Atlético-MG x Corinthians - rivalidade cresceu a partir de 1999
(Foto: Alexandre Battibugli/Revista Placar)

Nos últimos 16 anos, Atlético-MG e Corinthians se enfrentaram inúmeras vezes e com jogos que arrancaram gritos, revoltas, aliado a momentos de felicidades e êxtase dos torcedores. No entanto, os dois, lado a lado, sentiram gostos amargos em empreitadas pessoais e que não deram certo. Veja aqui na VAVEL Brasil um pouco desta história.

Final do Brasileiro 1999: Corinthians tricampeão brasileiro

Antes da finalíssima, Corinthians e Atlético-MG deram um aperitivo do que viria nos próximos anos. O Timão jogou algumas partidas no Maracanã e uma delas foi contra o Galo. Quem imaginava uma goleada corintiana, enganou-se. Os atleticanos deram um show de bola, com direito a um gol antológico de Guilherme, que deu um lençol no goleiro Dida e concluiu de cabeça para o gol. No final, 4 a 0 para os alvinegros de Minas Gerais.

A final do Brasileiro de 1999 foi entre a melhor equipe do Brasil, o Corinthians, com melhor campanha, melhor ataque, mais vitórias e menos derrotas. Ou seja, credenciamento para tal era o que não faltava. Contra o Atlético-MG, sem muita apresentação, quase eliminado na primeira fase, mas cheio de garra e vontade de vencer, além de uma dupla de ataque que resolvia: Guilherme e Marques.

No primeiro jogo, 3 a 2 para o Atlético, com três gols de Guilherme, artilheiro do campeonato com 28 gols. O Corinthians fez dois gols que foram decisivos para o certame. Na partida seguinte, sem Marques, o Galo parecia jogar sem uma perna, e ainda reclamando de um pênalti - que aconteceu - do lateral Índio, que colocou mão na bola dentro da área. Luizão balançou a rede duas vezes e o Timão devolveu o placar: 2 a 0. No terceiro e decisivo jogo, emocões não faltaram, o alvinegro mineiro foi melhor, mas parou em Dida e nas chances desperdiçadas. Os paulistas seguraram os atleticanos e conquistaram o terceiro título brasileiro.

Quartas de final do Brasileiro 2002: Corinthians humilha o Galo

Assim como em 1999, ingredientes não faltaram para um grande clássico. O Atlético, do técnico Geninho, tinha feito uma boa primeira fase, mas encontrava na sua defesa um calcanhar de aquiles. Encarava o Corinthians, de Carlos Alberto Parreira, arrumado em suas linhas e com um ataque de respeito: Deivid, Guilherme e Gil.

Guilherme, assim como em 1999, foi um capítulo a parte. Emprestado ao Corinthians, o atacante tinha o passe preso ao Atlético. Naquele semestre, ele se envolveu em um acidente automobilístico que matou duas pessoas. O torcedor atleticano, em birra com o centroavante gritou: Guilherme, otário, assassino, cachaceiro e mercenário.

Era tudo o que ele queria. Sem marcar gols, mas eficiente nos passes, ajudou Gil e Deivid a humilhar o Atlético e sua torcida: 6 a 2, em pleno Mineirão. Na partida de volta, o Timão venceu de novo, 2 a 1, com Guilherme batendo o último prego do caixão atleticano.

Rebaixamento 2005 e 2007: Atlético e Corinthians não viram o dilúvio, mas pisaram no barro

As temporadas de 2005 e 2007 foram manchadas na história de Atlético e Corinthians. Nenhum dos dois tinha passado pela humilhação de ser rebaixado. Mas, com péssimas contratações, administrações contestáveis, que resultaram em derrotas dentro de campo, ambos passaram pelo amargo gosto do descenso.

O Atlético foi o primeiro em 2005. Trocando de treinador como quem troca de camisa, o Galo tinha um bom elenco (na teoria). No entanto, dentro de campo, as jogadas não funcionavam. Foram 21 derrotas em 42 jogos, um turno inteiro. O rebaixamento veio no empate em 0 a 0 contra o Vasco no Mineirão, que arrancou as lágrimas de mais de 50 mil pessoas no estádio, e outras tantas pelo mundo afora, fazendo com que Belo Horizonte tivesse um amargor muito forte nos dias seguintes. Em 2006, o Atlético chegou a ser 14º colocado, mas conquistou o acesso de volta a primeira divisão e o título da Série B.

