Coxa-Branca: você conhece a origem da expressão?

Alcunha surgiu em 1941 como provocação de rivais ao zagueiro da equipe alviverde Hans Breyer; posteriormente a gozação virou motivo de orgulho

Coxa-Branca: você conhece a origem da expressão?
Foto: Divulgação / Coritiba

O Coritiba, que tem origem germânica, utilizava diversos jogadores alemães no início da sua história, inclusive o grande zagueiro Hans Egon Breyer. O alemão, que inicialmente foi apelidado pelos adversários de a 'quinta-coluna', foi contratado em 1939 para jogar como ponta-direita, pois era corredor de atletismo. Porém, no ano seguinte foi deslocado para a defesa, porque além da velocidade, possuía atributos físicos para atuar como zagueiro. 

O jogador alemão que veio ao Brasil em tempos de Segunda Guerra Mundial, jamais imaginaria que sua participação como atleta de futebol desdobraria-se em uma metonímia conhecida por todo o país.

Em um atletiba decisivo pelo Campeonato Paranaense de 1941, o torcedor rubro-negro Jofre Cabral e Silva, que em 1968 tornou-se presidente do Furacão, estava irritado assistindo à sua equipe perder o clássico. Então, da arquibancada, começou a disparar provocações aos jogadores do Coritiba; seu maior alvo foi o zagueiro Breyer. Jofre começou a gritar incessantemente: "Coxa-Branca! Coxa-branca! Coxa-branca!" 

A provocação pegou. Em 1944, o zagueiro alemão, saturado dos insultos feitos pelos adversários, deixou o time do Alto da Glória e passou a não comparecer aos estádios para assistir às partidas do clube.

O mundo da bola dá voltas

A alcunha que surgiu como forma de destabilizar um dos melhores atletas do elenco alviverde da época, posteriormente tornou-se motivo de muito orgulho. O apelido Coxa-Branca foi adotado por toda a torcida e acompanhou-a durante décadas nos estádios; "coxa" foi somente uma abreviação feita pela própria torcida ao decorrer dos anos.

Em 1969, Breyer notou que a torcida do verdão adotou o apelido. Ele sentiu-se honrado com o apoio e passou a aceitá-lo. A partir daí, as provocações rivais acabaram, e o zagueiro voltou a atuar pelo clube.

A dimensão do apelido foi tão colossal que, além de eternizar na história de um grande clube brasileiro, ficou marcada no túmulo do ex-jogador. Os dizeres "O COXA-BRANCA" exemplificam mais uma linda história do futebol.

Foto: Coritiba / Divulgação
Foto: Coritiba / Divulgação