás muito bem treinado pelo Ney Franco e que vive um bom momento, venceu três jogos, time rápido nos seus contra-ataques, mas precisamos ter serenidade, tranquilidade, equilíbrio, organização, perseverança, discernimento e paciência. Ontem, já fizemos um trabalho, foi muito corrido, dei uma analisada na carga da semana para que não exceda. Estou me dedicando ao máximo em observação, informação, em conversa para que a gente entre independe de nomes, mas com gana, inteligência e responsabilidade para vencer o jogo", analisou Batista. 

Escolha do perfil do treinador

Presente na apresentação de Adilson, o presidente do Ceará, Robinson de Castro, aproveitou a oportunidade para detalhar o critério de avaliação na escolha do comandante. 

"Ouvi muita coisa sem nexo beirando o absurdo. Por que o Adilson? Perfil vibrante. Os treinadores que eu queria trazer nesse momento eram treinadores vibrantes; a gente fez uma lista e todos com perfil vibrante; segundo, que conhece o que se passa lá dentro do campo, na hora da pressão, que precisa ser vencedor ali dentro, queria trazer alguém que conhecesse e passou por momentos que você precisava ser grande lá dentro, então essa é outra característica do Adilson, e o terceiro foi o que me falaram dele sobre o trabalho de campo. Liguei para uma das pessoas mais relevantes no futebol brasileiro pedindo opinião de um treinador, e ele me disse que, no final da tarde, daria um retorno - não quero revelar o nome - embora o Brasil todo conheça, e ele só me deu um nome e foi o dele (Adilson Batista). Daí em diante pareceu a ter um sugestionamento fortalecendo o nome dele, teve uma sinergia em torno do nome do Adilson e a decisão foi tomada. Importante esclarecer que primeiro resolvemos tudo com o Enderson e só depois passamos a procurar um novo treinador", explicou o mandatário alvinegro. 

Filosofia de trabalho e busca por resultados imediatos

Contabilizando o duelo frente o Goiás, a equipe cearense terá uma sequência de cinco partidas em 14 dias. Precisando obter mais sete vitórias para carimbar permanência na primeira divisão nacional, o Alvinegro de Porangabuçu terá exatamente mais sete jogos (Goiás; Avaí; Vasco; Fluminense; Fortaleza; Chapecoense e Botafogo) considerados confrontos diretos pela fuga do rebaixamento até o final da competição. Cinco dessas partidas serão como mandante. Será visitante apenas diante da equipe de Chapecó e do Alvinegro da Estrela Solitária. 

Para as próximas jornadas, Adilson afirmou que o caráter pontual nas alterações será observado em função da boa estrutura alvinegra e dos erros anteriores por ele aprendidos ao longo da carreira. 

"Apesar de ser jovem, tenho 51 anos, comecei em 2001 e passei por grandes clubes. Acabei cometendo erros que hoje não vou fazer mais, então a gente precisa ter discernimento de enxergar e ser pontual, por isso do processo de observação, de conversa, ter os devidos cuidados para não ser radical e ser prejudicado depois. Tem uma instituição estruturada, organizada, que está em um caminho bonito, saudável que é o mais importante. Vi as entrevistas do Thiago (Galhardo) e ele falando que o salário pingava em dia, então você vê que é um clube sério. Serei bem pontual, cada um tem sua filosofia de trabalhar, não vou me apegar muito a 4-3-3, 4-4-2, 4-1-4-1, 4-2-3-1 isso aí muda muito, adianta um pouquinho, segura um pouquinho pra mim não é o mais importante, e sim as peças que você coloque e eles cumpram, tenham capacidade dentro da especificidade deles e espero conseguir fazer" , explicou. 

Adilson Batista se inspirou em nomes como Ênio Andrade, Rubens Minelli, Felipão, Oswaldo de Oliveira, Vadão, Carpegiani, Ivo Wortmann, Paulo Roberto Falcão e Nelsinho Baptista. Acerca da sua visão de futebol, o novo comandante do Ceará foi assertivo ao atentar para questões específicas, sobretudo em início de trabalho. 

"Gosto é muito importante. Eu gosto do futebol bem jogado, do futebol de posse, de imposição, eu preciso saber se eu tenho atletas para isso, se estou no momento para isso. Às vezes têm transições maravilhosas, às vezes há posses que não levam a lugar nenhum. Hoje, o meu processo de observação está mais na tomada de decisão deles e é isso que quero acrescentar, mais do que aquilo que tenho em mente de sistema de jogo", discorreu o treinador paranaense. 

Herança de Enderson Moreira

Em segundo trabalho consecutivo assumindo no lugar do ex-técnico alvinegro, a exemplo do ocorrido no América-MG, em 2018, Adilson Batista abordou sobre as sutilezas e aprendizados. 

"Para nós é um aprendizado enorme porque cada um tem uma maneira de pensar futebol, o conceito e algumas coisas que você observa, eu também tenho um gosto, então preciso ter os devidos cuidados para não agredir muito e não confundir. Espero que aconteça o que nós tivemos lá; na troca, ganhei dois jogos seguidos, seria o ideal. Algumas coisas vou conversar, mostrar para eles entenderem que vai ser fácil a adaptação, não vejo problema. Lá na frente, vamos discutir novamente para vermos o que todos viram de mudança", avaliou. 

Análise do Goiás

Adilson Batista afirmou ser amigo de Ney Franco, técnico da equipe goiana e que lidera o segundo turno do certame tendo abocanhado três vitórias seguidas (Goiás 3 a 0 Fluminense; São Paulo 0 a 1 Goiás e Goiás 1 a 0 Cruzeiro), e teceu comentários gerais sobre o oponente do próximo domingo. Além, é claro, de convocar o torcedor a comparecer em massa no Castelão.

"Um time rápido, tudo em cima do Michael, Léo Sena, Rafael Moura na frente, um time bem organizado, bem treinado, também pode exercer uma marcação um pouco mais alta. É um jogo que precisaremos ter um algo a mais, e esse algo a mais conto com a presença do torcedor e ver o que observei ano passado, foi coisa linda o que fizeram. Precisamos do apoio deles para juntos conseguirmos o objetivo traçado pelo clube", observou.

Adilson finaliza o trabalho de campo visando a partida ante os goianos na manhã deste sábado (5), em Porangabuçu. A entrada para os torcedores foi liberada. Com Batista, os profissionais da imprensa poderão acompanhar a primeira e segunda parte do trabalho, sendo fechada a terceira para trabalhos táticos. 

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