11 contra 11: comparativos entre titulares de Colômbia e Uruguai

Cabeça de chave da Copa do Mundo pela primeira vez, a Colômbia fez jus ao seu favoritismo e venceu os três adversários do Grupo C e logo na estreia, meteu um sonoro 3 a 0 sobre a Grécia que fez o país esquecer a ausência de Falcao García. Na segunda rodada, em um jogo mais complicado, uma vitória por 2 a 1 sobre a Costa do Marfim garantiu a classificação. Com a vaga garantida, o técnico José Pekerman pouco alguns titulares na goleada sobre o Japão por 4 a 1. Mesmo assim, não dá para garantir vida fácil contra o Uruguai nas oitavas de final.

No Grupo D, chamado de “Grupo da Morte”, os uruguaios, sem Luis Suárez, começaram com uma derrota por 3 a 1 diante da Costa Rica. Mordido com a derrota e apoiado no retorno de seu principal jogador, o Uruguai venceu a Inglaterra por 2 a 1 no jogo seguinte. Na partida decisiva contra a Itália, uma vitória por 1 a 0 com gol de Godín garantiu a segunda posição na chave e a classificação para as oitavas.

Agora, os rivais sul-americanos se enfrentam no Maracanã, no Rio de Janeiro, neste sábado (28), às 17h, em partida válida pelas oitavas de final. Confira um comparativo entre os titulares dos Caferetos e da Celeste.

David Ospina x Fernando Muslera

Ospina: uma das grandes revelações da Colômbia nos últimos anos, recebeu comparações com o compatriota Óscar Córdoba desde o início de carreira. Estreou na seleção em 2009, com 21 anos, e desde lá vem sendo o dono da camisa 1 da equipe, com exceção de algumas lesões que o tiraram de campo, como na Copa América de 2011 em que foi substituído por Luis Martínez.

Na estreia da Copa do Mundo, mesmo contra uma Grécia pouco inspirada, o goleiro teve que faz pelo menos duas grandes defesas enquanto a partida estava 1 a 0 e evitar uma reação grega. Contra a Costa do Marfim, nada pode fazer para impedir o golaço de Gervinho bem como a cabeçada de Okasaki, do Japão.

Muslera: titular absoluto do Uruguai desde 2009, foi titular na ótima campanha do quarto lugar da Celeste na África do Sul, em 2010, sendo decisivo na disputa por pênaltis contra Gana, nas quartas, mas sempre foi bastante criticado por não demonstrar segurança que a posição exige.

Nesta Copa do Mundo, Muslera está disposto a calar a boca dos críticos. Se contra a Costa Rica na estreia ele não pode fazer nada para impedir os três gols, contra a Inglaterra ele foi o principal nome da equipe ao salvar dois chutes à queima-roupa de Wayne Rooney, mesmo sofrendo um gol do atacante inglês. Diante da Itália, foi impecável na única vez que foi exigido e salvou um contra-ataque que poderia decretar a eliminação uruguaia.

Juan Zuñiga x Martin Cáceres

Zuñiga: O lateral-direito é presença certa nas convocações da Colômbia desde a Copa América de 2007, e aos 29 anos é um dos principais responsáveis pelo equilíbrio tático garantindo uma opção pela direita, mesmo sendo menos ofensivo que Armero no outro lado.

Ao contrário de suas atuções no Napoli, discreto nos dois primeiros jogos, Zuñiga foi poupado na partida contra o Japão, mas sua dupla pela direita do campo com Cuadrado foi mortal para as defesas adversárias nessa primeira fase da Copa do Mundo.

Cáceres: Às vezes lateral-direito, às vezes zagueiro, o uruguaio de 27 anos é mais um remanescente da Copa do Mundo de 2010. Presente nas escalações de sua seleção desde 2007, o jogador é uma peça importante no esquema defensivo montado por Óscar Tabarez.

Pendurado com um cartão amarelo, Cáceres foi essencial para a melhora da defesa uruguaia depois do desastre da estreia contra Costa Rica. Seu posicionamento foi alterado e com isso conseguiu dar segurança para o goleiro Muslera no esquema de três zagueiros.

Cristián Zapata x José Giménez

Zapata: apontado como uma grande revelação quando atuava na Udinese da Itália, o zagueiro estreou na seleção colombiana sem muito alarde e se firmou ao lado do experiente Yepes como dupla fundamental para o sucesso da equipe.

