Relembre: cinco clássicos eternos para o torcedor do Cruzeiro
Foto: Divulgação/Cruzeiro

Quando dizem que a voz do povo é a voz de Deus, ela também enquadra-se no meio do futebol. Há quem diga que temos mais 200 milhões de treinadores de futebol. Quem é mais fanático pela bola, não é só técnico, mas também é preparador físico, massagista, passando por todos os cargos até chegar a presidência do clube do coração.

Para dar um 'esquenta' na rivalidade entre Cruzeiro e Atlético-MG, chamamos o youtuber e jornalista Emerson Araújo, do canal Seis a Um – em alusão ao jogo Cruzeiro 6 a 1 Atlético-MG pelo Brasileirão 2011 –, para listar cinco jogos marcantes entre as duas equipes.

Fala, Emerson! 

Quando me passaram a inglória missão de listar cinco clássicos memoráveis entre Cruzeiro e Atlético-MG, alguns me vieram à cabeça de imediato. Então, a luta foi para pensar em qual critério adotaria na escolha. Optei por falar apenas de jogos em que assisti ao vivo, preferencialmente no estádio. Apesar de saber que estou sendo injusto com Revétria, pelo mágico hat-trick de 1977, com Cleison e companhia, que fizeram a impensável virada no turno final de 1996, e com o antológico gol de falta de Wagner, na semifinal do estadual em 2006, aqui vão os meus 5 jogos escolhidos (talvez eu tenha roubado um pouco e colocado 6, para ser mais fidedigno à história do clássico mineiro).

Cruzeiro 4 x 2 Atlético-MG – Campeonato Mineiro 2003

O ano de 2003 faz sorrir qualquer cruzeirense. Mas poucos se lembram que o Campeonato Mineiro daquele ano não teve final. Foi disputado em turno único, no sistema de pontos corridos, em que o Cruzeiro venceu invicto e por antecipação. No meio do caminho, o clássico, disputado em uma tarde/noite de sábado no Mineirão. O Galo começou bem com gol do zagueiro André Luiz. Mas o Cruzeiro tinha Alex, e o talento azul empatou com um golaço em chute de pé direito, de fora da área, que encobriu Velloso.

Foto: Divulgação/Cruzeiro

O Atlético-MG voltou a frente, gol de Alexandre, já na etapa complementar. Mas aí o Cruzeiro “apelou” e resolveu ganhar. Maurinho cruzou da direita, o zagueiro Neguette tentou cortar e cabeceou no travessão. Alex pegou o rebote e encheu o pé esquerdo, 2 a 2. Instantes depois, a virada para explodir o Mineirão. Alex cruzou da direita e o estreante Deivid, em posição irregular, completou de pé direito. Para fechar com chave de ouro, passe de Deivid, letra de Alex para deixar Marcelo Ramos na cara do gol. O artilheiro, com a calma que sempre lhe foi peculiar, bateu no canto direito e marcou seu último gol em clássicos mineiros, um dos derradeiros com a camisa do Cruzeiro em jogos oficiais.

Cruzeiro 2 x 1 Atlético-MG – Campeonato Mineiro 2013

A rivalidade mineira se reacendeu muito nos últimos anos. Desde o 6 a 1 de 2011 e do crescimento que o Atlético conseguiu, desde então, as partidas têm sido cada vez mais apimentadas. Em 2013, os clubes se encontraram na primeira (na verdade, terceira) rodada do estadual para reabrir o Mineirão, fechado pelas obras da Copa desde 2010. E o clássico teve todos os ingredientes possíveis, com polêmica dentro e fora de campo. Nos atendo apenas ao gramado, o primeiro gol do Novo Mineirão foi marcado contra, por Marcos Rocha, após dividida com Anselmo Ramon. O Galo foi para cima e empatou com Araújo.

Foto: Washington Alves/Cruzeiro

Após bela jogada de AR99, o estreante Dagoberto cabeceou no contrapé de Victor para recolocar o time azul na frente. Mas 2 minutos depois, Leandro Guerreiro foi expulso. E mesmo atrás do marcador, o Atlético-MG não conseguiu dar trabalho ao goleiro Fábio, cabendo ao Cruzeiro as melhores chances para ampliar o marcador. Alisson parou na trave e Nilton saiu 2 vezes na cara de Victor, mas falhou o arremate. Temporada épica para o futebol mineiro, que terminou com títulos da Libertadores e do Brasileirão vindo para as alterosas. Mas neste dia, foi vitória do Cruzeiro por 2 a 1.

