Treinador do Figueirense, Hemerson Maria esbraveja contra própria diretoria e ameaça W.O.
Foto: Divulgação/Figueirense

Treinador do Figueirense, Hemerson Maria esbraveja contra própria diretoria e ameaça W.O.

Sem salários, técnico expôs o abandono que o clube vem sofrendo; empate em 1 a 1 contra o Criciúma ficou em segundo plano na entrevista coletiva

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Gustavo Milioli

O empate em 1 a 1 do Figueirense contra o Criciúma foi o assunto menos comentado pelo técnico Hemerson Maria na entrevista coletiva após o confronto. O treinador fez duras críticas à diretoria do clube, que não honrou o acordo de quitar os salários atrasados na última semana, e afirmou que se não houver os pagamentos, o time deve se recusar a entrar em campo na próxima terça-feira, contra o Vitória.

Segundo Maria, os jogadores já estavam dispostos a não jogar neste sábado, mas após conversas, decidiram voltar atrás. Já são três meses de pendências financeiras num cenário em que as dívidas do Figueira ultrapassam a marca dos R$ 100 milhões.

"Estamos lutando. Nossa torcida veio e nos apoiou. Mas volto a dizer, até pelo meu semblante, que o clube vive um abandono. Conselho Fiscal não existe. Não pode ver o que estamos passando e fazer vistas grossas. Supliquei. Falei para os atletas jogarem e a gente dar suporte. Ontem (sexta-feira) acalmei os jogadores, pois corria o risco do Figueirense não estar em campo. Em respeito ao torcedor que aqui veio, teve jogo. Houve uma promessa para 50 pessoas na sala, mas não foi cumprida e sequer teve satisfação", declarou.

A equipe faz uma campanha digna, mesmo com o período turbulento. Ocupa a décima colocação, apenas três pontos abaixo do G-4. Contra o Criciúma, chegou a ficar próximo da vitória após William Pop abrir o placar, mas no fim do jogo, Daniel Costa deixou tudo igual de pênalti.

A situação, porém, tende a se agravar. O comandante adiantou que não haverá treino neste domingo, e que se o acordo não for cumprido, o time não enfrentará o Vitória, adversário da próxima rodada no Orlando Scarpelli.

"Os atletas já falaram que não vão treinar amanhã e que na terça não vão jogar se não pagarem. Parece que estamos blefando, mas já olhamos qual a pena para o clube. É um grupo de homens honrados, uma espinha inteligente. Aqui não tem quem pense no dinheiro. Pensamos na coletividade. Tem profissionais passando dificuldade, meninos sem ajuda de custo, patrimônio deteriorado, campos com qualidade ruins, redes furadas, funcionários tristes. Sem reconhecimento. Vocês sabem. Me segurei muitas vezes. É uma via de mão única. Queremos respeito, carinho, e isso não acontece", destacou.

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