Nas cobranças de pênalti, Costa Rica elimina Grécia e se classifica às quartas-de-final
(Foto: AFP/Pedro Ugarte)

A Costa Rica continua a fazer história na Copa do Mundo. Nas cobranças de pênalti, a seleção da América Central eliminou a Grécia e alcançou a história classificação às quartas-de-final, a primeira da história da seleção. O capitão Bryan Ruiz inaugurou o marcador aos 7 minutos do segundo tempo, e viu a Grécia empatar aos 45 da segunda etapa, com Sokratis. A Costa Rica contou com uma excelente atuação de Keylor Navas, eleito Man of the Match para superar a ausência de um de seus jogadores durante a maior parte do confronto e superar os gregos na cobrança de pênaltis.

Os dois tempos de jogo foram completamente diferentes entre si. No primeiro tempo a Costa Rica visou aproveitar-se da velocidade enquanto a Grécia preocuapva-se unicamente com a defesa. Pases errados dos dois lados contribuíram para um jogo fraco na primeira etapa, o que não aconteceu na segunda etapa. Com a expulsão de Duarte, a Grécia cresceu no jogo e abandonou sua característica retranca para pressionar a Costa Rica, que se limitou a permanecer no campo de defesa, tentando aproveitar esporádicos lances de Ruiz e Campbell, sem sucesso. A seleção americana ainda foi prejudicada pela arbitragem, já que Benjamin Williams não marcou um toque de mão de Torosidis.

O grande personagem do jogo foi o goleiro Keylor Navas, da seleção da Costa Rica. O goleiro realizou grandes defesas durante todo o jogo - incluindo a prorrogação, realizando defesas à queima-roupa durante todo o decorrer do jogo. O restante de sua equipe demonstrou-se cansada ao final da partida e pouco pôde fazer. O mesmo aconteceu com os gregos, que não tiveram nenhum destaque individual. Os gregos ainda tiveram de lidar com a expulsão de Fernando Santos minutos antes da cobrança de pênaltis.

O jogo das quartas-de-final, contra a Holanda, será um teste para a defesa da equipe da Costa Rica, que mostrou sinais visíveis de cansaço na partida contra a Grécia. A missão será a de parar um dos ataques mais eficientes do mundial, comandado por Sneijder, Robben e Van persie.

Sem grandes oportunidades, primeiro tempo morno termina empatado

O jogo entre Grécia e Costa Rica começou dentro do esperado: lento e sem grandes oportunidades de gol para ambas as equipes. As duas equipes priorizaram o futebol defensivo, e coube aos americanos tomar a iniciativa no ataque, abusando das jogadas de velocidade com Joel Campbell e Bryan Ruiz. Entretanto, mostrando a costumeira tranquilidade, a forte defesa grega não deu espaços para os costarriquenhos. Todos os jogadores gregos voltaram para recompor a marcação, tornando os chutes a gol raros.

Sem tanta preocupação ofensiva, os gregos fizeram de sua principal jogada os cruzamentos para o ídolo Georgios Samaras, a grande referência ofensiva da equipe. O jogador muitas vezes chegou a jogar isolado na frente, por seus companheiros voltarem para realizar papel defensivo no meio-campo. O centroavante grego teve dificuldades e não assustou a defesa costarriquenha.

O relógio corria, e as duas equipes ainda tentavam encontrar uma forma de furar as defesas adversárias. Bolaños recebeu bola na esquerda e cruzou bola para a área, na direção de Campbell, na melhor oportunidade de gol até então. A zaga grega interceptou, mas os costarriquenhos continuaram pressionando. Aos 21 minutos, Joel Campbell sofreu uma falta a centímetros da área. Entretanto, na cobrança a bola passou direto pela área, sem que ninguém desviasse.

Enquanto a Costa Rica tentava chegar ao gol por meio da velocidade de seus homens de frente, a Grécia continuava apostando no jogo aéreo de Samaras. A principal jogada grega durante todo o primeiro tempo foram os cruzamentos à longa distância para o atacante, que por vezes não conseguia se livrar da marcação, por vezes estava em posição irregular. Aos 27 minutos, o capitão Karagounis arriscou de longe, mas a bola foi fraca nas mãos de Navas.

Aos 36, surgiu a melhor oportunidade do jogo: outro cruzamento grego, que encontrou Salpingidis na pequena área. O atacante finalizou de primeira, para excelente defesa do goleiro Keylor Navas, que defendeu a bola com a perna e evitou o gol grego. A próxima oportunidade rega surgiu apenas aos 42 minutos, em cobrança de falta peto da área. Navas interceptou os atacantes gregos e novamente afastou o perigo.

