A última batalha do guerreiro
Montagem do Hugo Picado de Almeida

Ferido. Gravemente ferido. Com um joelho no relvado e uma espada que já não é tão temível como outrora. Quem antes era considerado um candidato ao trono do Dom Afonso Henriques – pelo menos no panorama futebolístico –, agora deambula pelos estádios como uma sombra do que foi, bem longe daquelas lendas de dragões e águias que um guerreiro do Minho tentava acalmar.

Em Setembro a armadura branca e vermelha, brilhante após a coroação em Coimbra da Taça da Liga, passou do Peseiro para o velho e sábio Jesualdo Ferreira. Este devia dar ainda mais brilho ao quase centenário metal, mas da primeira saída europeia voltou com um corte que lhe impediu defrontar bem a seguinte batalha lusa e seguir o ritmo dos primeiros. Eram as duas primeiras cicatrizes não iam a fechar-se na época toda.

Nem contra os velhos, nem contra os novos

Porém, não existe a rendição para o guerreiro e o Sporting Clube de Braga recompôs-se, com mais orgulho que fortaleza, para manter a um golpe de olhos os outros três aspirantes ao título. Então chegou a batalha que devia confirmar a recuperação ou aceitar que os grandes castelos não seriam a morada dos bracarenses. A vitória do Sporting na Pedreira confirmou o segundo.

Era o terceiro corte num mês e agora o sangue começava a brotar debaixo da gola, embora o salão real ainda estivesse perto depois das primeiras lutas. Por isso, a deslocação ao arquipélago da Madeira servia para marcar claramente a linha que devia distinguir o Braga dos novos aspirantes. O Nacional atuou com a arrogância dos jovens e maltratou ao nortenhos. Foi o começo de uma sucessão de derrotas que começaram a acabar com o guerreiro.

Estudantes, vila-condenses, águias e dragões abririam a ferida que meses depois deixa a cidade do Minho sem ar depois de uma cavalgada que não está a dar resultado. Passam as jornadas com poucos triunfos para os guerreiros minhotos, que impotentes vêm a Europa fugir dos seus braços, esquecendo a antiga glória que os acompanhava há não muito tempo.

O mesmo inimigo se interpõe

Mas dentro dos pesadelos que a cada jornada têm os adeptos do Braga, há um protagonista que se destaca. Já foram três as batalhas e nenhuma glória ante um Rio Ave que incluso se deu ao luxo de tirar das mãos o título de campeão a Taça da Liga. Uns pesadelos que voltaram a tornar-se realidade na passada sexta-feira e que só Eduardo e Rosescu – essa nova arma que emite uma luz cada vez mais intensa – conseguiram parar.

Raul Rosescu num jogo do Braga. Foto: abola.pt

Tal afronta pode ser restituída num último confronto duplo com resolução em campo e dentro de dias. Vêm aí as meias finais da Taça de Portugal. Será o momento em que esse cavaleiro gravemente ferido e com olhar perdido, pode fazer o uso das últimas forças para pôr-se de pé. Num jogo que pode ser o último cabalo para passear pela desejada Europa.

Diz o ditado popular que há guerreiros que não podem ser dados como mortos. Mas também que não há pior fera a defrontar que um orgulho ferido. Deste último temos só provas das feridas, poucos sinais do perigo que um dia lhe permitiu passear com os grandes de mão dada. Na próxima quarta-feira há uma nova oportunidade.

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