Vindo de duas temporadas fracas com o Milan, Zapata recuperou o bom futebol na Copa do Mundo sendo o pilar que conseguiu parar os ataques de Grécia e Costa do Marfim cometendo apenas uma falta nos dois confrontos.

Giménez: Com apenas 20 anos e apenas duas partidas disputadas na temporada 2013/14 pelo Atlético de Madrid, o jovem zagueiro teve a dura missão de substituir o capitão do Uruguai, Diego Lugano, contra Inglaterra e Itália e se saiu muito bem.

Com segurança tanto no jogo aéreo quanto com os pés, Giménez injetou uma renovação no miolo de defesa uruguaio que o ex-jogador do São Paulo não tem condições de fazer, além de atuar com muito mais velocidade que Lugano.

Mario Yepes x Diego Godín

Yepes: Aos 38 anos, o zagueiro pode ser considerado o grande símbolo dos 16 anos de ausência da Colômbia em Copas do Mundo. Desde 1999, o jogador já atuou 100 vezes com a camisa da seleção e apesar de ser mais novo que Faryd Mondragón, pode ser considerado o mais experiente do time.

Mesmo sem a agilidade que foi perdida há tempos, Yepes vem formando uma defesa sólida ao lado de Zapata, compensando a falta de velocidade com um ótimo posicionamento. Contra Grécia foi responsável por dois desarmes que podem ser comemorado como gol, além de ter sido quase imbatível no jogo aéreo diante da Costa do Marfim.

Godín: Aos 28 anos, vivendo um momento mágico na carreira, Godín já pode ser considerado um herói no Uruguai. Além de marcar o gol da vitória diante da Itália, o zagueiro já tinha sido o responsável pelo gol do título do Atlético de Madrid no Campeonato Espanhol.

Além de marcar gols, Godín superou as falhas defensivas cometidas contra a Costa Rica na estreia da Copa do Mundo com atuações acima da média que fizeram a torcida uruguaia esquecer Lugano. Assim como Cáceres, o jogador está pendurado com um cartão amarelo e preocupa o técnico Oscar Tabarez para uma possível quartas de final.

Pablo Armero x Álvaro Pereira

Armero: líder das coreografias da Colômbia, após os gols marcados nesta Copa do Mundo, o lateral-esquerdo de 27 anos não vem de uma boa temporada nem com o Napoli nem com o West Ham, para onde se transferiu em janeiro, mas no Mundial vem tendo uma boa participação.

Seu apoio pela esquerda é fundamental para desafogar o ataque colombiano, inclusive, foi dele o primeiro gol dos Cafeteros contra a Grécia. Sua ofensividade vem completando o jogo pouco efetivo de Ibarbo pelo setor. Fora do jogo, Armero é o grande comandante das dancinhas que tem aumentado a torcidada da Colômbia ao redor do mundo.

Álvaro Pereira: o lateral-esquerdo do São Paulo começou a Copa do Mundo no banco de reservas, mas depois da expulsão de Máxi Pereira na partida e com a mudança de esquema tático do Uruguai, passou a atuar na ala-esquerda com uma eficiência que só o torcedor tricolor podia esperar.

Seu poderio ofensivo foi uma das peças que fizeram o rendimento uruguaio melhorar nas partidas contra Inglaterra e Itália. Além de ser uma opção de ataque pela esquerda, Álvaro também protagonizou uma das cenas mais "uruguaias" da Copa. Depois de se chocar com um inglês, ficou desacordado por alguns segundos, mas ao descobrir que seria substituído, o lateral se negou a sair e seguiu em campo até o fim da partida.

Carlos Sánchez x Árevalo Rios

Sánchez: Conhecido como La Roca (A Rocha, em português), o volante de 28 anos do Elche estreou na seleção colombiana em 2007, mas somente assumiu a titularidade sem restrições depois da chegada do técnico José Pekerman.

Em um esquema tático que tem dois laterais bastante ofensivos, o papel do volante como protetor da defesa é fundamental e Sánchez vem desempenhando essa função na Colômbia com muita qualidade e poder de marcação. O camisa 6 também é o responsável pela saída de bola dos Cafeteros.

Árevalo: depois de uma passagem desastrosa pelo Botafogo em 2011, o volante de 32 anos retomou o seu bom futebol no futebol mexicano. Com um gigantesco poder de marcação e uma vitalidade incomparável, já são oito anos de seleção uruguaia para Árevalo.

