Ex-vice da FPF denuncia «chantagem» de Humberto Coelho no Euro-2000
António Boronha recorda episódio polémico no Euro 2000 envolvendo Humberto Coelho.

Ex-vice da FPF denuncia «chantagem» de Humberto Coelho no Euro-2000

António Boronha recorda episódio envolvendo o na altura seleccionador nacional a propósito da ameaça de greve dos jogadores do Gana à partida de amanhã com Portugal.

andrecunhaoliveira
André Cunha Oliveira

António Boronha, antigo vice-presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), lançou esta quarta-feira, na sua página de facebook, graves acusações a Humberto Coelho aquando da sua passagem pelo cargo de seleccionador nacional no Euro 2000.  

Revela Boronha que antes do início daquela prova, quando ocupava a posição hoje assumida por Humberto Coelho, o na altura treinador da selecção nacional lhe terá exigido uma quantia avultada (cerca de 30 mil euros) para embarcar com a equipa para o Europeu, tendo mesmo ameaçado ficar em Portugal em caso de recusa. 

Fazendo um paralelismo com a situação desde ontem noticiada da selecção do Gana (os jogadores ganeses ameaçaram fazer greve ao jogo com Portugal por falta de pagamento de prémios monetários), o antigo dirigente federativo, conhecido nos últimos anos por denunciar alguns dos meandros do futebol português,  acusa o actual vice-presidente da FPF de «mercenarismo» e revela que só a cedência de Gilberto Madaíl permitiu que a equipa seguisse normalmente para a Holanda, país que em conjunto com a Bélgica acolheu a organização do Euro 2000

António Boronha foi um importante líder da Federação Portuguesa de Futebol e que há meia dúzia de anos ficou conhecido por revelar a célebre frase de Carlos Queiroz à brigada antidoping que visitou a concentração da selecção nacional em Agosto de 2010, e que valeu ao antigo seleccionador a abertura de um processo disciplinar. O antigo dirigente tem dado a conhecer, nos últimos anos, diversos escândalos e casos envolvendo a FPF, órgão que abandonou em 2002.  

Leia na íntegra o post de António Boronha na sua página de facebook:

«Gana envia para o Brasil 2,2 milhões de euros para os jogadores defrontarem Portugal
O dinheiro viajou num avião fretado para o efeito e era uma exigência dos internacionais ganeses para não faltarem à partida contra os portugueses."
[no 'Público', há minutos]

Indignados com a ganância dos ganeses?...
Com o mercenarismo subjacente a esta exigência que nada tem a ver com a defesa das cores de um país?...
Então deixem-me contar-lhes esta 'estória' verdadeira.
No dia 5 de Junho de 2000, segunda-feira pelas 8.30 da manhã no Hotel Tivoli onde nos encontrávamos concentrados, dia da partida da 'Seleção Nacional' de futebol para o 'Euro 2000' aprazada para as 15.30, o então seleccionador nacional Humberto Coelho abordou-me e disse-me, liminarmente:
- 'Ou vocês me pagam, também, a quantia de 6.000 contos (mais ou menos 30.000€, hoje) ajustada para todos os jogadores ou...não embarco para a Holanda!'.
Estupefacto perante a 'chantagem' contestei-lhe que os valores que (ele) iria receber, decorrentes da nossa participação no 'Europeu', estavam desde há muito contemplados no contrato que livremente celebrara com a FPF/Gilberto Madail pelo que nada que envolvesse esse assunto, naquele momento, deveria ser colocado em cima da mesa.
Respondeu-me: 'A minha decisão é irreversível! Fala com o Madail.'
Assim fiz.
Dispensando-os à sordidez dos restantes pormenores digo-lhes que pelas 14.30 da tarde, no 1º andar de um espaço no Parque das Nações, junto à escada rolante e na minha presença, no local onde tinha acabado de ser servido um almoço de despedida à comitiva nacional, o então Presidente da Federação disse-lhe:
'O que você está a exigir não é legítimo nem oportuno! Contudo, atendendendo à delicadeza do momento, eu vou ceder. Mas, atenção!, O assunto fica entre nós e livre-se de comunicar esta minha condescendência aos outros elementos da equipa técnica!.'
E assim lá fomos para a Holanda cantando e rindo, levados, levados sim.

Continuam indignados com a ganância dos ganeses?...
Com o mercenarismo subjacente a esta exigência que nada tem a ver com a defesa das cores de um país?...
Eu, não!
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