De Pirituba para o mundo: Serginho, o maior líbero da história do vôlei

Maior medalhista da história do Brasil e maior líbero da história do vôlei. Obrigada pela dedicação, Serginho

De Pirituba para o mundo: Serginho, o maior líbero da história do vôlei
(Foto: Reprodução / Twitter)

Foi uma dura caminhada até o status de melhor lídero da história do voleibol brasileiro. Sergio Dutra dos Santos não poderia imaginar que o menino de Pirituba alcançaria marcas tão grandes em 26 anos dedicados e entregues ao esporte. Serginho lutou, sofreu e quase parou, mas nunca desistiu. Hoje, após dez anos de Seleção Brasileira, a história de amor chegou ao fim com chave dourada: ele foi campeão olímpico, pela última vez, em casa.

Nascido em Diamante do Norte, no Paraná, em 1975, Serginho Escadinha se tornou referência no esporte, mas sua caminhada não foi fácil. O garoto pobre de 1,84m, altura baixa para o vôlei, se mudou para Pirituba, em São Paulo, com apenas nove meses e entregava galão de água sanitária para ajudar sua família, que desde cedo passava dificuldades. O jogador entrou no esporte por brincadeira e, quando se tornou insustentável conciliar os treinos com o trabalho, ele decidiu se tornar jogador profissional.

Há 28 anos, seu trajeto passou por almeiras, depois seguiu para Guarulhos, São Caetano, Suzano, Banespa, Sesi e alguns outros. Foram anos lutando como se fosse o último desafio em cada jogo. O namoro com a camisa verde e amarela começou há 12 anos e teve tantos altos quanto baixos. Foi um intenso relacionamento que rendeu um currículo que muitos jamais sonhariam. Campeão Mundial em 2002 e 2006, campeão da Copa do Mundo em 2003, medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Verão de 2004 e 2016, medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Verão de 2008 e 2012, campeão da Liga Mundial em 2001, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 e 2009, medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de 2000 e 2011.

A prata em Londres separou um amor antigo. Serginho não voltaria mais a vestir a camisa da Seleção, seu tempo já havia chegado ao fim. Ou não? Bernardinho pediu para que ele voltasse, que comandasse o Brasil em mais um ciclo olímpico. O país precisava dele e, mesmo aos 40 anos e sem saber se poderia dar seu melhor, aceitou e voltou.

Depois do jogo contra a França, que determinaria a classificação ou eliminação do Brasil, Serginho contou o que disse aos jogadores para motivá-los a vencer: "Eu tinha falei para os caras que todos eles têm mais um ciclo olímpico. Eu não tenho mais um ciclo olímpico. Então perguntei a eles se já tinham visto alguém na UTI, porque eu já vi. Eu falei: “Estou na UTI, então estou lutando para viver, e vocês vão lutar para me trazer de volta”. Acho que de certa forma isso fez com que... sei lá... não sei dizer se o time jogou por causa disso. Porque todos eles são jovens e têm um outro ciclo olímpico. O meu está acabando, e se Deus quiser acaba domingo. Eu falei que estou respirando por aparelhos. Não tenho vergonha de dizer. Acho que o grupo entendeu". Sim, o grupo entendeu como ninguém.

A confirmação do ponto final fez com que, abraçado a Lucarelli, Serginho caísse em lágrimas e levasse uma legião de fãs junto. O choro por todos os altos, baixos, dores, luta, superação. O choro de um grande campeão que venceu e tornou cada brasileiro, dentro ou fora de quadra, um grande vencedor. Os gritos de "Ei, ei, ei, Serginho é nosso rei" representam tudo que esse jogador é para o vôlei nacional.

Obrigada por tudo, Serginho. Seu nome estará para sempre marcado na história.