E se a Copa do Mundo de 2014 tivesse 48 seleções?
O novo presidente da Fifa, Gianni Infantino, promete mudanças profundas na estrutura da Copa do Mundo (Foto: Kin Saito/CBF)

A ampliação da Copa do Mundo de 32 para 48 seleções a partir da edição de 2026, decidida pela Fifa em reunião organizada na sede da entidade, em Zurique, na Suíça, neste domingo (8), com o aval de todas as confederações do planeta bola, agitou o universo do futebol. Posicionamentos externos vieram à tona rapidamente.

Em entrevista ao jornal alemão Sport Bild, o presidente do Bayern de Munique e da Associação Europeia de Clubes (ECA), Karl-Heinz Rummenigge, tratou a decisão da Fifa como "um sinal errado" que veio "apenas por razões políticas".

"Eu não posso entender por que um formato de sucesso com 32 times, que se provou bem-sucedido em todos os aspectos com os torcedores, está para ser substituído", questionou o dirigente alemão.

O presidente do Bayern, Karl-Heinz Rummenigge, mostrou-se contrário à ampliação da Copa do Mundo (Foto: Alexander Hassenstein/Getty Images)

Um dos grandes defensores da reformulação da Copa do Mundo é o ídolo da seleção de Camarões e jogador do clube turco Antalyaspor, Samuel Eto'o. Em reunião realizada na última semana de 2016, ele enalteceu o presidente da Fifa, Gianni Infantino, pela ideia. O camaronês acredita que a medida ajudará a desenvolver o futebol em países onde a infraestrutura para a prática do esporte é precária.

"Esse troféu (a taça do mundo) é para os 48 países na Copa do Mundo. Gianni Infantino, faça isso por nós, para os pobres, para aqueles que não tiveram a chance de jogar a Copa do Mundo. Eu pessoalmente o apoio, e toda a África, porque você nos dará a chance de jogar a Copa do Mundo", declarou Eto'o.

O jogador camaronês Samuel Eto'o é favorável à ampliação da Copa do Mundo porque dará a mais países a chance de jogar a competição (Foto: Reprodução/Fifa)

E como teria sido a Copa do Mundo de 2014 se ela tivesse contado com 48 seleções? Formado em Engenharia Elétrica pela UFMG, o mineiro Paulo Torres, da comunidade Futebol Alternativo, fórum de debates sobre futebol que surgiu na extinta rede social Orkut e se estendeu ao Facebook, fez um levantamento de como seria o Mundial no Brasil nos moldes que entrarão em vigor daqui a nove anos. O internauta levou em conta a nova divisão de vagas do torneio que vem sendo divulgada pela mídia internacional.

Segundo o jornalista Jamil Chade, correspondente internacional d'O Estado de São Paulo, seriam 16 vagas diretas para a Uefa (Europa), 9 para a CAF (África), 8 para a AFC (Ásia), 6 para a CONMEBOL (América do Sul), 6 para a CONCACAF (Américas do Norte, Central e Caribe) e uma para a OFC (Oceania). África, Ásia, América do Sul e Concacaf ainda teriam uma vaga cada na repescagem intercontinental, a qual definiria dois classificados à Copa. As informações foram publicadas na página do comunicador no Twitter.

Paulo Torres também considerou a classificação nas últimas fases das Eliminatórias ao redor do mundo. Em sua análise, ele chegou à conclusão de que se a ampliação para 48 delegações tivesse valido já para a edição sediada em terras brasileiras, a maior competição de futebol da Terra teria contado com 10 seleções estreantes, contando já com a presença da Bósnia-Herzegovina e podendo ter chegado até mesmo a 11, a depender da repescagem.

Veja quais seleções teriam vindo ao Brasil se a Copa do Mundo de 2014 já tivesse 48 seleções

Ásia

Omã nunca jogou uma Copa do Mundo (Foto: Khalil Mazraawi/Getty Images)

Representada por Japão, Austrália, Coreia do Sul e Irã na Copa de 2014, a Ásia também contaria com as participações de Uzbequistão, Jordânia, Catar e Omã, de acordo com Paulo Torres. Nenhuma dessas seleções participou de qualquer outra edição de Mundial. A única com estreia garantida até o momento é o Catar, sede de 2022, naquela que será a última Copa com 32 seleções.

