San Lorenzo: o caminho até o título inédito da Libertadores

Um título inédito. A campanha do San Lorenzo na Copa Libertadores da América 2014 foi divina. O time do Papa Francisco conseguiu ir do inferno ao céu na mesma competição, cresceu de produção na hora certa e, enfim, conquistou a tão sonhada taça. Era o único dos principais clubes da Argentina - Boca, River, Racing, Independiente - que não possuía o troféu e, agora, deu fim a essa história.

O San Lorenzo repetiu o feito de Corinthians e Atlético-MG nos últimos dois anos. Foram dois campeões inéditos, equipes que levaram o título quando ninguém acreditava neles. Para quem viu o San Loré na fase de grupos, poucos foram aqueles que diriam que o time com a 15ª melhor campanha entre 16 classificados conquistaria o troféu. E quem diria que o adversário da decisão seria o Nacional (PAR)? Foi única equipe entre os classificados que o Ciclón foi superior.

A campanha do Ciclón na fase de grupos foi terrível. A derrota na estreia para o Botafogo mostrou que não seria fácil o caminho até o título inédito. Mas o San Lorenzo se superou. Contra o mesmo Botafogo, na última rodada da fase de grupos, foi o caçador e não a caça. E caçar brasileiros foi uma das marcas da campanha da equipe na competição. Foi algoz de outros dois: Grêmio e Cruzeiro. E o que falar do Bolívar na semifinal? Foi massacrado. Incríveis 5 a 0 no jogo da ida e o jogo da volta ficou fácil. Na final, o Nacional Querido tentou, marcou bem - e muito -, chegou a pressionar, marcar gol no fim... mas não deu. O San Lorenzo estava predestinado a glória, ao título inédito.

Derrota para o Botafogo na estreia 

O caminho do San Lorenzo até o título da Libertadores não foi fácil. A difícil fase de grupos começou com derrota para o Botafogo em pleno Maracanã, palco que recebeu o país de origem do clube, a Argentina, na final da Copa do Mundo. Mas, quatro meses antes do início da Copa, o estádio recebeu o time do Papa. Assim como a seleção meses depois, nem os poderes divinos de Francisco - e nem o esquema com três volantes - conseguiram segurar o poder do Maracanã e a pressão do Botafogo e o Cuervo acabou derrotado.

O esquema deu certo na começo, o Botafogo não conseguia criar jogadas ofensivas, mas por outro lado, Piatti e Correa não estavam em noite inspirada. Aos poucos o Botafogo ia criando espaços. Edilson, em cobrança de falta aos 15 minutos, teve a primeira oportunidade. O Botafogo entendeu que a maneira de furar a defesa do San Lorenzo era chutar de longe. Jorge Wagner arriscou de longe, Torrico deu rebote e Tanque Ferreyra, compatriota do Papa, completou para o fundo das redes e colocou os brasileiros em vantagem.

Após o término dos primeiros 45 minutos, o San Lorenzo voltou para a etapa final e continuou no esquema retrancado e arriscando no contra-ataque. Mas, aos sete minutos, Wallyson soltou um pombo sem asa e ampliou para o Botafogo no Maracanã. A partir daí, o Ciclón se abriu, foi para cima, mas não arrumou nada, e terminou derrotado em seu primeiro jogo na trajetória que terminara com um título inédito.

Vitória sobre o Independiente Del Valle no retorno à casa 

O San Lorenzo estava de volta ao Nuevo Gasómetro. Era um dia de festa para os torcedores do Ciclón e a equipe não decepcionou e conquistou seus três primeiros pontos na Libertadores, recuperando-se do revés na primeira rodada.

A vítima foi o Independiente Del Valle. O único gol da partida foi marcado por Ángel Correa, após cruzamento de Villalba. A vitória pelo placar mínimo foi o suficiente para colocar a equipe na vice-liderança do grupo.

Unión Española complica a vida dos argentinos 

A Unión Española era o adversário dos próximos dois jogos do San Lorenzo. O primeiro deles aconteceu na Argentina. Era uma partida importante para somar mais três pontos e crescer na competição, mas dentro do Nuevo Gasómetro a equipe foi surpreendida no final do jogo.

O San Lorenzo saiu na frente com Mauro Matos, que finalizou sem chances para o goleiro Sanchez. Mas, aos 37 minutos do segundo tempo, o Unión aproveitou a falha da defesa argentina para empatar. Faravelli cruzou para Jaime, que mandou para o meio da área. Canales se jogou na bola e igualou o marcador.

Após ceder o empate no fim do jogo no Nuevo Gasómetro, o San Lorenzo foi visitar o Unión Española no Chile. E o Ciclón tropeçou novamente nos chilenos. Canales outra vez foi algoz dos argentinos e marcou o gol do triunfo dos donos da casa. O San Lorenzo se complicava no grupo e precisava vencer seus próximos jogos.

