Sonho realizado e projeção de um Flamengo ofensivo: a coletiva de Renato Gaúcho na Gávea
Foto: Alexandre Vidal / CRF

De volta à antiga casa! É fato que o time ao qual Renato Gaúcho mais se identifica é o Grêmio, porém o Flamengo tem um cantinho especial na carreira e no coração do ex-jogador e atual técnico. Agora, pela primeira vez à beira do campo, Portaluppi realiza o sonho de dirigir o Rubro-Negro da Gávea.

"É um prazer estar aqui nessa oportunidade de treinar um grande. Falei que tinha esse sonho e hoje estou realizando. Todo técnico tem que pensar grande e alto. Na minha opinião, o Flamengo é a mesma coisa do que a seleção brasileira", afirmou Renato em sua apresentação na tarde desta segunda-feira (12).

"É emocionante. Título é sempre título. Hoje à frente do Flamengo é um título que eu ainda não tenho como treinador. Lembro até hoje de ter dado volta olímpica em 87 no Maracanã. Espero que com esse grupo, agora como treinador, eu possa realizar esse sonho. Dois, três anos atrás falei que era meu sonho treinar o Flamengo, pela grandeza. É uma satisfação."

"Todo treinador sonha em um dia treinar o Flamengo, e eu estou realizando esse sonho. Estou bastante emocionado, falei isso com o Braz e com o Bruno. Poder voltar ao Flamengo, ao Maracanã, e estar ao lado desse grupo vencedor, acima de tudo. Tenho certeza que o torcedor entende que sou um profissional. Espero que a torcida possa voltar ao Maracanã, eu sei da força dela de todas as vezes que nos enfrentamos", completou.

A última  vez que Renato vestiu as cores do Fla foi há 23 anos, ainda como atacante. Feliz com o retorno, Renato exibiu sorriso largo e se declarou para o clube onde teve três passagens como atleta nas décadas de 80 e 90.

E depois de se declarar ao clube, Renato Gaúcho já projetou como pretende armar seu novo time para manter o Fla no caminho dos títulos:

"O Flamengo sempre joga para vencer. Eu sempre tive essa opinião. Coloquei os clubes que trabalhei sempre para frente, em busca da vitória. O clube que busca a vitória está mais perto da vitória do que da derrota. O Flamengo, sem dúvida, vai jogar pra frente. Cada treinador tem uma maneira de trabalhar, vou trocar umas ideias com os jogadores. Vou procurar botar em prática aquilo que acho que é melhor para o clube."

"O maior problema que eu tenho no momento é o tempo. Por isso vai ser muito importante o vídeo, a troca de ideia com os jogadores. Infelizmente ou felizmente o Flamengo disputa três competições, mas infelizmente não temos muito tempo disponível para os treinamentos", projetou Renato.

No Sul, o sobrenome de Renato era "Portaluppi", agora,  no calor do Rio de Janeiro, volta a ser "Gaúcho". E já com trabalho importante e grande responsabilidade nas mãos: agenda rubro-negra prevê dois treinamentos no Ninho do Urubu antes de viajar a Buenos Aires, onde o treinador estreia diante do Defensa y Justifica, quarta-feira (14), já em jogo de ida das oitavas de final da Libertadores.

Outros trechos da coletiva de Renato Gaúcho:

Relação com a torcida flamenguista

"Não lembro de atritos com o clube ou com a torcida. Maior prova é que, no jogo beneficente que o Zico faz todo o ano, o Zico brincava: "Está vendo, você é ídolo a torcida gosta de você. Tem o gol de barriga... mas isso faz parte. Nos últimos dias, eu estava na praia e tive que ir embora pelo excesso de carinho, de fotos. A torcida pode ficar tranquila que trabalho não vai faltar. Vamos trabalhar para que a gente possa continuar dando alegria ao torcedor."

Foto: Alexandre Vidal / CRF
Foto: Alexandre Vidal / CRF

Sensação de dirigir o Flamengo

"Quando eu jogava pelo Grêmio, eu tinha um sonho de um dia jogar no Flamengo, no Maracanã, ao lado de um grande ídolo que era o Zico. Em 87 pude realizar esse sonho. Quando se fala de Flamengo, todo mundo que sonha alto sonha em jogar ou treinar o Flamengo. Como jogador, realizei esse sonho. E como treinador, vou dar continuidade a esse trabalho."

Cobrança proporcional ao investimento no time

"Se você gastar R$ 100 por mês num clube, isso vai ser cobrado. Se gastar R$ 100 milhões, vai ser cobrado. Acho que todo torcedor quer ver o time campeão. Claro que quando você gasta muito e qualifica seu grupo, você tem mais chances. O PSG, quanto que ele gastou? E não foram campeões. No Flamengo, as chances de conquistar são maiores, sem dúvidas. O Palmeiras, Atlético, Flamengo gastaram muito e, por isso, chegam toda hora."

Foto: Alexandre Vidal / CRF
Foto: Alexandre Vidal / CRF

Avaliação do grupo de jogadores

"O elenco é maravilhoso, muito forte. Se vai ganhar tudo, vamos trabalhar para isso. Palmeiras, Atlético-MG também querem. Todo mundo quer. Qual clube que entra na competição e não quer ganhar? Mas o elenco do Flamengo é forte, sim. Perdeu algumas peças? Perdeu. Mas ainda é muito forte."

Aproveitamento da base

"Por onde eu passo, gosto de trabalhar com os garotos. Ontem mesmo no Maracanã, após a partida, falei com as pessoas aqui no Flamengo e pedi para marcar coletivo de hoje contra os garotos para poder começar a observar. Não tenho de lançar garoto, mas tem que ser na hora certa, no momento certo, para não queimá-lo. No Grêmio, descobrimos vários garotos lá que tiveram sucesso no profissional. Sempre que eu achar que está na hora de ser aproveitado, vai acontecer."

