A força de um elenco: boa geração da Bélgica vai além de 11 titulares

Há muito tempo ouve-se falar da ótima geração da Bélgica. Os principais talentos da seleção belga jogam em gigantes clubes europeus, e muitos deles já estão se tornando destaque. Assim, a ideia de unir esses craques em um mesmo time parecia certeza de dar certo. Porém, com tantas opções e a 'pressão' por ter em mãos um time muito esperado por todos, como o treinador vai escalar somente 11 deles?

É certo que Marc Wilmots tem jogadores privelegiados em cada posição, e usa isso a seu favor. A Bélgica chegou nesta Copa do Mundo como uma das favoritas, principalmente pela fama de ter ótimos jogadores que atuam no ataque. Alguns dos principais nomes dos Diabos Vermelhos, só no setor ofensivo, são Eden Hazard, Romelu Lukaku e Dries Mertens.

Hazard, atleta do Chelsea, debutou pela seleção em 2008, quando ainda atuava no Lille, da França. Craque do clube londrino, o meia-atacante atua na ponta esquerda e é famoso pela velocidade e pela capacidade de criar jogadas. Grande destaque dos belgas, Hazard sabe que é o principal nome da atual geração: não por menos, admitiu recentemente que faz a diferença nas partidas.Um outro grande nesta Copa do Mundo é o meio-campista Dries Mertens, atualmente no Napoli, que tem como principais características as finalizações de fora da área e dribles em velocidades. Lukaku, destaque em força física e em sua habilidade para marcar gols, deve ganhar uma chance no time principal do Chelsea nessa temporada.

Isso sem falar de Kevin De Bruyne, Kevin Mirallas, Divock Origi e Adnan Januzaj no ataque. Fellaini, Dembélé, Defour, Witsel e Chadli no meio-campo. Uma defesa com Courtois, Kompany, Vermaelen, Vertonghen e Van Buyten. Com tantos nomes assim, fica claro que Wilmots tem em suas mãos não um time, mas uma ótima seleção. E, até agora, não teve medo de usar seus atletas do banco quando precisou.

Estreia: virada com gols suplentes

A estreia da seleção europeia nesta Copa do Mundo foi contra a Argélia, no Mineirão. Na primeira etapa, a Bélgica tentava furar o campo dos argelinos, que estavam marcando bem e não deixavam espaço para os talentosos jogadores belgas conseguirem abrir o placar. Porém, o primeiro gol da partida saiu de um erro de Vertonghen, que cometeu a penalidade após puxar o Feghouli: mesmo jogador cobrou e abriu o placar. Mesmo atrás no marcador, os Diabos Vermelhos continuaram com o posse de bola e viram o time rival recuar, mas sem sucesso.

No segundo tempo do jogo, Wilmots tirou Chadli para colocar Mertens, que melhorou o poder ofensivo dos europeus. Aos 19 minutos, Dembélé deu lugar a Fellaini, que mudou a cara do duelo quando marcou o gol de empate, cinco minutos depois. Predestinado, Mertens marcou o gol da virada aos 34 minutos, após Hazard puxar um contra-ataque e tocar para o meio-campista avançar em velocidade, entrar na área e chutar forte. Favoritos e candidatos a surpresa da Copa, os belgas começaram a mostrar o mundo que a atual geração é mais do que apenas 11 jogadores em campo.

Fellaini e Mertens sairam do banco e garantiram a vitória (Foto: Gabriel Bouys / Getty Images)

Contra a Rússia, o craque acordou e o substituto decidiu

Contra a seleção da Rússia, pela segunda rodada, o atacante Mertens começou como titular, após se destacar na estreia. Os belgas repetiram a mesma atuação do primeiro jogo, com mais posse de bola, mas com pouca criatividade e jogadas individuais. Com mais vontade, Mertens começou a aparecer mais efetivamente e preocupou a defesa russa. Porém, o atleta do Napoli não teve uma boa pontaria e não conseguiu abrir o placar na primeira etapa do jogo.