Independiente Del Valle deixa a classificação para a rodada final 

O jogo no Nuevo Gasómetro contra o Del Valle não foi fácil, mas o Ciclón ganhou uma partida polêmica. Desta vez, a equipe se encontrava em situação complicada na tabela, precisava vencer e o jogo prometia fortes emoções.

O San Lorenzo marcou com Blandi aos 13 minutos da etapa final. O jogo se aproximava do fim, os jogadores já comemoravam a vitória e se sentiam aliviados por conseguir o triunfo fora de casa e estavam perto de uma classificação para as oitavas de final, mas o árbitro Carlos Amarilla marcou pênalti no último minuto para o Independiente Del Valle. Sornoza cobrou e converteu, empatando o jogo, que terminaria empatado. O lance gerou polêmica, os jogadores do Ciclón foram reclamar e a polícia local precisou intervir. O San Lorenzo precisava vencer o Botafogo na última rodada e se classificar como uma das piores campanhas da fase de grupos.

Classificação e primeira vítima brasileira 

O San Lorenzo pode ser o time do Papa, mas não teve piedade nenhuma do Botafogo. Precisando vencer, foi para cima. Depois de muito pressionar desde o começo do jogo, o Ciclón abriu o placar aos 29 minutos da etapa inicial. Villalba roubou a bola de Jorge Wagner, avançou livre e arriscou de fora da área; a bola desviou em Julio César e enganou o goleiro Jefferson.

O Botafogo voltou para o segundo tempo buscando o empate, que era o suficiente para se classificar e deixar pelo caminho o futuro campeão. Adiantou a marcação e pressionou o San Lorenzo, mas não criou jogadas de perigo. Ao fazer isso, abriu espaços e, na falha de Airton, viu Piatti, da entrada da área, chutar no canto esquerdo para ampliar o placar.

Precisando de um saldo de gols maior, o San Lorenzo continuou indo para cima do Botafogo, criou boas chances, mas perdeu quase todas. Exceto quando Piatti apareceu sozinho de frente para Jefferson para marcar o terceiro gol aos 44 minutos da etapa final. O Botafogo era o terceiro time brasileiro a dar adeus à competição, e o San Lorenzo avançava como o 15ª melhor campanha de 16 classificados, na frente apenas do Nacional-PAR, futuro adversário da final.

Emoção marca o confronto contra o Grêmio

Depois de eliminar o Botafogo, o San Lorenzo tinha pela frente outro brasileiro: o Grêmio. Dentro do Nuevo Gasómetro, o Ciclón venceu e acabou com a invencibilidade dos gaúchos na competição.

Desde o início, o San Lorenzo se impôs e foi para cima, mas com o andar do jogo viu o Grêmio equilibrar a partida e crescer. A etapa inicial terminou sem gols e com o Tricolor Gaúcho em melhor momento na partida. Mas foi o San Lorenzo quem abriu o placar aos seis minutos. Valdés, Correa e Matos fizeram boa troca de passes e o último finalizou com força para o fundo das redes.

O Grêmio cresceu mais ainda após o gol, Enderson Moreira alterou a equipe, mas nada conseguiu. A noite era dos argentinos, que iriam com vantagem de 1 a 0 para o Brasil.

No jogo de volta, na Arena do Grêmio, o San Lorenzo tinha a vantagem de um gol, mas o Grêmio buscou o resultado a todo custo. Com mais posse de bola, a equipe tentava o gol que levaria a decisão para os pênaltis, mas a primeira etapa terminou sem gols.

Na etapa final, Barcos chegou a marcar, mas o juiz anulou. Para alívio de todos os gremistas, aos 38 minutos, o Grêmio conseguiu abrir o placar com Dudu, após cruzamento de Rodriguinho. O jogo terminou com a vitória gremista e o resultado levou a decisão para os pênaltis. Se o Papa ajudou ou não o seu time do coração, ninguém sabe, mas Torrico defendeu as cobranças de Barcos e Maxi Rodriguez, dois compatriotas, viu seus companheiros  converterem 100% das cobranças e comemorou a classificação às quartas-de-final.

Cruzeiro fica pelo caminho e rótulo de algoz de brasileiros se confirma

Algoz de brasileiros, o San Lorenzo ,que já havia eliminado Botafogo e Grêmio, tinha pela frente o Cruzeiro, melhor time do Brasil na atualidade. O Cuervo tomou a iniciativa e dominou todo o primeiro tempo, usando bem as laterais, principalmente a direita com Villalba e Buffarini. O Cruzeiro era uma equipe diferente do que os brasileiros estão acostumados a ver, estavam acuados e deram sorte em ir para o intervalo sem sofrer gols.

Na segunda etapa, após cobrança de falta de Ortigoza, o zagueiro Gentiletti abriu o placar na marca dos 20 minutos. Depois de muito tentar, o San Lorenzo conseguiu o gol que precisava e manteve o resultado até o fim, conseguindo uma boa vantagem para a volta no Mineirão, vencendo por 1 a 0.

