Cruzeiro 2013: um trabalho sério que deu resultado
(Arte: Marcello Neves/Vavelcom)

Satisfatório. Desta forma pode ser resumido o ano do Cruzeiro Esporte Clube em 2013. Depois de dois anos terríveis para a história do clube, a volta do Mineirão foi vital para que a Raposa mirasse objetivos mais altos. Nesta retrospectiva, a VAVEL Brasil comenta em detalhes o ano do time celeste.

Planejamento ousado

Após um 2012 terrível, sem nenhuma conquista e uma campanha desprezível no Brasileirão, a torcida cruzeirense cobrava melhores resultados da diretoria com urgência. O diretor de futebol Alexandre Mattos e o presidente Gilvan Tavares ainda não estavam no gosto da torcida e precisavam dar uma resposta. Com um elenco fraco e sem treinador, o Cruzeiro começava 2013 da estaca zero. Quando o promissor Marcelo Oliveira foi apresentado, houve uma 'chuva' de protestos da torcida, acusando que o treinador não condizia com o tamanho do clube. Mas na verdade, muitos se incomodavam com a história que Marcelo tem no rival Atlético Mineiro.

Passada a desconfiança inicial, chegaram os reforços. Diferentemente de outros anos, o Cruzeiro contratava bem. Uma mescla de juventude, experiência e, sobretudo, talento. Jovens promessas como Ricardo Goulart, Everton Ribeiro e Lucca, se juntaram a Nilton e Dagoberto para o decorrer da temporada. Ainda nos meados de junho, veio a contratação de mais impacto em 2013. Desejado por muitos, Dedé escolheu o Cruzeiro e isso foi o divisor de águas da Raposa no ano. Mostrava que tinha o objetivo de brigar pelo topo. A proposta era bastante interessante, bastava esperar para ver os resultados.

Fortalecimento no estadual e queda inesperada na Copa do Brasil

Com um elenco totalmente reformulado, parecia que pela primeira vez o Campeonato Mineiro seria de utilidade para o Cruzeiro. Buscar o esquema tático e entrosamento ideal para a disputa do que realmente importava, que era a busca do penta na Copa do Brasil e, quem sabe, do tri no Brasileirão.

Logo na primeira rodada, aconteceu o clássico que reabriu o Mineirão. Raposa e Galo fizeram uma grande partida, e mesmo enfrentando um time já entrosado, o Cruzeiro se superou e venceu o primeiro jogo da temporada. Destaque para Dagoberto, que em sua primeira aparição não precisou de mais de quatro minutos em campo para marcar. No restante da primeira fase, o time celeste seguiu imbatível, mesmo levando tudo em marcha lenta. Algumas atuações não impolgavam o torcedor, mas foi o suficiente para chegar a final de forma invicta. Na decisão, o reecontro com o Atlético-MG, desta vez no Independência. Somente com torcida do Galo, os alvinegros praticamente mataram a final no jogo de ida. Um 3 a 0 sem piedade, dando um choque de realidade na Raposa. Na segunda partida, a equipe de Marcelo Oliveira tirou forças da torcida que foi apoiar e por pouco não conseguiu uma reviravolta. Dagoberto marcou duas vezes, deixando a equipe a um gol do titulo, que não veio.

Na Copa do Brasil, o Cruzeiro começou pegando adversários fáceis, que foram superados sem dificuldades. Atlético Goianiense, que poderia incomodar, foi ao Mineirão e levou uma goleada por 5 a 0, com direito a um golaço do lateral Egídio. Nas oitavas-de-final, finalmente vinha o primeiro grande desafio. Mesmo não estando em boa fase, sempre se deve respeitar o Flamengo. No jogo de ida, no Mineirão, o Cruzeiro impôs um ritmo forte e abriu 2 a 0, com direito a um gol espetacular de Everton Ribeiro. O mais bonito da temporada. Parecia que a Raposa já definiria o confronto, até que Dedé vacilou e praticamente deu a assistência para Carlos Eduardo diminuir e deixar o time carioca com boas chances. Na volta, Marcelo Oliveira recuou demais o time e pagou por isso. Nos últimos minutos, Elias marcou e colocou um ponto final no sonho do penta.

A troca inteligente

Apesar de apresentar um futebol ofensivo e envolvente, uma coisa não estava deixando a torcida satisfeita: Diego Souza, anunciado como principal reforço para a temporada, não chegava nem perto de mostrar em campo o porquê de sua contratação. Muitas vezes omisso e preguiçoso, o meia não conseguiu apresentar aquele futebol do Vasco, que até o levou a Seleção Brasileira. Ricardo Goulart, sempre que vinha do banco de reservas mostrava mais utilidade para o time que Diego. Até que surgiu uma oportunidade.

