Emily Lima é apresentada como treinadora da Seleção Feminina: "Meu sonho era estar aqui"

Na sede da CBF, a nova técnica brasileira falou sobre o início do trabalho, o futuro do futebol feminino e sua chegada ao posto de comandante do Brasil

Emily Lima é apresentada como treinadora da Seleção Feminina: "Meu sonho era estar aqui"
(Foto: Cássia Moura/VAVEL Brasil)

Um novo ciclo foi iniciado na Seleção Feminina de Futebol Feminino. Na manhã desta quinta-feira (3), a treinadora Emily Lima foi oficialmente apresentada na sede da CBF, no Rio de Janeiro, e projetou seus próximos passos no time brasileiro, além de apresentar as dificuldades das mulheres no esporte e expressar sua felicidade pelo convite.

"Venho para cá com a missão de fazer tudo diferente do que vivi nos meus 25 anos no futebol. Vou trazer o de melhor e mais moderno para a CBF. É claro que tenho que pensar muito bem o modelo de jogo que vou utilizar, já que nos clubes eu tinha que me adaptar as peças que eu tinha, enquanto na Seleção vou convocar as melhores atletas na atualidade. Vou procurar fazer um jogo bem ofensivo. Temos que nos atualizar, estudo muito, busco diversas informações de fora".

Sobre as mudanças no futebol após a entrada da primeira mulher no comando da Seleção, Emily afirmou que dentro de campo não muda, mas fora faz diferença: "Não acredito que o futebol mude com mulher ou sem mulher. Tem que estar capacitado ao cargo que está sendo oferecido. Vou ter uma relação diferente com as meninas, muitas vezes utilizamos da psicologia e elas tem mais abertura com mulheres. Já fui atleta e tinha mais dificuldade de falar com os meus treinadores e, quando era mulher, me sentia mais tranquila na troca de ideias. Acredito que a punica mudança seria fora de campo, na ajuda de problemas extra-campo".

É fato que em breve a Seleção precisará ser renovada. Com Formiga encerrando oficialmente seu ciclo no fim do ano e outras jogadoras com idades avançadas, Emily Lima terá pela frente a difícil missão de formar uma equipe tão boa quanto a atual. "Ainda acredito que a Marta consiga ficar nesse ciclo de quatro anos e a Cristiane também. Também apostaria na Formiga, mas ela vai estar com 42 no próximo ciclo olímpico. Há 20 anos conheci ela e ela continua jogando da mesma maneira. Vamos conversar, eu apostaria que ainda podemos trabalhar juntas. Acredito muito nessas meninas mais novas e vamos apostar na renovação, mas com cautela e calma", afirmou.

Tite assumiu recentemente a Seleção masculina e tem feito um bom trabalho. Para Emily, o trabalho do treinador é referência: "Uma das perguntas que fiz ao presidente é se eu poderia trocar ideias com o Tite. Já havia pensando nisso quando ele estava trabalhando em clube e gostaria de estagiar com ele. Hoje, por estar mais próximo, espero que isso aconteça, pois vai engrandecer muito meu trabalho. Admiro demais o Tite como pessoa e como profissional".

"A minha ligação foi um pouco com surpresa, mas  num momento que tinha acabado de perder o título. Foi uma prata que está valendo ouro. Na quinta eu fiz a final da Copa do Brasil e no período da manhã na sexta eu recebi uma ligação do Marco Aurélio Cunha (diretor de futebol feminino). Duas horas depois o presidente me ligou. Foi tudo muito rápido para mim. É claro que a gente se prepara para esse momento, mas receber uma ligação assim é algo que te tira do chão e você tem que ter a cabeça no lugar . Só tenho que agradecer  por estar aqui nesse momento, mas não posso esquecer de todos que me ajudaram a chegar aqui" afirmou Emily Lima.

O primeiro desafio de Emily no comando da Seleção será o Torneio Internacional de Manaus, disputado em Dezembro. A treinadora, ansiosa pelo início do trabalho, falou da importância da competição: "Vai ser o meu maior desafio por ser o primeiro. Tenho que ter muita calma junto com minha comissão técnica, sem muita sede em querer conquistar o título. Claro que vamos em busca da taça, mas com cautela".

"A CBF vem pensando muito nas mulheres tanto que estou aqui. Estive conversando com pessoas e eles vão começar a dar bolsas de estudos dessas licenças de técnico para mulheres. Para nós que trabalhamos com futebol feminino, é muito difícil  ter esse tipo de curso. Foi o melhor curso que fiz, o da licença B. Saí de lá  transformada e com outra cabeça. Para nós, que nos clubes quase não recebemos e precisamos de outra renda para viver,  esse curso é caro, mas vale fazer. Quero ajudar essas atletas que querem ser técnicas conversando com o presidente porque vejo também que elas não querem buscar  ser treinadoras e sim outras áreas como fisioterapia ou preparação física. Poucas querem dar sequência não sei se pela dificuldade passada como atleta. Mas é vital  estudar. Hoje, aqui, eu não posso achar que eu estou preparada, eu tenho que estar preparada. Preciso saber que estou preparada para assumir a seleção. Queria e quero poder ver outras mulheres assumindo não só a seleção, mas outras categorias", comentou Emily sobre a dificuldade de ver treinadoras mulheres no futebol brasileiros.

Emily aproveitou para afirmar que vive um sonho, mas ainda quer mais: "Meu principal sonho era estar aqui. O segundo é a modalidade em nosso país ser reconhecida e valorizada. Claro que tem Olimpíada e Mundial e quem não quer ser campeão dessas competições. Mas meu sonho é ver onde ela merece estar".

A treinadora afirmou que o assunto Seleção Permanente ainda será discutido, visto que a iniciativa ainda pode acabar: "Nós estamos estudando muito sobre a seleção permanente. Esse é um assunto que vamos priorizar um pouco mais para frente. A seleção permanente vai ser nosso passo seguinte".