Carreira, opiniões e características: o que esperar de Moisés no Botafogo?
Foto: Vitor Silva/SS Press/Botafogo

A lateral-esquerda é uma das grandes dores de cabeça do Botafogo no ano. Desde a saída de Victor Luis, titular na posição nos últimos dois anos, Gilson, reserva em 2017, não conseguiu assumir a responsabilidade com autoridade e empilhou atuações ruins na temporada. Yuri, sua principal opção na posição, é um jovem que passou a maior parte das categorias da base jogando como meia – ou seja, jogaria “improvisado” no setor defensivo.

Dessa maneira, a contratação de Moisés, que vem de empréstimo junto ao Corinthians até dezembro, foi totalmente necessária. Primeira aquisição desde que Alberto Valentim assumiu o comando técnico da equipe de General Severiano, a VAVEL Brasil preparou um texto falando sobre as principais características e a carreira do novo reforço do alvinegro, que, provavelmente, assumirá a posição na equipe titular pelo restante de 2018.

Trajetória

Começou sua carreira profissional em 2013, pelo Comercial, quando disputou a Copa Paulista daquele ano. No ano seguinte, se transferiu ao Batatais e, com certo destaque em apenas sete partidas, assinaria meses depois com o Madureira, do Rio de Janeiro, seu primeiro clube de destaque, já que o MEC tem significativa representatividade no estado carioca e estava disputando a terceira divisão do Campeonato Brasileiro.

No Tricolor Suburbano, receberia suas primeiras chances apenas no Campeonato Carioca de 2015, quando, ao lado de Rodrigo Lindoso, Thiago Galhardo e Rodrigo Pinho, levariam o Madureira ao título da Taça Rio, um turno que continha apenas os clubes não-classificados para a próxima fase, e a ficar perto de uma vaga nas semi-finais da competição, ficando a apenas um ponto atrás do Fluminense.

(Foto: Miguel Schincariol/Getty Images)
(Foto: Miguel Schincariol/Getty Images)

Com o destaque pelo Tricolor Suburbano, foi contratado pelo Corinthians, mas imediatamente emprestado ao Bragantino, para fazer parte do elenco que disputaria a segunda divisão do Campeonato Brasileiro. Pelo time de Bragança Paulista, foi reserva de Roberto, atualmente na Chapecoense, inicialmente na campanha na Série B. Com o passar do tempo, porém, conquistou a vaga no onze inicial e foi uma das peças que justificaram o crescimento do time na competição, que terminou na sexta posição e chegou a sonhar com uma possível ascensão para a elite do futebol brasileiro. Nessa campanha, Moisés marcou um gol, deu duas assistências e recebeu sete cartões amarelos.

No ano seguinte, Moisés teria, até aqui, o melhor ano de sua carreira. Ainda emprestado pelo Corinthians, só que dessa vez para o Bahia, foi, ao lado de Hernane e Juninho, um dos principais jogadores daquela equipe do Esquadrão de Aço, que garantiu o quarto lugar na segunda divisão e, consequentemente, uma vaga para o primeiro escalão do Campeonato Brasileiro. Apesar de seu desempenho ofensivo ter diminuído, contribuiu com um gol e uma assistência na campanha, o nível disciplinar do atleta melhorou muito, já que ele tomou apenas quatro cartões amarelos – sendo dois na mesma partida.

(Foto: Vitor Silva/SS Press/Botafogo)
(Foto: Vitor Silva/SS Press/Botafogo)

Com o bom desempenho pelo tricolor, a comissão técnica do Corinthians chegou a um consenso de utilizar Moisés no elenco principal do clube. Inicialmente, o lateral-esquerdo chegou a ser utilizado com frequência, jogando algumas partidas do Campeonato Paulista. A incrível ascensão de Guilherme Arana, porém, freou com qualquer tipo de continuidade do atleta. O novo jogador do Botafogo, por sua vez, não conseguiu aproveitar as chances quando Arana, por exemplo, estava suspenso e chegou a ser preterido por Marciel, que jogava improvisado no setor, em algumas ocasiões. No último Brasileirão, disputou apenas quatro partidas e deu uma assistência.

Nesse ano, apesar do Corinthians passar por alguns problemas na lateral-esquerda, já que Juninho Capixaba não conseguiu, até aqui, repetir as mesmas atuações do Bahia, no ano passado, e Guilherme Romão, que ainda é um jovem jogador e não recebeu muitas oportunidades, o clube do Parque São Jorge concordou em emprestar Moisés, o que exemplifica que ele saiu em baixa no clube paulista, que anunciou, recentemente, a contratação de Sidcley para o setor.

Opiniões

Pontos positivos

Lucas Oliveira, dono do Corinthians Scouts: “Imposição física e força defensiva, dificilmente você verá o Moisés levando um drible de mais efeito ou qualquer coisa do tipo, muito menos ser a famosa "avenida". A força física dele ajuda demais nesse quesito. Forte na bola alta defensiva também, para explicar melhor, o Corinthians joga basicamente com uma linha de 6 em seus momentos sem a bola, com os dois pontas fechando os lados do campo como dois laterais, fazendo os laterais entrarem na área e terem muitos momentos em que precisam intervir pelo alto, Moisés é forte no quesito.”