Em Belo Horizonte, os azulgranas fizeram outro brasileiro de vítima. O Cruzeiro, atual campeão brasileiro, não aguentou e levou a pior no fim das contas. Por alguns minutos, a Raposa aproveitou o apoio da torcida no Mineirão e se lançou ao ataque, mas, aos nove minutos, Villalba aproveitou a falha da defesa e cruzou, Dedé furou, Piatti recebeu de Matos e driblou Ceará antes de finalizar para o fundo do gol e abrir o placar.

A situação do Cruzeiro não era boa, a equipe e a arquibancada sentiram o gol, o silêncio tomava conta e o San Lorenzo terminou o primeiro tempo botando pressão e melhor no jogo. Na segunda etapa, o Cruzeiro se arriscou mais, mas Torrico começou a aparecer no jogo. Pelo alto, os mineiros acharam o caminho e, aos 25 minutos, após cruzamento para área, Bruno Rodrigo subiu mais alto que todos e empatou o jogo. Mas ficou nisso e o San Lorenzo garantiu a vaga nas semifinais.

Goleada na semifinal e vaga garantida na final

O San Lorenzo estava na semifinal, próximo de realizar um sonho antigo: conquistar o título da Libertadores. Buscando fazer o que Corinthians e Atlético-MG fizeram nos últimos dois anos, o Ciclón entrou em campo para enfrentar o Bolívar, que fazia história em se tornar o primeiro time boliviano a chegar na semifinal da competição. E o time do Papa não teve piedade do adversário: goleou por 5 a 0.

O primeiro gol saiu com seis minutos, dos pés de Mauro Matos. Aos 28, Emanuel Más ampliou. Na segunda etapa, Mercier fez o terceiro gol aos 25 minutos e, quatro minutos depois, Buffarini anotou seu nome e mais um gol para o San Lorenzo. Ainda deu tempo de Emanuel Más marcar mais um, aos 42 minutos. para fechar o placar em 5 a 0. O Ciclón estava com os pés na final da Libertadores e só restavam 90 minutos para se defender com uma vantagem enorme em mãos.

Na volta, o Bolívar ganhou com um gol no fim, mas não foi o suficiente para tirar o San Lorenzo da final da Libertadores. Após o 5 a 0 no jogo de ida no Nuevo Gasómetro, o Ciclón foi se defender diante do Bolívar na altitude. E deu certo. 

Nos primeiros minutos o Bolívar chegou a acertar a trave do goleiro Torrico e a pressão inicial assustou o San Lorenzo, mas a vantagem dos argentinos era enorme. Foram muitas chances perdidas durante o jogo e, precisando de cinco gols para levar para os pênaltis, cada chance perdida era tempo perdido. O gol só saiu nos últimos minutos de jogo com o zagueiro Yacerotte. O San Lorenzo estava na final da Libertadores.

Empate no primeiro jogo e decisão em aberto

Muita festa nas arquibancadas. O lendário estádio do Defensores Del Chaco estava fervendo. Era clima de final de Libertadores. O início do trajeto de um título inédito. O primeiro tempo foi completamente dominado pelo San Lorenzo. Com posse de bola, o Ciclón ficava com a pelota no meio de campo e chegava bem pelos lados. Apesar de ter marcado muito, o Nacional, quando chegou ao gol adversário, levou perigo. No entanto, nos primeiros 45 minutos, o gol não saiu. 

Já na etapa final a partida caiu bastante de produção, mas os gols apareceram. Os visitantes continuaram com o domínio e Matos, de perna direita, abriu o placar. A torcida do San Lorenzo cantava como se já estivesse com a mão no título. Porém, ainda tinha pela frente os acréscimos. E foi nele que Santa Cruz, no último lance, após bola levantada, colocou a pelota para dentro do gol de Torrico, fazendo explodir o Defensores e deixando o título ainda em aberto.

Ortigoza faz o Nuevo Gasómetro explodir em festa

Na segunda partida, o estádio estava completamente tomado por torcedores do San Lorenzo, que faziam uma imensa festa e procuravam empurrar a equipe em busca do título inédito. A pressão das arquibancadas, no entanto, jogou contra os donos da casa, que começaram a decisão muito nervosos, errando jogadas bobas e vendo o Nacional dominar os primeiros 30 minutos, inclusive carimbando a trave de Torrico no primeiro lance de ataque. 

Tudo parecia pender ao lado paraguaio até os 32 minutos quando Cauteruccio aproveitou sobra de bola após uma confusão no escanteio cobrado pela direita, tentou finalizar para o gol e Coronel cortou com os braços. Na cobrança da penalidade, o volante Ortigoza bateu com muita categoria e anotou o único gol da partida. No segundo tempo, o Nacional começou a se perder no seu nervosismo e o San Lorenzo passou a fazer o relógio correr até o apito final do brasileiro Sandro Meira Ricci confirmando o primeiro título azulgrana da Copa Libertadores da América. 

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