Sempre polêmico, Raymond Domenech ataca nomes como Mourinho e Ribéry em novo livro

O francês Raymond Domenech, de 62 anos, voltou à berlinda. Nesta semana, o ex-treinador da seleção francesa lançou seu novo livro, intitulado "Mon dico passione du foot" ("Meu dicionário apaixonado por futebol", em português), no qual conta as experiências adquiridas no mundo do futebol. Como era de se esperar, a publicação é recheada de polêmicas. Nela, Domenech dá pitacos sobre os mais diversos nomes do esporte e, também, não perde a oportunidade de fazer acusações.

Dois anos antes, na obra "Tout seul" ("Tudo sozinho", em português), o gaulês manteve a linha, apontando o meia Franck Ribéry e o atacante Nicolas Anelka como culpados pelo fracasso dos Bleus no Mundial de 2010, na África do Sul - o selecionado francês foi eliminado na primeira fase, tendo somado apenas um ponto no Grupo A da Copa do Mundo.

Um dos alvos é José Mourinho (51), atual técnico do Chelsea. O vice-campeão mundial de 2006 menospreza o português, dizendo que o Special One não passa de um tradutor. "É esse o problema dos tradutores (referindo-se ao início da carreira de Mourinho, quando trabalhou junto com Bobby Robson), chega um momento em que eles se convencem de que eles mesmos sabem escrever o texto", afirmou.

Domenech volta a falar de Ribéry, chamando-o de mau caráter e acusando-o de estar obcecado pela Bola de Ouro, fato que, segundo o ex-selecionador, está acabando aos poucos com a carreira do meia. "Fez os Bleus suportarem a sua infelicidade, seu mau caratismo e até mesmo a sua estupidez na África do Sul. Depois disso, o senhor ganhou cabeça porque desejava ser Bola de Ouro", relatou.

Anelka, que chamou o treinador de "filho da p..." ao ser substituído durante o primeiro jogo da Copa do Mundo de 2010, contra o Uruguai, também voltou a ser detonado. Ele é comparado a um personagem do filme "O médico e monstro".

Nem o ex-meia-atacante Zinedine Zidane, ídolo do futebol do país e atual técnico do Real Madrid Castilla, foi poupado das críticas. Na final do Mundial de 2006, na Alemanha, Zizou foi expulso após dar uma cabeçada no zagueiro italiano Marco Materazzi, que teria insultado a irmã do francês pouco antes. "Sacrificou as possibilidades da França por causa do seu orgulho", escreveu Domenech.

Em contrapartida, o atacante Thierry Henry, herói da classificação para a Copa de 2010, foi elogiado. Àquela altura, contra a Irlanda, o jogador ajeitou a bola com a mão e deu a assistência para o gol de Gallas, o qual colocou a França no Mundial. A partida, disputada no Stade de France, era válida pela repescagem e estava na prorrogação. "Sacrificou a sua imagem em prol da seleção da França", defendeu.

As críticas aos jogadores não se limitam aos franceses. David Luiz, zagueiro brasileiro contratado pelo PSG junto ao Chelsea, também é alfinetado. "Transpira tudo, menos segurança", comentou.

Domenech, que não exerce a função de técnico desde 2010, ainda lembrou Zahia Dehar, a antiga prostituta a qual teria se envolvido com Benzema e Ribéry quando ainda era menor de idade. "Tornou-se famosa e rica. (...) Ela foi a única a ganhar qualquer coisa com esta história desagradável. Todos os outros perderam", disse. Recentemente, Zahia chamou a atenção por ter aparecido ao lado do primeiro-ministro francês Manuel Valls na inauguração de uma exposição.

Tanto em sua carreira de jogador quanto na ocupação de treinador, Raymond Domenech sempre se envolveu em polêmicas. Para se ter ideia, o ex-lateral-esquerdo, quando jogava no Lyon, assumiu a culpa do zagueiro Jean Baeza, um colega de equipe, por uma entrada criminosa que encerrou a carreira do austríaco Helmut Metzler, do Nice. Àquela época, Domenech acreditava que era importante estar presente nos noticiários, independente de ser bem ou mal conhecido. Mais tarde, ao se transferir para o Strasbourg, esnobou os torcedores. O defensor também vestiu as camisas de PSG, Bordeaux e Mulhouse.

Enquanto exercia a profissão de técnico da França, a qual comandou de 2004 a 2010, o veterano adotou um critério pouco usual para a convocação de jogadores: o horóscopo. Nomes como o meia Robert Pirès e o atacante Ludovic Giuly foram afastados do selecionado nacional por serem do signo de Escorpião. Para o treinador, fanático por Astrologia, atletas de tal signo poderiam prejudicar o ambiente do seu grupo no Mundial da Alemanha.

Quatro anos depois, na África do Sul, Domenech se recusou a cumprimentar o técnico brasileiro Carlos Alberto Parreira, da seleção anfitriã, após a derrota da França para os africanos, resultado que culminou nas eliminações precoces dos Bleus e dos Bafana Bafana, os quais não conseguiram alcançar Uruguai e México na chave.

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