Ulisses Gama, setorista do Bahia no portal Bahia Notícias: “Moisés é um lateral de muita, mas muita força, coisa que o futebol atual exige. Em 2016 ele mostrou isso, tanto no ataque como na defesa. Consegue chegar bem no ataque. Era um dos nomes de confiança de Guto Ferreira na época.”

Diego Luz, coordenador do Corinthians na VAVEL Brasil: “Forte fisicamente, tem interessante descida ofensiva. Consegue fazer boas diagonais e chegar com razoável qualidade no fundo. Começou voando a temporada 17 e passava a impressão de brigar pela titularidade pela consistência”

(Foto: Felipe Oliveira/EC Bahia)
(Foto: Felipe Oliveira/EC Bahia)

Pontos negativos

Lucas Oliveira: “Falta de recurso técnico na fase ofensiva, o que ele tem de importante na defesa, tem de fraco no ataque. Pouca ultrapassagem, poucas jogadas de fundo e principalmente pouco repertório ofensivo. Consegue arrancadas se baseando na imposição física, no popular "ir trombando" e as vezes consegue cavar algo no último terço dessa maneira”

Ulisses Gama: “Algumas tomadas de decisões erradas, principalmente nas jogadas ofensivas. Isso era um mero detalhe no Bahia, mas no Corinthians minou ele.”

Diego Luz: “Defensivamente foi uma tragédia. Lento, sem fechar espaços pelo meio, tempo de reação baixa, tecnicamente sofrível quando atuou como titular, parece sentir a pressão e os erros, qualidade de passe bem baixa”

(Foto: Alexandre Schneider/Getty Images)
(Foto: Alexandre Schneider/Getty Images)

Qual impressão deixou?

Lucas Oliveira: “Impressão de que pode ser útil para uma equipe que necessita de força ofensiva para se manter na elite, por exemplo. Para time grande não serve, a falta de qualidade técnica e principalmente de força ofensiva fazem a torcida pedir a cabeça dele em 3-4 jogos no máximo.”

Ulisses Gama: “Deixou uma impressão boa no Bahia. Jogador dedicado, que abraça a causa da equipe que está. Tanto que foi procurado novamente pelo Bahia esse ano, mas sua pedida salarial foi considerada muito alta.”

Diego Luz: “No começo do ano (de 2017), deixou a impressão de que seria o titular da esquerda, mas logo caiu de uma forma que nunca mais reergueu. No geral, comprometeu na defesa, não foi diferencial ofensivo e se tornou fácil alvo da torcida pela junção de erros e uma lentidão incompatível com a intensidade do Corinthians em 2017”

O que esperar no Botafogo?

O desempenho de Moisés no Corinthians foi, definitivamente, um fracasso. Apesar das boas atuações no Bragantino e no Bahia, o lateral nunca conseguiu reproduzir algo positivo vestindo a camisa da equipe do Parque São Jorge. Nesse ponto, existem dois caminhos: o positivo, já que uma mudança de ares pode ser uma solução para que o atleta volte a encontrar seu futebol – assim como aconteceu nessas outras oportunidades – e o ruim, já que o mesmo pode sentir a pressão de jogar em uma equipe do famigerado ‘G12’ do futebol brasileiro.

A grande qualidade de Moisés é a força física. Bastante forte, consegue utilizar seu corpo para vencer adversários tanto no ataque quanto na defesa. Em suma, isso pode ser útil nos dois setores, já que pode ajudar o atleta a roubar a bola de um jogador de uma equipe rival, ou ajudar o mesmo a vencer um outro lateral em uma disputa por um cruzamento, por exemplo. Nesse ponto, é bem diferente de Gilson, que tem na velocidade o seu principal atributo.

O problema de Moisés são as tomadas de decisões. Por muitas vezes, acaba se afobando e escolhendo a opção errado com um leque de possibilidade positivas bem grande. Se Alberto Valentim conseguir trabalhar com essa parte do jogador, que envolve a calma e a concentração durante uma partida, pode ganhar um grande reforço, já que a tendência é a de que Moisés conquiste a vaga de titular na equipe de General Severiano.

Defensivamente, pode ser importante taticamente, e o jogo contra o Nova Iguaçu, o primeiro de Alberto Valentim no comando do Botafogo, pode provar esse fato: quando atacado, o Alvinegro se defendeu com uma linha composta por cinco homens, sendo que Moisés virou um terceiro-zagueiro e Rodrigo Pimpão como o lateral-esquerdo. Isso é importante pois, além de aumentar a proteção defensiva, pode ser interessante em um contra-ataque, já que Moisés pode aproveitar uma roubada de bola e sair em disparada para o campo adversário. Em resumo, é um jogador bem mais equilibrado e deve ser o novo escolhido para a lateral-esquerda. 

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