Torcedor brasileiro do Rayo Vallecano exalta amor ao clube: "Supera todas as barreiras"
Foto: Reprodução/Arquivo pessoal

 O Rayo Vallecano certamente não figura no topo dos clubes mais bem sucedidos da Espanha, e apesar das limitações dentro das quatro linhas, o time de Madrid é admirado pela sua cultura que está no DNA de Vallecas e é praticada em conjunto de sua torcida como o combate ao racismo e fascismo, além do apoio ao movimento LGBT. Longe do velho continente, o carioca Eduardo Baptista de 21 anos, é torcedor do Rayo desde 2014, e em entrevista exclusiva à Vavel, ele abre o jogo sobre sua paixão.

A curiosidade que acerca Eduardo e Rayo Vallecano foi o início dessa relação, há seis anos. Segundo o próprio Edu, a paixão começou após uma derrota na La Liga.

“Comecei a torcer para o clube em 2014, após uma derrota para o Barcelona. O Rayo teve mais posse de bola que o Barça e aquilo me cativou, aí conheci mais do clube, fui ganhando identificação e hoje sou um torcedor do Rayo”.

Natural de Bangu, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, Eduardo também ressalta as dificuldades de acompanhar os madrilenhos, muito pela falta de espaço na mídia, e também pela recente queda à segunda divisão novamente.

“É o amor pelo clube que me mantém torcendo. Geralmente é difícil demais achar links para assistir os jogos da segunda divisão, mas no geral, o amor é o que supera todas as barreiras”.

Apesar de ser o único torcedor brasileiro que declara amor ao clube de Vallecas, o carioca afirma que ainda não teve nenhum contato com o Rayo, apesar de ter bastante engajamento nas redes sociais.

“Não, infelizmente não. Acho que no Brasil não há outro torcedor, mas talvez alguns simpatizantes”.

Seu principal ídolo e referência no clube é Raúl de Tomás, que durante as temporadas 2017/18 e 2018/19 defendeu o clube enquanto esteve emprestado pelo Real Madrid. Raúl marcou 38 gols em 66 jogos, e foi campeão da Liga Adelante, a segunda divisão espanhola em seu primeiro ano. 

Perguntado sobre o sonho de ver seu clube levantando algum troféu de grande expressão, Edu demonstra paciência: “Agora não, mas quem sabe um dia, em um futuro distante”.

O Rayo

De origem na região que foi sede na luta contra a ditadura espanhola, Vallecas, o Rayo é reconhecido no âmbito esportivo e social pelo destaque com causas sociais. Durante 2015/16 o clube lançou uma linha de uniformes produzida pela Kelme, onde um dos uniformes levava a cor rosa, em campanha de prevenção  ao câncer de mama. O terceiro uniforme da mesma temporada homenagearia o movimento LGBT com as cores do símbolo gay na faixa que atravessa a camisa dos jogadores representando um raio, referência ao nome do clube.

Sua torcida, chamada de Bukaneros, também é famosa pela manutenção da identidade que o clube promove. Durante os jogos é comum ver protestos políticos e em oposição ao racismo e fascismo. 
Um dos casos de maior repercussão foi durante a contratação do ucraniano Roman Zozulya, que por ter ligações com neonazistas e proximidade com um partido nacionalista de seu país, foi severamente pressionado pela torcida, e o clube voltou atrás na contratação do atleta.

A ideologia com viés de esquerda gera amizades e inimizades pela Espanha e mundo a fora. Em seu país, os Bukaneros mantém fortes laços de amizade com a torcida Riazor Blues, do Deportivo La Coruña. Por outro lado, os Ultras Sür (Real Madrid), Frente Atleti (Atletico Madrid) e Ultras Boyz (Sporting Gijón) costumam ser suas oposições. Na Alemanha os torcedores do St. Pauli são aliados, e os clubes mantém relações próximas. Os jogos entre as duas equipes se chama “clássico popular” ou “clássico do povo”.

Atualmente o Rayo está na décima primeira colocação da segunda divisão espanhola. Na temporada anterior a equipe havia sido rebaixada como lanterna na primeira divisão, porém um status antigo no clube gera orgulho até os dias atuais, por se tratar do único time espanhol a ter vencido todos os gigantes do país em uma só edição (1977/78).

Curiosidades

O Rayo Vallecano foi o primeiro clube a ter uma Presidente. Em 1994 Teresa Rivero foi eleita sucedendo seu marido,  José Maria Ruiz-Mateos, e foi fundamental na expansão do futebol feminino do clube, na qual é uma modalidade potencialmente grande até os dias atuais.

Suas cores foram inspiradas no River Plate, que no começo da década de 50 era um clube bastante presente na Europa. Depois de um acordo com o arquirrival Atletico Madrid, que cederia alguns jogadores ao clube, o pedido dos Colchoneros era a adição da cor vermelha, para diferenciar o Rayo do outro rival, o Real Madrid.

Apesar de rivais, até os dias atuais Atletico e Rayo possuem boas relações. Diego Costa, Saúl, Léo Baptistao e outros jogadores do vizinho madrilenho já estiveram vestindo as cores do Rayo Vallecano em empréstimos.

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