Nova realidade: Vasco precisa se reinventar para temporada 2021
Foto: Rafael Ribeiro / C.R. Vasco da Gama

Rebaixado pela quarta vez em um intervalo de 12 anos, o Vasco da Gama volta à estaca zero em um cenário ainda mais desfavorável. Somando uma dívida bruta de R$720 milhões, segundo o próprio presidente Jorge Salgado, o Cruzmaltino perde o milionário contrato televisivo e receberá apenas R$6 milhões na segunda divisão. Sem receitas com público e tampouco lucros com troféus, o clube passará pela temporada mais desafiadora de sua história em 2021.

Ainda que nenhum rebaixamento tenha doído mais que o primeiro, em 2008, nenhuma temporada foi tão ameaçadora ao futuro do Vasco, como a próxima. A exemplo do arquirrival Botafogo, onde o prejuízo ultrapassa R$1 bilhão de déficit, o Gigante da Colina será o quarto campeão brasileiro a jogar à série B do próximo ano - junto de Cruzeiro, Coritiba e Botafogo.

Instabilidade

Durante o mês de setembro, o Vasco integrava o G-4 na parte inicial da competição. Torcedores e jogadores, ainda sob comando de Ramon Menezes, festejavam precocemente a campanha até então acima das expectativas. Tal feito, que permitiu ao vascaíno ser por duas rodadas o líder da competição, foi motivo de provocação com flamenguistas, que apesar de atuais campeões, estavam em baixa.

Apesar disso, as limitações financeiras que jamais deixaram de ser problemas, cresceram. Em artigo publicado pelo portal Terra, R$100 milhões de prejuízo aconteceram somente em 2020. Vivenciando um ano político conturbado, a política novamente atrapalhou o clube, dividindo sua torcida e levando a disputa para camadas judiciais de novo.

Já sem Ramon, nenhuma das duas próximas apostas dariam certo. Sá Pinto foi responsável na beira do campo pela queda livre da equipe, enquanto Luxemburgo que já chegou no meio do incêndio, pouco pôde fazer. O elenco extremamente frágil sofreu ainda mais quando Benítez passou a ter problemas físicos e Cano posteriormente perdeu a precisão na artilharia.

O que fazer?

A nova realidade do Vasco é de evitar o pior. E para isso será necessário fazer o que até então não foi promovido: simplificar. Diante de um novo contrato, onde na série B, será de apenas R$6 milhões, ao invés dos R$60 milhões da elite, o clube terá de vender jogadores, contratar atletas mais baratos e acertar na opção para treinador.

Especula-se Fernando Diniz que foi o responsável por levar o São Paulo à liderança do Brasileirão, mas que também perdeu o posto em uma sequência terrível de maus resultados. Ainda que o cenário seja de juntar cacos, existe a pressão pela volta por cima, pois jamais o Vasco deixou de voltar à elite após seu rebaixamento. 

A curto prazo o Vasco necessita dar uma resposta em campo. Brigar pelo título estadual não resolve muitos problemas, mas mobilizará positivamente a torcida. Na segunda divisão, não tem outro jeito a não ser caminhar sob as pedras. Ainda que rivalize com outros gigantes do futebol brasileiro, não subir será uma tragédia ainda mais agravante para o futuro do clube. 

Por fim, resta a expectativa de talvez a única cartada acima da média para a próxima temporada. Em jogos mata-mata, a Copa do Brasil rende premiações milionárias e caso um título seja conquistado, naturalmente o clube figurará numa competição internacional, como a Libertadores. Mas um passo por vez, o Vasco necessita acalmar os bastidores políticos, ter planejamento e usar a força de sua base mais do que nunca, pois o futuro não é nada animador para o clube.

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