Os uzbeques foram eliminados pela Jordânia na repescagem asiática. Os jordanianos foram massacrados pelo Uruguai na repescagem intercontinental: 5 a 0 em casa e 0 a 0 fora. Catar e Omã estiveram na fase derradeira das Eliminatórias Asiáticas.

Nenhum asiático avançou à fase de mata-mata no Brasil.

África

Etiópia teria sido outra seleção a estrear em Copa do Mundo caso o Mundial de 2014 tivesse 48 seleções (Foto: Ben Radford/Visionhaus/Getty Images)

O continente africano, que teve como países classificados Nigéria, Argélia, Gana, Costa do Marfim e Camarões, também seria representado por Etiópia, Tunísia, Egito e Burkina Faso. Etíopes e burquinenses nunca sentiram o gostinho de participar de uma Copa do Mundo. Já Egito e Tunísia, duas das seleções mais vitoriosas da Pátria Mãe da Humanidade, não vão ao Mundial desde 1990 e 2006, respectivamente.

Nas últimas Eliminatórias Africanas, as vagas foram decididas em playoffs. Etiópia, Tunísia, Egito e Burkina Faso foram eliminados, respectivamente, por Nigéria, Camarões, Gana e Argélia.

No Brasil, apenas Nigéria e Argélia foram ao mata-mata.

Concacaf

Panamá quase foi à repescagem intercontinental da Copa do Mundo 2014 (Foto: Rodrigo Arangua/Getty Images)

No âmbito da Concacaf, Panamá e Jamaica teriam se juntado a México, Estados Unidos, Costa Rica e Honduras. Seria a segunda participação dos jamaicanos, que estiveram presentes em 1998, na primeira Copa com 32 seleções. Já os panamenhos seriam estreantes.

Panamá e Jamaica foram os respectivos quinto e sexto colocados do Hexagonal Final da Concacaf nas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2014.

O aproveitamento da Concacaf na Copa no Brasil foi excelente: apenas Honduras caiu na primeira fase, enquanto México e EUA chegaram às oitavas e a Costa Rica foi às quartas - a melhor campanha da história dos Ticos no certame.

América do Sul

Ampliação do número de participantes da Copa do Mundo pode ser a chance da Venezuela, enfim, chegar à sua primeira participação mundial (Foto: AFP/Getty Images)

Sexta colocada nas Eliminatórias Sul-Americanas para 2014, a Venezuela teria ido à Copa do Mundo nos atuais moldes, sem precisar passar pela repescagem. A Vinotinto é a única seleção da Conmebol que nunca disputou um Mundial. E o sonho de estar entre as grandes equipes nacionais do futebol mundial não deve ser realizado na Rússia, em 2018: os venezuelanos estão na última colocação das Eliminatórias atuais, com apenas cinco pontos.

Em 2014, a Conmebol foi representada, além do país-sede, o Brasil, por Argentina, Colômbia, Chile, Uruguai e Equador. As campanhas, na ordem, foram: quarto colocado, vice-campeão, quartas de final, oitavas de final, oitavas de final e fase de grupos.

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Europa

Islândia foi a sensação da Eurocopa 2016, na França (Foto: Alex Livesey/Getty Images)

Continente com mais vagas destinadas ao Mundial (13), a Europa teria seus três lugares adicionais preenchidos por Suécia, Ucrânia e Islândia. Vice-campeões em 1958, quando perderam a final para o Brasil em sua própria casa, os suecos estiveram na Copa do Mundo pela última vez em 2006. Mesma situação dos ucranianos, naquela que foi sua única participação como nação independente da extinta União Soviética. Já os islandeses estreariam em Copas.

Suécia, Ucrânia e Islândia foram superadas na repescagem europeia por Portugal, França e Croácia, respectivamente.