Dois anos depois, foi a vez do Corinthians que, praticamente, repetiu a receita do Atlético. Treinadores por atacado, foram quatro na temporada inteira, além de problemas extra-campo que refletiram no elenco. O resultado não poderia ser outro. Uma campanha irregular, com 14 derrotas, mas com 14 empates, e por um ponto apenas, o Timão acabou rebaixado. No ano seguinte, refeito das polêmicas, com um bom elenco, uma temporada bem preparada, o alvinegro sobrou na Série B, conquistou o acesso e o título.

Adriano Imperador marca e Corinthians dá um passo decisivo rumo ao penta

Tem coisas no futebol que nem a teoria explica. Um jogador em especial parecia estar predestinado à aquele jogo: Adriano Imperador. E este jogo foi o embate entre Corinthians x Atlético-MG, no Pacaembu, dia 20 de novembro de 2011, com as duas equipes engajadas em objetivos diferentes. O Timão brigava pelo título e o Galo contra o rebaixamento.

Depois de uma primeiro tempo abaixo da crítica, o segundo tempo teve fortes emoções. O Atlético saiu na frente com Leonardo Silva. O Corinthians empatou com Liedson. Eis que Adriano, que entrou aos 21 minutos do segundo tempo, entrou e mudou a história do jogo e do campeonato. Ele recebeu uma bola (a única), saiu da marcação e bateu cruzado para vencer o goleiro Renan Ribeiro.

Aquele gol foi o único marcado pelo Imperador no campeonato e ainda simbolizava a quebra de um jejum de 1 ano e seis meses sem marcar. De quebra, manteve o Corinthians na liderança do Brasileirão com dois pontos a frente do Vasco, margem que se manteve até o final.

Libertadores 2012 e 2013: O grito da independência contra os rivais

Qual era o título Sul-Americano venerado por muitos, conquistados por poucos e quem possuia se gabava até o fim? Copa Libertadores da América. Em Minas Gerais, o Cruzeiro tinha duas. Em São Paulo, Santos e São Paulo tinham três, e o Palmeiras, uma. Atlético-MG e Corinthians ficaram fora desta linha até 2012 e 2013.

Até 2012, o Corinthians havia se recuperado dignamente após o rebaixamento cinco anos antes. Chegou a Libertadores como favorito, apesar dos rivais pesados. Foi eliminando um a um até chegar a decisão contra o sempre temido Boca Juniors-ARG. Após empate em 1 a 1 em La Bombonera, o Timão fez 2 a 0 no Pacaembu e conquistou pela primeira vez o torneio.

No ano seguinte, o Atlético-MG teve sua oportunidade. Mesmo com Ronaldinho Gaúcho, o credenciamento do Galo não era dos maiores, fato este que foi caindo por terra munido pelas boas atuações do time e a fé inabalável de seu torcedor. O Atlético bateu na porta de saída do torneio contra Tijuana-MEX e Newell's Old Boys-ARG, mas chegou a decisão contra o Olímpia-PAR. Perdeu em Assunção por 2 a 0, devolveu o placar no Mineirão, e faturou o título nos pênaltis por 4 a 2.

Copa do Brasil 2014: Com direito a dancinha, o Galo fez o quase impossível ser muito real

A Copa do Brasil de 2014 contava com grandes times e os que disputaram a Libertadores. Nestes encontros, Atlético-MG e Corinthians se viram frente a frente no torneio. Em 1997, ambos se encontraram com classificação corinthiana. O Galo tinha o Timão entalado no pescoço por não conseguir bater o rival em jogos eliminatórios.

No primeiro jogo, o Corinthians foi melhor em campo e venceu por 2 a 0, placar suficientemente plausível para ser segurado no Mineirão. No entanto, a dancinha de Mano Menezes após o segundo gol ficou marcado e os atleticanos se lembraram dela.

Na partida decisiva, o Atletico não temeu o gol inicial de Paolo Guerrero. Conseguiu virar ainda no primeiro tempo com Luan e Guilherme. No segundo tempo, Guilherme, que só não fez chover naquele dia, fez o terceiro, e Edcarlos fez o improvável acontecer, marcando o quarto gol. Ao final da partida, teve dancinha dos jogadores em resposta a Mano. Era para lavar a alma e desenterrar uma mística que durava mais de duas décadas.

Atlético-MG x Corinthians 2015: O que esperar?

Rivalidade é um fator que nunca morre. Fica escrito na história, nos acontecimentos e por ele ganha força para se manter vivo no caminho. Ambos buscam o mesmo objetivo e por ele, a rivalidade ficara em segundo plano, pois a taça de campeão brasileiro tem um valor ainda maior.

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