Atlético-MG 1 x 3 Cruzeiro – Campeonato Mineiro 2010

O flanelation-tion, o flanelation-tion... O clássico da primeira fase do Mineiro 2010 começou no Brasileirão 2009. O Cruzeiro, mal no torneio nacional e derrotado na final da Libertadores, iniciou uma improvável reação para se classificar à Libertadores do ano seguinte. Já o Galo, brigou pelo título e perdeu rendimento na reta final, ficando fora do grupo de classificação. A troca de papeis rendeu ao alvinegro o apelido de flanelinha, que segurou a vaga celeste na competição continental. Voltando à partida de 2010, a torcida cruzeirense levou flanelas para o Mineirão, para provocar. E o Cruzeiro abriu o placar, aos 22’, quando o zagueiro Gil cabeceou para o gol, o lateral Leandro se atrapalhou no corte e a bola ganhou as redes de Carini. Pouco depois o Galo empataria com o equatoriano Jairo Campos, aproveitando rebote de bola alçada na área.

Foto: Reprodução

No segundo tempo, Roger fez sua estreia pelo time celeste. Com menos de 10 minutos em campo, o então marido de Deborah Secco cobra escanteio na cabeça de Leonardo Silva, então jogador do Cruzeiro, que faz 2 a 1. E no fim, o mesmo Roger dribla um adversário e acerta um chutaço, inapelável para Carini, fazendo o terceiro. Mais memorável que o chute, só a comemoração, em que “roubou” a cabeça do mascote Raposão e foi pra galera. Inesquecível.

Cruzeiro 2 x 0 Atlético-MG – Campeonato Mineiro 2011

O Cruzeiro lambia suas feridas após a traumática eliminação para o Once Caldas na Libertadores. O time de Cuca, apelidado de Barcelona das Américas, teve uma noite infeliz e isso jogou todo o trabalho no ralo. Quatro dias depois, perdeu por 2 a 1 para o rival no primeiro jogo da decisão. Como tinha vantagem, precisava de uma vitória simples para garantir a taça no jogo de volta. Tudo isso na Arena do Jacaré, em Sete Lagoas. Com 100% de cruzeirenses no estádio (cena que se repetiria no 6 a 1, meses depois) o time azul martelou desde o início, mas a bola teimava em não entrar. Os alvinegros tiveram a bola do jogo, quando Magno Alves saiu na cara de Fábio. Mas o atacante tentou driblar, o camisa 1 foi perfeito para fazer a defesa e Victorino completou o corte.

Foto: Washington Alves/Cruzeiro

Instantes depois, veio o gol do alívio. Wallyson recebeu na ponta esquerda, trouxe pra dentro e finalizou no canto direito de Renan Ribeiro, que finalmente aceitou. O gol incendiou a Arena do Jacaré, que parecia já imaginar o desfecho. O Atlético se perdeu e teve Serginho expulso por falta grosseira em Thiago Ribeiro. A cobrança foi de Gilberto, um tirambaço de muito longe que venceu Renan e sacramentou o título cruzeirense. Ainda houve tempo para Gilberto e Roger serem expulsos, um por fazer falta, o outro por atravessar o campo comemorando com a torcida enquanto a bola ainda rolava. Quem nunca?

Cruzeiro 10 x 0 Atlético-MG – Campeonato Mineiro 2008 e 2009

Uni os dois jogos em um item para atingir o cabalístico número seis. É impossível falar de um jogo sem lembrar do outro. Dois anos seguidos na primeira partida da final do Mineiro o Cruzeiro passou o trator no seu rival, nas duas vezes por 5 a 0. Em 2008, parecia ser um jogo fortuito, algo que acontece de tempos em tempos. Ou até a vingança pela final de 2007, quando o Atlético aplicou 4 a 0 no primeiro jogo da decisão.

Foto: Reprodução

Se foi vingança, não sei, mas veio com juros. Marcelo Moreno fez o primeiro, em lance que Leandro Almeida podia cortar para o outro lado, mas chutou em cima do maior artilheiro estrangeiro da história celeste. O segundo foi contra, do zagueiro Marcos, após cruzamento de Jadílson. Ramires fez o terceiro, tocando por cobertura na saída de Juninho. Guilherme anotou o quarto e Wagner o quinto, após bela jogada de Guilherme e Leandro Domingues. No ano seguinte, o repeteco, quase uma continuação. O goleiro atleticano era o mesmo, saudado de forma muito elogiosa pela torcida cruzeirense (Ju-ni-nho... Gol! Gol!).

Foto: Reprodução

O primeiro de 2009 foi com Kléber, após passe de calcanhar de Wagner. Ainda teve a clássica comemoração da galinha, repetindo o gesto histórico de Paulinho McLaren. O segundo e o terceiro foram de Leonardo Silva (sujeito que não merece muitos comentários), após cobranças de escanteio de Wagner, e os dois últimos ficaram a cargo de Jonathan em tabelas que pareciam um time profissional contra um bando de crianças. A verdade é que ninguém parecia acreditar que “o raio tinha caído no mesmo lugar”, mas a verdade é que foi uma era de imensa superioridade do Cruzeiro. Cíclico, como o futebol sempre foi e será, esse momento passou e hoje vemos intenso equilíbrio em todos os confrontos. Entretanto, eu e os demais cruzeirenses não acharíamos nada mau que “estes raios” de goleadas celestes voltassem a atingir as Minas Gerais. 

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