Ao final do primeiro tempo, apesar do equilíbrio no ataque, as estatísticas mostram leve superioridade grega: foram 7 finalizações gregas (3 delas ao gol), enquanto a Costa Rica finalizou apenas em 2 oportunidades, nenhuma delas no alvo. Outro dado curioso é a quantidade de impedimentos: o ataque grego se posicionou de forma irregular em 6 oportunidades, contra 0 da Costa Rica.

O jogo aéreo de Samaras foi a principal jogada grega na primeira etapa (Foto: Ian Walton/Getty Images)

Com um a mais em campo, Grécia muda de postura e leva jogo à prorrogação

A segunda etapa começou com muita ação, ao contrário dos 45 minutos iniciais. Logo aos sete minutos, veio o gol da Costa Rica: Bolaños cruzou a bola para a entrada da área e encontrou Bryan Ruiz, que finalizou com rapidez, surpreendendo o goleiro grego. Karnezis apenas observou a bola vagarosamente indo ao fundo das redes, rente à trave.

Motivada, a Costa Rica criou mais duas oportunidades logo após a o gol. No lance seguinte, Duarte levantou bola para Bolaños, mas Torosidis – usando o braço – afastou a bola, evitando a finalização do ponta costarriquenho. No lance seguinte, foi a vez de Campbell acionar Bolaños, mas a zaga travou a finalização. O início da segunda etapa parecia favorável à Costa Rica, já que Bolaños e Campbell se apresentaram de forma muito mais eficiente do que na primeira etapa. A Grécia pouco arriscava, e o jogo aéreo continuava ineficiente.

Aos 21 minutos, o evento que mudou o panorama do jogo: Duarte recebeu o segundo cartão amarelo e foi expulso, deixando a Costa Rica, que então dominava o jogo, teve de se fechar para conter o ataque grego. Fernando Santos promoveu a entrada de Mitroglou e Gekas para fazer companhia a Samaras, e a seleção helênico tornou-se muito mais ofensiva. Holebas conseguiu bom cruzamento para Gekas, mas Navas realizou outra precisa intervenção para evitar o gol.

Devido à tensão em torno do jogo, a partida tornou-se mais violenta – ao todo, foram oito cartões amarelos e um vermelho distribuídos pelo árbitro da partida –, e foi a Costa Rica quem passou a assumir uma postura mais defensiva, dando liberdade de criação ao meio-campo grego. Gekas tornou-se o principal alvo das jogadas aéreas, mas o aproveitamento seguiu nulo. O atacante recebeu boa bola aos 37 minutos, mas não conseguiu dominar e finalizar.

A partida se encaminhava para um empate, mas aos 45 minutos, a pressão grega se mostrou efetiva. Gekas finalizou, e Navas – que até então fazia um jogo impecável – soltou a bola. Sokratis, que se lançou ao ataque, aproveitou o rebote para garantir a sobrevida grega na partida. O gol deu uma nova motivação à Grécia, que fazia o uso de seu homem a mais para pressionar a Costa Rica para obrigar Navas a realizar duas outras grandes defesas, em finalizações de Christodoloupoulos e Mitroglou.

O capitão Bryan Ruiz foi o principal jogador costarriquenho no jogo (Foto: Ian Walton/Getty Images)

Prorrogação e pênaltis garantem a classificação inédita da Costa Rica

A prorrogação foi uma sequência do que se viu na segunda etapa: a Costa Rica, já cansada, se limitava ao seu campo de defesa, enquanto a seleção grega pressionava em busca do gol da vitória. Mitroglou e Gekas foram os principais alvos, municiados principalmente por Christodoloupoulos e Holebas, mas Navas mostrou segurança para garantir o empate. Nos acréscimos do segundo tempo, Navas consagrou sua participação com uma excelente defesa que evitou o gol de Mitroglou, que finalizou da pequena área.

Nas cobranças de pênalti, equilíbrio e tranquilidade para os batedores. Borges, Bryan Ruiz, González e Campbell acertaram suas cobranças, sem chances ao goleiro Karnezis. Pela Grécia, Mitroglou, Christodoloupoulos e Holebas também acertaram. Entretanto, na quarta cobrança, de Gekas, Navas voltou a se brilhar e defendeu o pênalti, consagrando-se como herói na partida. Sob muita pressão, Umaña converteu a quinta cobrança e eliminou mais um europeu no caminho da Costa Rica.

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