Sporting 2013: Guerra e Paz
As grandes noites de futebol voltaram a Alvalade - Foto: Carlos Alberto Costa - zerozero.pt

Sporting 2013: Guerra e Paz

No espaço de um ano o Sporting trocou de presidente, de treinador (duas vezes), mudou meia equipa e chegou a Dezembro numa improvável liderança. A guerra entre direcção e adeptos dissolveu-se no clima actual de união e paz.

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Bruno Gomes

Quando saíram de Alvalade na noite fria de 5 de Janeiro, os adeptos do Sporting estavam longe de imaginar que o ano de 2013  acabaria de forma tão especial. Nessa noite, o Sporting de Franky Vercauteren e Godinho Lopes entrava com o pé esquerdo no novo ano, sendo derrotado em casa pelo Paços de Ferreira. O treinador belga não resistiu a mais uma prestação vergonhosa e caiu.   Estavam decorridas 13 jornadas, os leões ocupavam o 12º lugar a apenas um ponto da linha d’água. Para o seu lugar, Godinho   Lopes chamou o manager Jesualdo Ferreira, que tinha assumido funções apenas há 15 dias. O experiente treinador trocou o fato e o gabinete pelo fato treino e o banco e meteu as mãos na massa. A asfixia financeira dos leões levou a muitas mexidas no mercado   de inverno. De Alvalade saíram nomes como Ínsua, Elias, Izmailov, Gelson Fernandes e Pranjic. Jesualdo foi à equipa B e juntou Ilori, Bruma e Zezinho ao já promovido Eric Dier

Nem Jesualdo salvou Godinho

A equipa teve melhorias ligeiras e foi evoluindo, mas nunca para os patamares de exigência de um clube como o Sporting. No dia 4  de Abril, Godinho Lopes em guerra com vários membros da sua direcção e pressionado pela maioria dos adeptos, em especial por  dois: Miguel Paim e André Patrão – fundadores do Movimento Dar Rumo ao Sporting – não resistiu à pressão e acabou por fazer cair  a direcção, convocando eleições. Estava dado o primeiro passo para a mudança, que não se viria a dar sem mais polémica: antes  de bater com a porta, Godinho Lopes tentou inviabilizar na justiça a marcação de um assembleia geral para que os sócios fossem  ouvidos acerca do rumo do clube. A demissão da direcção estava em cima da mesa e numa sessão de esclarecimento aos sócios,  no dia do encerramento do mercado, Daniel Sampaio, presidente interino da mesa da Assembleia Geral, seria agredido por indivíduos encapuzados no auditório do estádio de Alvalade. No dia seguinte em conferência de imprensa, Godinho Lopes apontaria o dedo a Sampaio e à instabilidade que este estava a criar no clube para justificar o falhanço de vários negócios em cima do fecho do mercado.

Revolução

Dois anos depois de ter perdido de forma polémica, as eleições para Godinho Lopes, Bruno de Carvalho voltou a candidatar-se. Acompanhado dos fiéis Virgílio e Inácio e suportado por uma enorme franja de adeptos, Carvalho bateu José Couceiro e Carlos Severino e tornou-se no 42º presidente do Sporting Clube de Portugal. Na declaração de vitória foi claro: "Viva o Sporting Clube de Portugal. É nosso outra vez"! No dia 27 de Março, tomou posse num Sporting mergulhado na crise desportiva e financeira mais grave de toda a sua história. A tarefa não se adivinhava fácil e Bruno encontrou muitos percalços no caminho. Primeiro entrou em rota de colisão com a banca que só seria sanada com a intervenção do presidente do BES, Ricardo Salgado. A arbitragem no derby da Luz de João Capela – que atropelou a ascensão que a equipa leonina vinha tendo no campeonato – despoletou ferozes críticas do jovem presidente que não terminou a temporada sem entrar em choque com o FC Porto: primeiro cortou relações com os dragões depois de uma discussão acalorada com o dirigente portista Adelino Caldeira e mais tarde acusou o clube da Invicta de não cumprir financeiramente com o combinado com o Sporting aquando da venda de João Moutinho para o Mónaco. Com Jesualdo ao leme e um presidente vibrante no banco, o Sporting somou 5 vitórias em 7 partidas mas mesmo assim não conseguiu o apuramento para a Europa e acabou a Liga num tristonho 7º lugar – a pior classificação de sempre na história dos leões. 

Do oito ao 80

Carvalho avisou que este seria um ano zero no Sporting e que os custos com plantel diminuíram drasticamente. Jesualdo não estava disposto a ceder a todas as ideias do presidente a acabou por sair. O substituto foi encontrado e contratado rapidamente. No dia 20 de Maio, Leonardo Jardim chegou à sua cadeira de sonho e assumiu os objectivos para a primeira época: “Vamos dar o máximo para conseguir o melhor, não podemos apontar metas de médio e curto prazo, mas vamos ter ambição sempre que possível para ganhar. Vim para rentabilizar ao máximo o que o Sporting tem e para vencer. Toda a minha carreira está sustentada em vitórias" – assumiu o madeirense evitando sempre falar em títulos.

Privado de Ricky Van Wolfswinkel – vendido no último acto de gestão de Godinho Lopes -  o Sporting entrou em 2013/14 apostado em encontrar um novo matador e em fazer mais com menos. A revolução começou com as rescisões de pesos pesados como Onyewu e Bojinov. Elementos com salários chorudos como Schaars e Arias também foram vendidos. Labyad e Jeffren, que foram recusando ao máximo a saída, acabaram encostados na equipa B. Viola e Miguel Lopes – que seriam apostas de Jardim – devido ao salário elevado partiram por empréstimo. Os leões assumiram uma política de baixo custo, que conduziu à aposta em elementos mais baratos, com rodagem na Liga e em meninos da formação tendo como exemplo máximo Wilson, Jefferson e William Carvalho. Dos EUA veio o matador Fredy Montero e Jardim passo a passo foi transformando uma equipa de atletas modestos num colectivo forte. Os dois meninos que mais se destacaram em 2013 acabariam por fugir de Alvalade de forma bastante polémica. Ilori e principalmente Bruma, forçaram a saída precoce e acabaram por rumar de forma controversa a outras paragens. O leão rumou então para uma pré-temporada razoável antes de entrar a todo gás no campeonato. Pensando  jogo a jogo, a equipa de Leonardo Jardim acumulou vitórias e foi valorizando jovens portugueses da formação. A adormecida onde verde renasceu e a generalidade dos adeptos de futebol abriu a boca de espanto. Afastado da Europa, o Sporting viu a Taça de Portugal escapar cedo no estádio da Luz – mais uma vez com uma arbitragem para lá de polémica – e dedicou-se com total exclusividade ao campeonato. Passadas 14 jornadas a equipa que há um ano lutava para não descer entra em 2014 envolta em paz e com a liderança do campeonato garantida, em igualdade pontual com Benfica e Porto. É dificil prever o que será o futuro do Leão, mas pelo menos o rótulo de surpresa do ano ninguém pode tirar ao Sporting. 

Imagem: Record.pt

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