Cinco motivos para acreditar no Palmeiras de 2015
Torcida viu um bom início de ano do time (foto: Palmeiras/divulgação)

O Palmeiras terminou como o vice-campeão paulista de 2015. É fato que o time não conquistou a competição, mas a frase pode ser reinterpretada.

O Palmeiras disputou o campeonato paulista e não só participou. O Palmeiras voltou à decisão do torneio após 7 anos. O Palmeiras venceu os maiores rivais em jogos decisivos. O Palmeiras afastou a crise. E são esses motivos que não deixarão o palmeirense desesperançoso para o restante da temporada.

Entenda porque o time de Oswaldo de Oliveira pode comemorar o ínicio de ano, mesmo sem levantar a taça.

1. Allianz Parque

Já no final da - ruim - temporada de 2014, o Palmeiras se despedia do estádio do Pacaembu e inaugurava sua nova casa, a arena multiuso feita em parceria com a WTorre. Mesmo com resultados amargos nos únicos dois jogos no estádio na temporada passada, o Palmeiras espantou o rebaixamento e deu fim ao triste ano de seu centenário. Com a virada de ano, o time fez do Allianz Parque sua nova arma, como era esperado; tudo apontava para o sucesso do novo palestra.

Renovado, o time viu a torcida comparecer em peso mesmo em jogos aparentemente sem importância, e teve a melhor média de público do campeonato, sem contar o maior faturamento com bilheterias na história da competição estadual. O time vem de oito vitórias seguidas dentro de seus domínios, com trinfos contra São Paulo e Santos.

2. Mudança na diretoria e equipe ténica

A função do ex-ténico Dorival Júnior era manter o frágil Palmeiras na primeira divisão. Mesmo com o objetivo alcançado, a razão da permanência se deu muito mais pelo desmérito dos "concorrentes" à vaga no Z4 do que, necessariamente, pela superação alviverde.

Com sequências lamentáveis ao longo da competição, o trabalho antigo treinador não agradava e sua saída viria, seguramente, após o fim do Campeonato Brasileiro.

Um dia após empatar em casa com o Atlético-PR e se livrar do rebaixamento, o clube demitiu o diretor executivo José Carlos Brunoro, o gerente de futebol Omar Feitosa e, como era esperado, o técnico Dorival Júnior. O pensamento já estava na temporada seguinte.

No mês seguinte, nos primeiros dias do novo ano, o Palmeiras anunciou a vinda de Alexandre Mattos, diretor de futebol multicampeão pelo Cruzeiro. Com ele, veio a contratação do técnico Oswaldo de Oliveira. Caras novas e vitoriosas em um time em formação.

3. Reformulação do elenco

Mais de 20 jogadores foram contratatos na temporada

O time palmeirense no centenário era muito aquém à grandeza do clube e à importância do ano. Com jogadores de alto custo e muito fracos técnicamente, os técnicos que passaram pelo comando do time sofreram nas escalações. A única esperança do time era o meia Valdívia.

O velho conhecido, que está no clube desde 2006, era um dos poucos que fazia o time jogar, conseguindo desequilibrar em jogos importantes. Sem o jogador, o aproveitamento beirava os 30%. A carência por jogadores de nível era evidente.

Com a chegada do diretor de futebol Alexandre Mattos, a reformulação do elenco veio. E com cara de "limpa". Com algumas exceções - Valdívia, Fernando Prass, jogadores da base e dos argentinos contratados por Gareca - o Palmeiras de desfez da maioria do elenco de 2014. E as contratações vieram: mais de vinte vieram às ordens de Mattos.

Muitos dos nomes eram pontuais: Zé Roberto e Egidio, eleitos como melhores na posição no último campeonato brasileiro vieram para a lateral esquerda. Arouca, eficiente, faria dupla com o volante Gabriel (melhor marcador da última competição). No ataque, Dudu veio como a grande contratação, depois de fortes especulações dos rivais. Cleiton Xavier e Robinho deram qualidade ao setor de criação, que ainda não contava com Valdívia.

