Polícia afirma que nadadores norte-americanos mentiram sobre roubo

​Vídeos de câmeras de segurança contradizem as versões dos atletas; passaportes dos norte-americanos foram apreendidos e mentira confirmada pelos nadadores

Polícia afirma que nadadores norte-americanos mentiram sobre roubo
(Foto: Matt Hazlett / Getty Images)

A confusão entre a polícia do Rio de Janeiro e quatro nadadores norte-americanos está longe de acabar. Nesta quinta-feira (18), as autoridades brasileiras afirmaram que a história foi inventada pelos atletas após encontrarem mais um vídeo de uma câmera de segurança que contradiz a versão dos estadunidenses. Dos quatro envolvidos, três continuam no país e apenas Ryan Lochte conseguiu ir embora.

No último domingo (14), o nadador Ryan Lochte afirmou ao canal norte-americano NBC que ele e mais três atletas, Jack Conger, Gunnar Bentz e Jimmy Feigen, haviam sido assaltados por homens armados após deixarem uma festa na Zona Sul do Rio de Janeiro. Segundo Lochte, ao saírem da Hípica, na Lagoa, por volta das 4h da manhã, eles pegaram um táxi que foi abordado por homens armados identificados comos policiais. Supostamente, essas pessoas levaram dinheiro e outros pertences pessoais, mas deixaram celular e as credenciais.

Logo após a divulgação do caso, a Polícia Civil abriu investigação para apurar o ocorrido. Foi então que o caso ganhou proporções diferentes e as histórias começaram a conflitar. Chamados para prestar depoimento, os nadadores afirmaram que estavam muito bêbados para lembrar de detalhes do caso, como local onde estavam e qual carro era o táxi que pegaram.

O jornal britânico Daily Mail divulgou, na terça-feira (16), um vídeo da câmera de segurança da Vila Olímpica que mostrava os atletas entrando no local às 7h, o que já não batia com a linha do tempo dita pelos nadadores. Nas imagens, todos aparecem calmos e brincando enquanto passam pelo raio-x, deixando pertences em uma mesa. Além disso, nenhum parece tão bêbado quanto foi informado.

Na tarde da última terça-feira (17), a Polícia determinou que os passaportes dos norte-americanos fossem apreendidos por suspeita de falso testemunho. Essa decisão fez com que Conger e Bentz fossem retirados do avião que ia para os Estados Unidos na quarta (18). O terceiro envolvido, Jimmy Feigen, nem chegou a embarcar, mas sua localização é desconhecida. Ryan Lochte voltou para casa logo depois de prestar depoimento e não deve retornar ao Brasil.

Além disso, os policiais buscaram as câmeras de segurança da Casa da França, local onde a festa que os nadadores estavam foi realizada. Pelas imagens, os atletas teriam saído do lugar às 5h45, e não 4h como havia sido dito. Além disso, os investigadores também não conseguiram encontrar concordância entre a linha do tempo informada e os acontecimentos.

Procurado para comentar sobre o caso, Lochte reafirmou, na quarta-feira, que foi roubado, mas contou uma história diferente. Ryan contou que os quatro estavam em um posto de gasolina e, ao saírem do banheiro, tiveram uma arma apontada para eles. Anteriormente, a versão era que o táxi foi parado por outro carro.

Nesta quinta-feira (18), Gunnar Bentz e Jack Conger ficaram mais de 4 horas na delegacia e, em novo depoimento, afirmaram que o caso foi inventado e, segundo eles, Ryan Lochte incentivou a mentira. Existem rumores de que a história não seria levada à polícia e só foi divulgada porque a mãe de Lochte contou à imprensa internacional. Além disso, o nadador teria feito isso para omitir detalhes por motivos pessoais.

Para fechar de vez o caso, a polícia encontrou o vídeo de uma câmera de segurança de um posto de gasolina na Avenida das Américas, na Barra da Tijuca, Zona Oeste da cidade, que mostra uma confusão entre os atletas e os seguranças do local. É possível ver os quatro nadadores indo ao banheiro e depredando o local enquanto funcionários observam. Logo, a segundaça do posto acionou a polícia e teve uma discussão com os quatro, que queriam sair sem pagar pelo prejuízo.

Após a confirmação da polícia de que o caso era falso, Mario de Andrada, diretor de Comunicação do Rio-2016, afirmou que não precisam de desculpa: "Esses garotos vieram se divertir, competiram sob enorme pressão. Existe uma investigação. Vamos dar um tempo para esses garotos. São atletas magníficos. Lochte é um dos maiores do mundo. Podem errar. Mas a vida segue. Eles fizeram um erro. Mas a vida segue".

A história final, contada oficialmente pela Polícia nesta tarde, foi baseada em depoimentos de testemunhas, dos próprios nadadores, dos seguranças do posto de gasolina, do taxista e de duas jovens que se envolveram com os atletas:

Por volta das 6h da manhã, um táxi estacionou em um posto para que os nadadores fossem ao banheiro. Pelas filmagens é possível reconhecê-los. Em certo momento, o gerente do local ficou nervoso com a "bagunça", ligou para o 190 e chamou a segurança para controlá-los, mostrando o banheiro em que os homens quebraram a saboneteira, papeleira e uma placa de ferro. Foi solicitado aos atletas que eles esperassem no local até a polícia chegar e eles entraram correndo no táxi para sair do local, mas o motorista respeitou o pedido da segurança, mesmo com gritos e com batida de porta violentas ao saírem novamente do veículo.

Um dos nadadores tentou dar US$20 e debochou dizendo, em português, que valia sessenta reais. Em seguida, os seguranças mostraram as credenciais e, em seguira, Lochte e Feigen correram, mas foram parados pelos agentes. Com agressividade, eles voltaram ao posto e um dos seguranças sacou a arma e mandou todos sentarem no chão, apenas Ryan não obedeceu, mas foi empurrado.

Um funcionário da Unimed se ofereceu para ajudar a traduzir o diálogo e, após alguns minutos, os seguranças receberam os 20 dólares e mais cem reais pelo vandalismo no banheiro.

Ainda não foi decidido o que acontecerá com os atletas agora, já que, além de vandalizarem o banheiro, fizeram denunciação caluniosa e prestaram falso testemunho.