Assim como toda seleção uruguaia, Árevalo não teve uma boa estreia diante da Costa Rica atuando ao lado de Walter Gargano, mas com a mudança de seu parceiro de meio-campo ele pode exercer a função de marcador a que está mais acostumado. Com isso, o volante cresceu junto do Uruguai, para conseguir a classificação no Grupo D.

Com uma média de oito bolas retomadas por partida e um aproveitamento de 83,3% dos passes, a única preocupação do Uruguai com Árevalo são os cartões amarelos, já que o volante é mais um pendurado nas oitavas de final.

Abel Aguilar x Álvaro González

Aguilar: Grande surpresa da Colômbia na Copa América de 2004, com apenas 19 anos, Aguilar foi, a exemplo de seu compatriota Zapata, contrato ainda muito jovem pela Udinese, da Itália, mas ao contrário do zagueiro nunca chegou a ser bem aproveitado no Friuli. Depois de vários empréstimos voltou a jogar bem nessa temporada pelo Toulouse, da França.

Durante a Copa do Mundo, Aguilar é o iniciador de jogadas da Colômbia e por seus pés passam praticamente todas as bolas da equipe. Na estreia contra a Grécia, teve uma atuação apagada e mesmo assim conseguiu escorar o escanteio que resultou no gol de Teófilo Gutiérrez. Contra Costa do Marfim, foi responsável por acompanhar Yaya Touré durante toda partida.

González: desde 2006, o volante de 30 anos vem sendo chamado para vestir a camisa do Uruguai, mas nunca sem ser considerado um titular absoluto. Nem na Lazio, seu clube, tem sido incontestável e por muitas vezes começa no banco de reservas.

Na Copa do Mundo não foi diferente. González entrou no segundo tempo da estreia contra a Costa Rica para não sair mais do time. A utilização de Cáceres como zagueiro-lateral, o volante ficou responsável por fazer a ala-direita dando uma opção equilibrada ofensiva e defensivamente no setor.

O volante deu um pouco mais de qualidade para o passe no meio-campo uruguaio e com isso, o time ficou mais equilibrado nos confrontos contra ingleses e italianos. Álvaro também tem uma porcentagem melhor de desarmes em comparação às faltas cometidas do que o titular anterior, Gargano.

Juan Cuadrado x Cristian Rodríguez

Cuadrado: mais um da legião de colombianos que a Udinese contratou, o meia-direita de 26 anos começou sua carreira na Itália como lateral-direito. Durante muito tempo foi criticado por avançar demais e deixar muito espaço atrás de si, foi adiantado para o meio-campo em passagem por empréstimo no Lecce.

Atuando na direita no 4-2-3-1 de José Pekerman, Cuadrado é a principal arma ofensiva da Colômbia, por seu lado saíram quase todos os gols da equipe na Copa do Mundo. Não por acaso, o camisa 11 é o líder de assistências da competição com três passes para gol, dois na estreia diante da Grécia e um contra a Costa do Marfim. Além disso, abriu o placar na vitória por 4 a 1 contra o Japão, na terceira rodada.

Rodríguez: Cebola, como é conhecido, estreou pelo Uruguai em 2003 ainda com 18 anos e no ano seguinte participou da Copa América na equipe celeste. Mesmo assim, o meia do Atlético de Madrid só fez sua estreia em mundiais em 2014.

Na Copa do Mundo, Rodríguez ainda não deslanchou. Atuando pelo lado esquerdo foi mal como todo o time do Uruguai na estreia, e com a entrada de González passou a ter uma função mais centralizada, mas não cresceu muito seu futebol. Ainda devendo uma boa atuação, contra a Colômbia, o meia terá mais uma oportunidade de fazê-lo.

James Rodriguez x Nicolás Lodeiro

James: aos 23 anos, o meia do Mônaco herdou de seu companheiro de clube e seleção, Falcao García, a liderança da equipe da Colômbia para a Copa do Mundo. Vindo de uma temporada muito boa na Ligue 1, onde fez nove gols e deu 11 assistências, James Rodríguez tenta mostrar que é capaz.

