Análise: Conselho Gestor do Cruzeiro limpa sujeiras anteriores e deixa legado
Divulgação/Cruzeiro

O Conselho Gestor do Cruzeiro está prestes a dar adeus ao clube depois das eleições que vão acontecer no dia 21 de maio, quinta-feira. Certamente, o que marca sua passagem é o compromisso firmado e, posteriormente, cumprido com a torcida no enfrentamento às irregularidades da gestão anterior, liderada por Wagner Pires de Sá.

Suas ações frontais, transparentes e corajosas ficarão na história porque ilustraram a responsabilidade acima de tudo com a Instituição, em ação coletiva em prol de um bem: o Cruzeiro. Corajoso é o mínimo para caracterizar as atitudes exercidas pelo Conselho Gestor - jamais encarada em tamanha transparência por outro clube. Isso porque toca diretamente na ferida da própria instituição, atacando o interesse de muitos profissionais envolvidos e, dependendo do tamanho da sujeira, ferindo mais a imagem do clube.

Mas o compromisso com a verdade e transparência ao torcedor somados à preocupação de estrutura organizacional, métodos em equilibrar o financeiro, entre outras soluções para superar a crise, virou prioridades no Conselho. A partir desta política, o clube obteve, por exemplo, a parceria da Kroll, empresa de investigação independente que teve o aval da equipe no acesso a arquivos físicos, sistemas eletrônicos de gestão administrativa e funcionários.

Resultados obtidos pela Kroll

Nesta semana, o clube recebeu o relatório da Kroll. A partir dos resultados obtidos em investigação realizada durante os dias 3 a 15 de maio (de 2020), foi identificado diversas irregularidades que variavam entre o descumprimento do estatuto e regras estabelecidas pela FIFA, além de enriquecimento pessoal e salários incompreensíveis.

Dentre os podres que compõem a antiga gestão, a de maior fragilidade ética está no envolvimento de um atleta menor de idade, quando o clube ofereceu direitos econômicos de um jogador de 9 anos em forma de garantia do pagamento de uma dívida. O Regulamento Nacional de Registro e Transferência de Atletas de Futebol da CBF proíbe a ação. Mais do que isso, o Regulamento Nacional de Registro e Transferência de Atletas de Futebol também não permite qualquer negociação que envolva atletas menor de 16 anos e direitos econômicos.

Foi também detectado que dois da base recebiam remuneração a partir de empresas de consultoria que eram abertas quando o contrato com os profissionais estavam perto de serem realizados – indo contrário a Lei Pelé e o próprio Regulamento Nacional de Registro de Transferência de Atletas de Futebol da CBF. A negociação contou também com comissão de intermediador, avaliada em R$ 500.000, dizia o relatorio.

Não parando por aí, as irregularidades marcavam presença no aspecto estrutural: distribuía-se salários àqueles com a missão de contribuir ao clube voluntariamente, cabidos à função de estabelecer diretrizes ao Cruzeiro. Tratou-se de 52 conselhos remunerados indiretamente pela Raposa a partir de empresas a eles vinculadas, em salários que ultrapassavam R$ 100.000 - ilustrando total descumprimento ao Estatuto celeste. Assim também foi a distribuição irregular para empresas de consultorias associadas a dirigentes, quando estas empresas estavam em nome de familiares – o Cruzeiro injetou R$ 6.068.078,33.

Em meio a tantas sujeiras, algumas delas citadas, os conselhos que tinham a missão de fiscalizar estiveram sob desconfiança de cúmplices, quando, no mínimo, foram omissos. Assim se comportou o Conselho Fiscal e Conselho Jurídico do Cruzeiro, nos quais passaram a impressão de falsos atentos às assombrações que atormentavam a Instituição.

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