No segundo tempo, a Rússia começou a tocar mais a bola e ficou mais tempo com a posse. Os Diabos Vermelhos não se encontravam e as substituições e as mudanças táticas de Marc Wilmots não estavam adiatando. A partir dos 30 minutos, a Rússia continuava se soltando e pressionando os belgas, até que o craque resolveu aparecer e decidir o jogo. Hazard fez uma grande jogada pelo canto esquerdo, e tocou para dar a assistência para o gol da classificação belga. Quem marcou foi o jovem Origi, que, minutos antes, havia entrado em campo no lugar de Lukaku.

Hazard decidiu e Origi marcou o gol da classificação da Bélgica (Foto: Kirill Kudryavtsev / Getty Images)

Time reserva em campo e vitória após mudanças

Já classificada e jogando com grande parte do time reserva, a Bélgica venceu a eliminada Coréia do Sul com gol de Jan Vertonghen. Durante a partida, a falta de entrosamento pesou no terceiro jogo da fase de grupos. Mesmo com muita dificuldade para criar, a Bélgica era mais eficiente e demonstrava ser mais forte que a seleção coreana, que ficou motivada após pressão do time rival e começou a partir mais pro ataque. O jogo seguiu lá e cá, com mais domínios dos asiáticos, e o primeiro tempo, mais uma vez, terminou empatado.

Na segunda etapa do jogo, a Coréia do Sul teve a vantagem de um homem a mais, quando Defour foi expulso, mas não conseguiu aproveitar. Wilmots tentou testar alguns jogadores titulares no time misto da Bélgica e, mais uma vez, conseguiu. A Coréia do Sul não criava chances e ficava tocando a bola pro lado, e uma das poucas chances que os europeus tiveram foram aproveitadas. Em posição irregular, Vertonghen, pegou o rebote do goleiro sul-coreano e mandou pro fundo da rede. O tempo marcava 32 minutos: depois das entradas de Chadli e Origi, que deram novo volume de jogo para o time. Atrás no placar, a Coréia do Sul teve a chance de empatar, mas o jovem goleiro Courtois garantiu a vitória de sua seleção.

Vertonghen, nos braços da torcida: primeiro titular a marcar (Foto: Clive Brunskill / Getty Images)

Pressão e força física garantem vaga

Nas oitavas de final, a seleção da Bélgica travou um duro duelo contra os Estados Unidos. O primeiro tempo foi bastante movimentado, com os dois times criando ótimas chances -- especialmente os belgas, que não conseguiam balançar as redes por conta da brilhante atuação de Tim Howard. Os dois tempos foram bem semelhantes: as duas seleções criavam, só que os americanos estavam com problema no último toque e os europeus com o problema de finalização. Os jogadores da Bélgica estavam tomando a iniciativa, buscando a infiltração dos pontas Hazard e Mertens. A defesa da equipe europeia estava funcionando, anulando muito bem as frustradas tentativas de ataque dos Estados Unidos, que estava contando com as milagrosas defesas de Howard.

Quando o jogo seguiu para a prorrogação, Wilmots apostou em uma mudança: promoveu a entrada de Lukaku, que havia perdido a vaga para Origi. E foi o camisa nove garantiu a vitória belga. Primeiro, em velocidade, usou a força para ganhar no cortpo de Besler e tocar para De Bruybe se livrar da marcação e abrir o placar. Depois, o próprio centroavante recebeu, invadiou a área e bateu forte, para ampliar. Os americanos ainda diminuiram e ensaiaram uma pressão, mas não conseguiram reverter o placar. Romelu Lukaku já havia colocado a Bélgica nas quartas de final.

Lukaku havia perdido a vaga, mas entrou e decidiu para a Bélgica (Foto: Kevin Cox / Getty Images)

A força de um elenco

Ficou claro que, nas quatro primeiras partidas do mundial, os belgas travaram jogos difíceis e tiveram dificuldade para criar. Em todas as partidas, foi possível notar que a força do elenco privilegiado de Marc Wilmots colocou os belgas buscando a semifinal. Sem medo de mexer no time quando necessário, o jovem treinador parece ter uma grande vantagem em relação aos demais: prova, a cada jogo, que tem seu elenco nas mãos.

Com toda a certeza, a grande atuação de Lukaku nos últimos 30 minutos contra os Estados Unidos vai pesar, e Wilmots terá uma grande dúvida para escalar os Diabos Vermelhos, contra a Argentina. Mas o treinador sabe que, se precisar, não terá problemar quando tiver que recorrer ao banco de reservas do estádio Mané Garrincha.

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