As delegações que representaram o Velho Continente em território tupiniquim foram Alemanha, Holanda, Bélgica, França, Suíça, Grécia, a estreante Bósnia-Herzegovina, Portugal, Itália, Espanha, Croácia, Rússia e Inglaterra. Os alemães foram campeões, os holandeses ficaram em terceiro, belgas e franceses foram quadrifinalistas, os suíços chegaram às oitavas, e o restante deu adeus já na primeira fase.

Oceania

Nova Zelândia foi a única seleção invicta do Mundial de 2010, com três empates em três jogos (Foto: Getty Images)

O representante da Oceania seria a Nova Zelândia, que foi eliminada pelo México na repescagem com derrotas de 5 a 1, longe de seus domínios, e 4 a 2, em casa. Os All Whites jogaram as Copas de 1982 e 2010.

O Novíssimo Mundo deve ter vaga direta na Copa do Mundo a partir de 2026. Por enquanto, ficará tentando a sorte na repescagem entre confederações. Nas Eliminatórias para 2006, a Austrália surpreendeu o Uruguai - depois, os australianos se filiaram à AFC. Na corrida por vagas para a Copa de 2010, a Nova Zelândia despachou o Bahrein.

Repescagem Intercontinetal

 Uma das seleções mais tradicionais da América Central, a Guatemala jamais jogou uma Copa do Mundo (Foto: Christian Petersen/Getty Images)

Por fim, de acordo com o levantamento de Paulo Torres, a repescagem entre continentes teria as presenças de Senegal, Iraque, Peru e Guatemala. "Para desempatar entre os perdedores dos playoffs europeus e africanos, considerei a campanha na fase imedatamente anterior. Por isso, o Senegal (eliminado pela Costa do Marfim na última fase das Eliminatórias Africanas) caiu para a repescagem e a Romênia (eliminada pela Grécia na repescagem europeia) ficou fora", explica Paulo.

Já imaginou um Iraque x Guatemala definindo uma vaga em Copa do Mundo? A única participação dos Tigres da Mesopotâmia se deu em 1986. Por sua vez, La Fúria Azul buscaria uma classificação inédita. O Peru tem quatro presenças em Copas: 1930, 1970, 1978 e 1982. Já o Senegal, apenas uma: 2002; àquela ocasião, chegou às quartas de final.

Paulo Torres destacou, ainda, que times tradicionais em seus continentes ficariam de fora da Copa mesmo com a ampliação de vagas. "Continuariam de fora Paraguai, Dinamarca, Gales, Tchéquia, Sérvia, Polônia, Marrocos, China, África do Sul, Angola, Zâmbia...", puntuou.

Regulamento da nova Copa do Mundo ainda será definido

Fifa deve divulgar o novo modelo de disputa da Copa do Mundo em março (Foto: Getty Images)

O aumento do número de participantes da Copa do Mundo de 32 para 48 já é certo. Falta, no entanto, definir o regulamento da competição. De acordo com Jamil Chade, vem ganhando força a ideia de 16 grupos com três seleções cada. Os líderes e os vice-líderes de cada chave avançariam aos 32 avos de final, fase pouco usual no futebol sul-americano, mas que existe, por exemplo, na Uefa Europa League. Esse estágio seria sucedido pelas oitavas de final, quartas de final, semifinais e, enfim, a decisão do terceiro lugar e a decisão do título.

Alvo de muitas críticas, o regulamento em questão teria como objetivo a realização de mais partidas - o aumento do número de jogos seria uma consequência natural do aumento de participantes - em um período de, no máximo, 32 dias, de modo a não prejudicar as férias dos jogadores e o período de pré-temporada ou inter-temporada dos clubes. O posicionamento contrário dos fãs de futebol se sustenta na hipótese de que o número ímpar de times por grupo facilitaria a ocorrência de resultados arranjados.

A mídia internacional especula, ainda, que o presidente da entidade máxima do futebol, Gianni Infantino, cogita colocar disputa de pênaltis para jogos que terminem empatados na fase de grupos. Essa medida seria inédita na história do certame mundial.

O modelo de disputa da Copa do Mundo a partir de 2026 será definido e divulgado pela Fifa em março.

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