Especial Libertadores-2012: Ralf e o primeiro passo para a glória
Especial Libertadores-2012: Ralf e o primeiro passo para a glória

O Corinthians celebra nesta terça-feira (04) cinco anos da sua maior conquista: a Copa Libertadores da América de 2012. A competição continental, que era tratada como sonho impossível pela crítica e rivais, foi finalmente vencida da melhor forma possível, em caráter invicto.

Mas nem todos os jogos da brilhante trajetória corinthiana foram fáceis. Um grande exemplo de dificuldade foi o duelo contra os venezuelanos do Deportivo Táchira, no primeiro jogo daquela edição.

A volta do Corinthians à competição continental reservava ansiedade em seus torcedores, e até nos adeptos rivais. Tudo isso porque um ano antes, o Timão havia sido eliminado pelo modesto Tolima, da Colômbia, ainda na fase de pré-classificação para a Libertadores. Assim como a torcida, o time em campo também parecia tenso no reencontro com o torneio.

Apesar da fase ser bem diferente do começo do ano de 2011, os jogadores pareciam sentir o peso de estar novamente encarando o fantasma da impossibilidade de vencer este campeonato. A maioria dos personagens corinthianos neste jogo, eram os mesmos do fatídico duelo contra o Tolima, vamos citar alguns. Tite era o comandante, Julio César figurava no gol. Chião, Castán, Ralf, Paulinho, Fábio Santos, Alessandro, Danilo, Jorge Henrique e etc estavam nos dois episódios. Era talvez a possibilidade de redenção.

Logo aos 21 minutos do primeiro tempo veio o golpe. O Tachira abriu o placar com Herrera, após um misto de falha do zagueiro Chicão e do goleiro Julio César. Esse foi apenas um, dos quatros gols que o Corinthians sofreu durante todo o campeonato. Foi o suficiente para a hashtag "#toliminado" ressuscitar no Twitter, um ano após o fato ter acontecido. O jogo foi feio, o Corinthians não teve uma bela atuação, vale admitir. Mas aquela noite não poderia terminar daquela forma, com derrota, logo na estreia, e bem depois do time ter sido campeão brasileiro com afirmação.

O Corinthians buscava, mas nada parecia dar certo. Os torcedores rivais pareciam deslumbrados com a derrota parcial do time do técnico Tite e, a cada defesa do goleiro Rivas, a hashtag ganhava mais sobrevida e bombava nas redes sociais. Para eles parecia o fim de quarta-feira perfeito, mais um vexame do Corinthians na Libertadores. Ainda deu tempo do Deportivo Táchira ampliar o placar, aos 17 minutos do segundo tempo, com gol do atacante Chourio, porém impedido, e bem anulado pela arbitragem.

O roteiro parecia escrito para todo mundo, menos para o torcedor corinthiano, que ainda retinha esperanças em pelo menos empatar a partida. Nada parecia impossível de ser alcançado depois de jogos memoráveis protagonizados por esta mesma equipe no Campeonato Brasileiro do ano anterior. E assim foi feito.

O árbitro assinalou três minutos de acréscimo. Trinta segundos antes do final da partida, falta para o Corinthians na intermediária. Aos 48 minutos exatos, Alex bateu a falta, e como se o tiro tivesse sido dado com a própria mão, colocou a bola na cabeça do volante Ralf, bem posicionado, e com uma cabeçada seca, mandou a bola no ângulo direito do goleiro Rivas.

Explosão no banco de reservas, talvez a maior que vimos até hoje do comedido técnico Tite. O comandante vibrou, como se o jogo fosse em caráter de final de campeonato. Ali talvez, naquele gesto de euforia, com socos no ar, dúvida de quem abraçar antes, e arremesso de um copo de água na sua própria área técnica, evidenciava o que significava aquele jogo, e aquele resultado para o Corinthians, jogadores e treinador. A torcida explodiu diretamente de suas casas, a quantidade de fogos anulou todas as hastags possíveis, e calou quem torcida contra, seja pela internet ou pessoalmente. O filme não se repetiu, e começava ali o fim de mais uma gozação.

Foi o primeiro passo, o grande vestígio místico e técnico de como aquela Libertadores terminaria. Quando não vai bem na técnica, vai na raça. Criou-se uma identidade de não fazer boas atuações, mas chegar ao resultado desejado com brio e disciplina. O Corinthians não perdeu nenhuma partida na competição após esse gol. Após o empate, o grupo que antes demonstrava tensão, criou anticorpos contra as dificuldades, e usou como combustível para buscar a confiança necessária para caminhar rumo ao título. Foi morrendo a cada jogo a sina do impossível. Foi nascendo o fado da conquista.

Gradativamente a equipe evoluiu em todos os aspectos, e bateu de frente com adversários complicados. Emelec, Vasco, Santos e Boca, ninguém superou a dignidade corinthiana de mostrar que a Libertadores era capaz de ser alcançada, e sem nenhuma derrota.

O time contava com um treinador apegado pela fé. A mesma fé que guiava o torcedor. Não podemos esquecer de ressaltar a importância deles, da torcida, que mais uma vez, como uma grande procissão, acompanhou o time em todos os momentos, seja dentro ou fora de casa. O gol de Ralf serviu muito para todos, pró ou contra. Acrescentou uma grande dose de sofrimento para o corinthiano não se desacostumar, e permitiu os últimos 89 minutos de gozação rival.

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