Comparações com Jorge Jesus, ex-técnico do Fla

"Na época do Jorge, ele fez um excelente trabalho, conquistou. Domènec e Ceni tentaram, e eu vou continuar tentando também. Mas cada um tem seu trabalho, suas ideias. Todos eles, antes do Jesus, o próprio Jesus, depois o Dome, Ceni, todo mundo tentou. Eu vou continuar tentando e trabalhando. Se todo clube que contratasse um treinador tivesse 100% de certeza que seria campeão, ele assinava um contrato de 10 anos."

Foto: Alexandre Vidal / CRF
Foto: Alexandre Vidal / CRF

Este é o maior desafio da carreira?

"Desafio do treinador é grande, como em qualquer clube. Mas treinar o Flamengo é diferente. Eu gosto de desafios. Eu estou aqui para trabalhar. Junto com esse elenco a gente vai fazer de tudo para dar continuidade às conquistas."

A favor da volta parcial do público?

"Com segurança e seguindo os protocolos, eu sou a favor. Joguei com a camisa do Flamengo como jogador, eu sei a força da torcida. Enfrentei o Flamengo no Maracanã, com essa torcida maravilhosa. É o nosso 12º jogador. Muita gente já foi vacinada, já teve (Covid). Então, com segurança, eu sou a favor da volta do público aos estádios."

Emocionado ao assinar contrato?

"Pela manhã no sábado, falei com o Braz e com o Bruno. No final da tarde, estávamos reunidos. Com o contrato assinado, falei pros dois: 'Estou muito emocionado'. Era um sonho treinar o Flamengo. Treinar o Flamengo é treinar a seleção brasileira."

Poupará atletas em determinadas competições?

"O poupar em algumas competições as pessoas às vezes entendem mal. A gente sempre quer a força total. Mas no momento que o jogador está desgastado, e o exame de "CK" mostra que ele pode ter uma lesão, esse jogador vai ser poupado. A explicação é essa. O fisiologista e o preparador físico é que ajudam o treinador. Esse negócio de poupar muita gente entende da maneira errada. No momento em que ele (jogador) se sentir bem, ele vai jogar."

Primeiras impressões

"Isso é muito particular. Por isso que eu gosto de trocar ideias, conversar. Ontem eu assisti ao jogo do lado do Bruno, do presidente, do Braz. Nós trocamos algumas ideia, observei algumas coisas. Mas isso é muito particular. Vou procurar trocar ideia, fazer alguns ajustes. O mais importante de tudo foi que o Flamengo conquistou os três pontos, isso que é importante. No dia a dia a gente vai ajustando as coisas."

Chances ao atacante Lázaro?

"Eu conto com todo mundo. Eu vou repetir: gosto de trabalhar com garoto da base, gosto de dar oportunidades, de observá-los no dia a dia. Sem dúvida tenho boas informações dele, até porque foi campeão na sub-17. Você tem que saber lançá-los no momento certo para não queimá-los. Essa fase pode ter certeza eu sei muito bem fazer. Nesses quatro anos e meio de Grêmio dei muitas oportunidades aos garotos, trabalhei muito com a base."

Dificuldade para formar defesa

"Quando cheguei no Grêmio, por exemplo, o Arthur que foi vendido ao Barcelona estava para ser emprestado ao Ceará. Eu segurei e deu no que deu. No momento que você tem um grupo da forma que o Flamengo tem, e acima de tudo trocar ideia com o jogador... Eu gosto de passar muito confiança aos jogadores. Fundamental é o chefe passar confiança para você e vou passa confiança aos zagueiros. Tenho visto os jogos do Flamengo e vi coisas de bom e vi coisas que podemos ajustar."

Rejeição e a derrota por 5 a 0 na Libertadores de 2019

"O homem lá de cima não agradou todo mundo. E o Renato não vai agradar. Aquele jogo foi um jogo que o Flamengo mereceu ganhar do Grêmio. O Grêmio não estava na noite dele. Não tirando os méritos do Flamengo, mas são coisas que acontecem. O Flamengo estava numa fase excepcional, ganhando tudo, grande elenco. São coisas que acontecem. Agora estou desse lado aqui, vou trabalhar bastante para dar continuidade a essas conquistas."

O que pretender repetir daquele Flamengo de 2019

"Vou tentar fazer o futebol ofensivo, até pelas características dos jogadores. O torcedor do Flamengo não consegue ver o time defensivamente. No momento que tem jogadores desse nível, tem que jogar para vencer. Sem dúvidas não vou mudar isso."

Pedido de reforços?

"Reforços, todo treinador gosta de ter. Às vezes nem sempre é possível. Até porque hoje temos que entender o motivo financeiro que todos os clubes passam pela pandemia. Lógico que o clube vai sentir. Não só o Flamengo, mas no mundo todo. Eu vou trocar muitas ideias com esse grupo aqui. Lá na frente a gente vê tem essa necessidade, dentro da possibilidade que a diretoria vai em dar."

Punição imposta pelo Flamengo a Gabigol

"Eu não estava aqui, não posso me meter. Prefiro não comentar. Até porque foi um acontecido que eu estava longe das possibilidades de eu me meter, nem procurei direito saber o que aconteceu."

Recusa a outros clubes

"Quando saí do Grêmio, a primeira coisa que fiz foi entrar de férias. Foram cinco anos, precisava curtir um pouco minha família. Precisava respirar novos ares. Mas não saí do Grêmio pensando no Flamengo. Recusei convites de Santos e Corinthians porque eu precisava de férias. No momento que descansei, apareceu o convite do Flamengo. Essa oportunidade eu peguei. Já descansei e estou realizando meu grande sonho."

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