Meio século depois, a memória de uma proeza
Meio século passou desde a grande glória sportinguista na Europa (foto:camaroteleonino.blogs.sapo.pt)

Meio século depois, a memória de uma proeza

Faz hoje precisamente 50 anos desde a fantástica vitória do Sporting diante do Manchester United por 5-0. Na noite de 18 de Março de 1964, os leões transformaram uma derrota de 4-1 em Inglaterra num dos momentos mais marcantes da história do clube.

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Francisco Ferreira Gomes

Se há história que materializa a máxima: "não há impossíveis", essa será certamente a vivida pelos jogadores que formavam, a 18 de Março de 1964, a equipa do Sporting Clube de Portugal. Os homens comandados na altura pelo espanhol Anselmo Fernandez chegavam à Taça das Taças fruto da conquista da Taça de Portugal diante do Vitória de Guimarães por 4-0, na temporada anterior.

O primeiro adversário dos leões na prova foi a Atalanta de Itália, numa eliminatória onde foi necessário recorrer a um terceiro jogo, isto após uma igualdade a 3 no conjunto das duas mãos. O Sporting saiu vitorioso e, ultrapassados que estavam os incómodos italianos, foi a vez dos cipriotas do APOEL; a frágil equipa do sul da Europa não teve argumentos para o futebol leonino, tendo sido totalmente atropelada por claros 16-1, em Alvalade, até hoje o resultado mais volumoso da história das competições europeias.

Após um passeio a Chipre, os leões enfrentavam agora o Manchester United, equipa que, nas suas fileiras, contava com lendas do futebol como Dennis Law, George Best ou Bobby Charlton; a 26 de Fevereiro o Sporting visitou Old Trafford, acabando por ser goleado por 4-1, resultado para o qual contribuiram os golos de Bobby Charlton, e o hat-trick de Dennis Law; Osvaldo Silva acabou por marcar o golo de honra dos leões. O jogo ficou também marcado pela polémica arbitragem de J.H. Martens, o juiz holandêsassinalou duas grandes penalidades a favor dos red devils, perante os vivos protestos dos jogadores portugueses.

 

Perante este resultado, esperar-se-ia uma missão praticamente impossível para o Sporting na partida da segunda-mão em Lisboa. A 18 de Março de 1964, numa noite chuvosa e perante um Estádio José de Alvalade a rebentar pelas costuras, o Sporting entrou em campo com  Carvalho; Pedro Gomes, Alexandre Baptista, José Carlos e Hilário; Fernando Mendes, Geo e Osvaldo Silva; Figueiredo, Mascarenhas e João Morais. Os leões entraram com uma enorme vontade de corrigir o resultado de Manchester, de tal modo que logo aos 3 minutos, Osvaldo Silva inaugurava o marcador através de grande penalidade.

O mesmo Osvaldo bisou pouco tempo depois, concluindo da melhor forma um cruzamento rasteiro da direita, 2-0 aos onze minutos e o antes considerado impossível, ganhava contornos de realidade. A primeira parte não terminou sem que o Sporting visse um golo ser anulado, de qualquer modo, os homens de Anselmo Fernandez pareciam acreditar cada vez mais numa reviravolta histórica.

O intervalo não quebrou o ritmo sportinguista, os leões voltaram à carga no início da segunda parte; apenas dois minutos volvidos e um remate cruzado de Geo fazia o 3-0, e empatava a eliminatória. Cinco minutos depois e o impensável acontecia; Morais, descaído na direita, fuzilou as redes inglesas e fez o 4-0, o milagre era real.

Completamente impotentes para travar a vagarosa onda leonina, o treinador Matt Busby e os seus Busby babes ainda tiveram o privilégio de assistir ao quinto golo; um livre directo exemplarmente batido por Osvaldo; em sete minutos o Sporting marcara 3 golos e o jogo de Manchester era uma pálida e imperceptível memória.

A noite de 18 de Março de 1964 escreveu, por entre as gotas de chuva, uma das páginas mais importantes da história do Sporting Clube de Portugal. Após eliminar o Manchester United, aquela bravíssima equipa de guerreiros partiu à conquista da Taça das Taças, sendo a única equipa portuguesa com tal troféu no seu palmarés.

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