Na Copa do Mundo, estreou muito bem contra a Grécia marcando o terceiro gol da vitória por 3 a 0 e sendo escolhido como melhor da partida. Contra a Costa do Marfim na segunda rodada, repetiu a dose com um gol e o prêmio. Na terceira rodada diante do Japão fez ainda mais, deu duas assistências e marcou outra vez, mas viu o Jackson Martínez ser o melhor do jogo.

Com três gols, um em cada partida, e duas assistências foi escolhido pela Fifa como o melhor jogador da fase de grupos. Agora diante do Uruguai, James Rodríguez tem a oportunidade de mais uma vez afirmar que a Colômbia não sente a falta de García.

Lodeiro: um dos jovens talentos da Copa do Mundo de 2010, o meia do Corinthians cresceu dentro da seleção uruguaia ao mesmo tempo que o futebol de Forlán decaia. É um dos poucos jogadores de criação no meio-campo do Uruguai.

Lodeiro começou a Copa do Mundo no banco de reservas, mas ganhou a posição de Christian Stuani depois da primeira partida contra a Costa Rica. Atuando centralizado no trio de meio-campo do esquema 4-2-3-1 de Tabarez é o principal responsável pela armação de jogadas. Apesar de não brilhar, o camisa 14 tem sido peça importante na ascensão da equipe nos últimos jogos.

Victor Ibarbo x Diego Forlán

Ibarbo: Aos 24 anos, o atacante do Cagliari recebeu uma oportunidade de ouro ao ser escalado no lugar de Falcao García na estreia da Copa do Mundo (Gutiérrez faria a função de Ibarbo e foi deslocado para ser o centroavante da equipe) e apesar de ser muito importante taticamente, ainda não apareceu.

Ibarbo é o jogador mais avançado na esquerda do meio-campo da Colômbia, atuando ao lado de Armero no setor, tem voltado bastante para ajudar na marcação cobrindo um pouco as costas do impetuoso lateral. Apesar de criticado, Pekerman confia no jogador para seguir no time titular diante do Uruguai.

Forlán: melhor jogador da Copa do Mundo de 2010 quando liderou o Uruguai ao quarto lugar, agora aos 35 anos o atacante está escrevendo o final de sua história em Mundiais buscando uma despedida digna. Depois de sair do Internacional, foi para o Cerezo Osaka, do Japão, onde fez sete gols em 14 jogos.

Substituto de Suárez na estreia contra a Costa Rica, Forlán não agradou e ficou em campo apenas 60 minutos sem nenhum impacto. Gastón Ramírez e Christian Stuani estão em melhor momento, mas o técnico Óscar Tábarez deve escolher a experiência de Diego para substituir o seu melhor jogador diante da Colômbia.

Teófilo Gutiérrez x Edinson Cavani

Gutiérrez: O centroavante de 29 anos do River Plate nunca foi uma unanimidade na Colômbia desde a sua estreia com a camisa amarela em 2009, mas tem respondido às criticas com gols sempre que entra em campo.

Na Copa do Mundo, Gutiérrez tem a ingrata função de substituir Falcao García, maior nome do futebol colombiano da atualidade, e depois de conseguir marcar contra a Grécia na estreia cansou de perder gols considerados feitos diante da Costa do Marfim, mas deu uma assistência para Quintero. Poupado contra o Japão, viu Jackson Martinez marcar duas vezes e tem sua posição ameaçada pelo atacante do Porto, mas Pekerman deve mantê-lo no comando do ataque.

Cavani: aos 27 anos, o atacante do Paris Saint Germain é um dos melhores do mundo na posição, mas na seleção do Uruguai ainda precisa assumir o protagonismo da equipe, pois ao longo dos seis anos em que vem vestindo a camisa celeste sempre foi ofuscado por Diego Forlán e Luis Suárez.

Na Copa do Mundo, Cavani marcou o gol que abriu o placar para o Uruguai diante da Costa Rica, mas com o crescimento do adversário foi incapaz de liderar a equipe para um bom resultado. O lindo passe para o gol de Suárez contra Inglaterra foi o último momento de brilho do camisa 21 até aqui. Contra a Itália, foi escalado em uma posição mais recuada tendo que acompanhar Pirlo na marcação.

Com a suspensão de Suárez e o evidente declínio físico de Forlán, Cavani terá que provar para o mundo que é capaz de liderar o Uruguai a uma boa campanha e uma vitória diante da Colômbia pode ser o primeiro passo para acabar com as desconfianças.

VAVEL Logo