Mesmo sem ainda entrar em campo, o time já tinha nomes de melhor qualidade técnica

4. Patrocínios e o sócio torcedor AVANTI

Crefisa escolheu o Palmeiras pelo projeto apresentado

De um time sem patrocínio master à camisa mais valiosa do país. Assim cresceu o Palmeiras de uma temporada à outra. A parceria com a Crefisa foi o primeiro passo para as contas começaram a fechar no azul. A empresa de crédito fechou um contrato que renderá 23 milhões de reais anuais aos cofres verdes. O master era um problema no centenário. Muito cobrado, o Presidente Paulo Nobre, ainda no primeiro mandato, revelava sério problemas finaceiros no clube.

A união com a Crefisa não foi o único bom negócio do ano. As empresas Prevent Senior e a FAM (Faculdade das Américas) também fecharam com o clube, dando à camisa palmeirense status milionário. A boa gestão começava a mostrar que seria o diferencial do Palmeiras.

O atual parceria com a FAM também foi estratégica. Os cursos da faculdade, com exceção da carreira de medicina, oferecerão 25% de desconto para os alunos que fizerem parte do programa de sócio torcedor Avanti. A jogada de marketing não só será boa às duas partes como fará com que o número de sócios torcedores aumente, mesmo com torcedores de outros times que necessitem do desconto nos cursos de graduação.

O programa de sócios do Palmerias merece uma descrição à parte. O faturamento com o Avanti foi tão alto, que os dirigetes do clube já o chamam de "segundo master", em função da dimensão e das perspectivas de lucro. O time já é o segundo no ranking nacional de sócios torcedores, atrás, apenas, do Internacional. Em compensação, foi divulgada uma nova lista, que aponta o Palmeiras como o clube com mais membros adimplentes (com os pagamentos em dia), mostrando que, em linhas gerais, o programa palmeirense já é o maior do país.

O crescimento do Avanti também foi meteórico: foram mais de 50 mil novas adesões no ano de 2015, e a conta não para. Em função do rápido crescimento, espera-se que o Palmeira ultrapasse o Internacional ainda no primeiro semestre. A torcida tem participação direta no sucesso do time e vem fazendo sua parte até agora.

5. Bons resultados em jogos decisivos

Os bastidores do novo Palmeiras foram mais do que favoráveis. Faltava consumar tudo dentro de campo. A equipe começou oscilando, sem ter uma escalação definida.

Após bom primeiro tempo contra o Audax na abertura do campeonato paulista, o Palmeiras pecou no entrosamento e acabou sendo derrotado em casa por Ponte Preta e Corinthians. Após a derrota no clássico, a desconfiança veio e o time ainda não dava cara de que estaria pronto para chegar forte às finais da competição. A torcida, mesmo assim, lotava o estádio e acreditava no progresso da equipe.

Depois da derrota no derby, o Palmeiras alcançaria uma sequência positiva de oito vitórias na nova casa. Contra o São Paulo, o time fez uma das melhores atuações em muitos anos, dando poucas chances aos rivais e goleando por 3 a 0, com um placar que poderia ter sido ainda mais elástico.

A oscilação do time continou, mas de uma forma positiva. O elenco tinha alternativas e várias peças foram testadas nos jogos mais simples do campeonato. Nomes que antes estavam entre os 11 titulares acabaram saindo o Palmeiras começou a ganhar forma. O teste viria nos mata-matas.

Depois de ganhar do Botafogo-SP, o Palmeiras teria a missão improvável de eliminar o Corinthians em Itaquera, onde o alvinegro não perdia há 30 jogos. E a classificação. Em um grade jogo das duas equipes, a decisão fico para as penalidades e o time visitante saiu como finalista. Mais do que só a classificação, o time de Oswaldo começava a se mostrar eficiente nos jogos principais.

Antes de perder a final para o Santos na Vila Belmiro (03) o Palmeiras ainda ganharia do mesmo Santos no primeiro jogo da final, em casa.

O time não saiu campeão. Mas o trabalho feito até o momento não pode ser descartado. Nem o mais otimista dos palmeirenses imaginaria uma melhora tão rápida. A glória do clube, desbotada nas últimas décadas, começa a ganhar cor. E isso deve ser maior que um ou outro pênalti perdido.

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