"Aí eu disse, me dá o Willian de troco" Em julho, com o Campeonato Brasileiro já em andamento, o Metalist da Ucrânia apresentou proposta por Diego Souza. Por seis milhões de euros, o negócio era tentador, já que o meia chegou ao clube sem custos. Mas nesse momento aconteceu a jogada de mestre do Alexandre Mattos. O diretor de futebol sugeriu que o atacante Willian fosse incluido na negociação, por empréstimo. Tudo saiu da melhor maneira possível e Willian se tornou peça imprescindível no esquema de Marcelo Oliveira durante grande período do campeonato, principalmente na ausência de Dagoberto. Com vários gols - decisivos - e sendo um dos jogadores com mais assitências no Brasileirão, Willian caiu rapidamente nas graças da torcida.

A importância das categorias de base

Para muitos, o momento ideal para lançar garotos no elenco profissional é quando a equipe se encontra em um bom momento. No Cruzeiro, essa estratégia deu muito certo em 2013. Depois de dois anos aproveitando poucos nomes e vendendo os destaques, a Raposa deu oportunidade para os jovens da base e obteve resultado. Mayke, Alisson, Elber, Vinicius Araújo e principalmente Lucas Silva, foram bastante importantes no decorrer da temporada e, consequentemente, na conquista do titulo.

Lucas Silva: desde 2012, todos os técnicos que passavam pelo Cruzeiro eram cobradas por torcida e imprensa para a utilização de Lucas. Com Celso Roth, por pouco o garoto não foi queimado, por ser aproveitado em momentos indevidos e fora de posição. Por sorte, Marcelo Oliveira conseguiu tirar tudo de melhor do garoto, que foi uma das revelações da temporada. Contra o Vasco, Lucas Silva teve uma atuação inesquecível, marcando dois belos gols na vitória celeste por 5 a 3.

Vinicius Araújo: outro que era sempre pedido pela torcida. Com faro de gol, Vinicius foi importante na primeira parte do campeonato, quando Borges estava fora por lesão. No entanto, por muitos momentos demonstrou falta de qualidade com a bola nos pés. Para muitos, é do tipo de jogador que só faz gol em jogo fácil, mas dedicação, ele tem de sobra.

Élber, Alisson e Mayke: esses sim surpreenderam a muitos. Élber e Mayke foram de vital importância na conquista, pois sua velocidade sempre ajudaram o Cruzeiro a furar retrancas adversárias no segundo tempo. Contra o Criciúma, jogo mais dramático da conquista, uma assistência para cada um na virada. Mayke ainda teve seu período como titular, na ausência de Ceará. Tudo indica que o garoto deve ser o titular da lateral em 2014. Alisson, que passou alguns meses no Vasco e foi devolvido, não teve a mesma quantidade de oportunidades, mas quando jogou não deixou a dejesar.

A consagração de Fábio

Depois de quase uma década como titular do Cruzeiro, finalmente veio o titulo de expressão que a torcida e Fábio tanto esperaram. Após alguns deslizes, como na Libertadores 2009 e Brasileirão 2010, o torcedor celeste teve o gostinho de ver seu capitão levantar uma taça importante.

Alguns seletos torcedores que não consideravam o jogador um ídolo do clube, ficaram sem argumentos. Mais de 500 jogos com a camisa celeste e agora um título de expressão. E sim, Fábio foi importante na trajetória rumo ao titulo. Defesas marcantes, pênalti defendido e uma atuação inesquecível diante do Grêmio na partida que praticamente selou a conquista mostraram ainda mais o valor do maior merecedor do titulo de 2013.

Titulo antecipado para euforia da torcida

Com o retorno do Mineirão, o Cruzeiro ganhava outra arma para 2013: a torcida. Depois de dois anos tendo que jogar em estádios do interior mineiro, o time celeste desfrutou de um clima de muita harmonia entre clube e torcedor. Com um assustador crescimento de adesões do plano 'Sócio Torcedor', a Raposa já é quinta equipe no Brasil no quesito.

A partir do momento que o Cruzeiro passou a apresentar o melhor futebol do Brasil, Mineirão lotado virou rotina. Recepção ao ônibus, novas músicas e a melhor média de público entre times brasileiros na temporada empurraram o time mineiro para a conquista. Por fim, um mosaico na partida diante do Bahia para fechar a temporada com chave de ouro. Nem a derrota tirou a felicidade da torcida que esperou dez anos para gritar é campeão novamente.

Já pensando em 2014

Com o titulo antecipado, a diretoria cruzeirense já teve tempo para começar a pensar no ano de 2014. Já com uma excelente base para a próxima temporada, a primeira coisa a se fazer foi renovar o contrato do técnico Marcelo Oliveira por mais um ano. Bruno Rodrigo, que conquistou a confiança da torcida, também tem seu contrato se encerrando e assinou um novo vínculo.

Como dispensas, até agora foram anunciadas as saídas de Leandro Guerreiro e Paulão. Outros jogadores também devem deixar o clube, como por exemplo o lateral esquerdo Everton, o zagueiro Victorino e o meia atacante Lucca, que pertence ao Criciúma. Anselmo Ramon, no clube desde 2011, também tem seu nome especulado em outros times, como o Vasco, mas nada confirmado oficialmente.

