Jayme abre jogo sobre demissão e fala em 'novo Flamengo': "Eu não assino embaixo"

Ex-auxiliar disse em entrevista exclusiva à Band que estão tentando criar um 'novo Flamengo'; Jayme também contou os bastidores envolvendo sua demissão

Jayme abre jogo sobre demissão e fala em 'novo Flamengo': "Eu não assino embaixo"
Foto: Buda Mendes/Getty Images

Demitido desde a eliminação diante do Botafogo, o ex-integrante da comissão técnica do Flamengo concedeu entrevista exclusiva ao programa "Donos da Bola", da Band, e falou sobre sua demissão. Visivelmente descrente da atual gestão, Jayme declarou que há, dentro da diretoria, a ideia de criar um 'novo Flamengo'.

"Nós não esperávamos uma atitude dessa, foi uma surpresa. É um direito do clube trocar quem quer que seja, mas a forma como foi feita não foi legal. A ideia é de fazer um Flamengo novo, e esse Flamengo novo tirou todo mundo que tinha alguma história no clube. Estão querendo reformular o Flamengo que é totalmente diferente do que eu vivi a vida inteira. Eu respeito isso, mas não assino embaixo", disse.

Junto da demissão de Jayme, outras duas peças importantes do departamento de futebol também foram desligadas. Carpegiani, ex-técnico, e Rodrigo Caetano, ex-diretor de futebol, foram comunicados da demissão na mesma hora que o auxiliar.

"O presidente fez uma reunião avisando que o Carpegiani e o Rodrigo Caetano não seriam mais do clube. Quando acabou a reunião, o Fred Luz me chamou, chamou o Mozer, e disse que nós estávamos dispensados. A explicação foi a de que não precisavam mais do meu serviço", revelou Jayme.

O auxiliar ainda falou sobre a cobrança exagerada da torcida em cima de técnicos e dirigentes, tirando a responsabilidade dos jogadores. Para Jayme, apesar do elenco ser 'excelente', como definiu, falta a devida cobrança aos atletas - tanto por parte da torcida como dos altos cargos da diretoria.

"A realidade é que já se passaram quatro anos e o Flamengo não conquistou os títulos esperados, e não adianta botar a culpa só em técnico, diretor de futebol, torcida... Tem que ter a responsabilidade do atleta, não tem jeito. O jogador tem que assumir, não sozinho, mas tem que assumir que não tá dando certo e tentar melhorar. A cobrança nesses atletas tem que ser grande também", comentou.

Jayme era um dos membros da comissão permanente do clube (Foto: Divulgação/Flamengo)

Confira outros trechos da entrevista:

Novo Flamengo

- Isso começou nas categorias de base. Você não vê um profissional na base que tenha sido ex-atleta. Vejo que é um projeto do clube, de querer tirar todo mundo e fazer um Flamengo novo. No meu modo de ver, o Flamengo de 2018 em diante, esquecendo o passado, vai começar algo novo com essas pessoas.

- Com todo respeito a essa garotada, a experiência e o conhecimento ajudam muito. Acho importante mesclar a juventude e a força, mas o Flamengo retirou todos nós, que tínhamos algum trabalho no clube, e não sei se isso vai ser legal.

Maurício Barbieri

- O Barbieri é um garoto que conheci a pouco tempo, não vou torcer contra, não tem nada a ver. Vai ter muita dificuldade porque está em um dos clubes de maior torcida, maior pressão, e se os resultados não virem logo a pressão vai ser muito grande.

Cobrança em cima dos técnicos

- Pela quantidade de treinadores que você vê indo embora... A cobrança é toda em cima dos treinadores. Fica muito confortável de se trabalhar assim. Não estou dizendo que são maus jogadores, são excelentes, mas tem que ser cobrado mais, com certeza.