Já na parte de contratações, certamente o time celeste não deve atacar como no principio do ano, quando contratou 15 jogadores. Já com uma estrutura, reforços pontuais devem chegar ao clube cinco estrelas. Até agora, três jogadores já foram confirmados oficialmente: Samudio, lateral esquerdo do Libertad chega por empréstimo de uma temporada; Marlone, revelação vascaína chega junto com Rodrigo Souza, volante ex-Boa, para compor elenco. Marcelo Moreno, que já teve uma boa passagem pelo Cruzeiro, está muito perto de ser a quarta contratação.

Melhor jogo: Cruzeiro 3 x 0 Botafogo, 22ª rodada

Em meio a muitas boas atuações, uma ficará marcada no coração do torcedor cruzeirense. Tratado por muitos como uma final antecipada, Cruzeiro e Botafogo mediram forças no Mineirão lotado. Com direito a Seedorf perdendo pênalti e golaço de Nilton, naquele momento todas as atenções da competição se voltavam para o Cruzeiro, que abria sete pontos na liderança.

Pior jogo: Flamengo 1 x 0 Cruzeiro, oitavas-de-final da Copa do Brasil

Com uma equipe já entrosada, contando com a habilidade de Everton Ribeiro, o Cruzeiro entrou como favorito no duelo contra o Flamengo na Copa do Brasil. Depois de vencer em casa por 2 a 1, o time mineiro foi ao Maracanã para jogar pelo empate. E tentou de todas as maneiras segurar esse empate, de forma até que mudou o estilo de jogo da equipe, que não sabia jogar na defesa. Foram castigados com um gol de Elias nos minutos finais e eliminação para o Fla - que viria a ser campeão.

Os melhores de 2013

Contratado com status de coadjuvante de Diego Souza, Everton Ribeiro fez a torcida não sentir nenhuma saudade de Montillo. Além de um repertório imenso de dribles, o jogador conta com uma criatividade fora do normal, encantando a torcida celeste com gols de placa. Everton também se destaca por ser garçom. Foi o jogador que mais deu assistências no Brasileirão, superando nomes com Seedorf e Alex. Contra o Flamengo, ele anotou o gol mais bonito de sua carreira, após chapelar um defensor e finalizar de primeira no ângulo.

Chegou com fama de volante brigador e logo conquistou a torcida celeste. Com bastante raça, Nilton foi o ícone de ligação entre time e torcida na temporada. Autor de um dos gols mais emblemáticos da temporada, diante do Botafogo, o atleta passou por cima das desconfianças e fez uma temporada impecável, mesmo atuando como primeiro volante, que não é sua especialidade.

Maior contratação da história do Cruzeiro. Com essa responsabilidade Dedé chegava ao time mineiro tendo como missão arrumar de vez o sistema defensivo. E, apesar de passar por algumas adversidades técnicas e familiares, o jogador conseguiu completar o objetivo e já é praticamente um ídolo pra torcida celeste. Criticado por muitos, Dedé viu na torcida seu principal apoio e motivo para continuar e no fim teve sua recompensa, com o titulo de campeão e prêmio de melhor zagueiro do campeonato.

Os piores de 2013

Desprezível. Assim se pode definir as partidas de Léo em 2013. Reserva imediato de Bruno Rodrigo ou Dedé, o jogador cansou de receber chances mas sempre apresentava as mesmas deficiências técnicas. Lentidão na marcação por baixo e imprecisão nos cruzamentos para a área são as mais vísiveis. Cruzeiro deve contratar um zagueiro mais confiável para ser suplente de Dedé e Bruno.

Sobre Leandro Guerreiro não tem muito o que dizer. Fez história no clube sendo importante na luta contra o rebaixamento em 2011 e por isso tem o respeito da maioria dos cruzeirenses. Mas, agora em 2013, não dá mais, tanto que já foi anunciada sua saída. Um primeiro volante que tem que fazer a cobertura dos laterais não pode ser lento, e Guerreiro sofre com isso, além do passe sem qualidade. Para muitos, falhou no gol que eliminou a Raposa da Copa do Brasil.

Análise final

Um ano fantástico que muitos torcedores não esperavam. Para a maioria, o time estava sendo formado para brigar pelo topo em 2014, mas o titulo já veio em 2013. Com muitos méritos para a direção, que montou um elenco forte e uma comissão técnica competente. No próximo ano tem Libertadores, que é sonho de consumo de qualquer torcedor. Seguindo com seriedade e fazendo as escolhas certas, tem tudo para ser mais um ano que entre para a história do Cruzeiro.

(Fotos: Vipcomm, Lance!, Foto Arena, Montagem/Igor Junio, Gazeta Press, Reprodução, Divulgação Cruzeiro)

VAVEL Logo