O traçado de Hockenheimring

O traçado de Hockenheimring

Hockenheimring é um dos históricos circuitos da F1, ainda que a sua história tenha sido sempre dividida e disputada com o circuito vizinho de Nürburgring. Hoje muito diferente do que inicialmente era, Hockenheim vive na incerteza do seu futuro, sobretudo para lá de 2018, altura em que expira o seu contrato com a modalidade rainha do desporto automóvel.

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Hugo Picado de Almeida

O Hockenheimring, circuito alemão localizado em Baden-Württemberg, no sudoeste da Alemanha, é um dos traçados históricos do campeonato mundial de F1. Corria o ano de 1970 quando o primeiro GP de Fórmula 1 foid disputado em Hockenheim. Até então, a F1 alojava-se em Nürburgring sempre que visitava solo alemão. Mas em 1970, após um boicote dos pilotos ao traçado de Nürburgring, a quem o histórico Jackie Stewart um dia chamou «O Inferno Verde», o "grande circo" foi forçado a mudar-se armas e bagagens para a pista no sul da Alemanha. A pista de Nürburgring, consensualmente considerada uma das mais exigentes e perigosas do mundo, acabaria por sofrer extensas alterações logo em 1971, e nesse mesmo ano voltaria a correr-se na pista que, ao longo dos anos, reclamou mais de 200 vidas, ainda que a maioria em eventos públicos e não em corridas de competição.

1977 fixa a F1 em Hockenheim

Só em 1977, sete anos depois da sua estreia, Hockeinheim tornaria ao mapa do "grande circo", depois do grave acidente de Niki Lauda no inferno de Nürburgring, numa corrida em que o piloto austríaco tentara obter o consenso dos seus colegas de profissão para o cancelamento da corrida devido às más condições atmosféricas que nesse fim-de-semana se abatiam sobre o traçado.

Comparação entre o traçado actual (a preto) e a configuração anterior a 2002. (in Wikimedia).

Entre 1977 e 2006, a F1 estabelecer-se-ia continuamente no circuito de Baden-Württemberg, à excepção de 1985 (correu-se em Nürburgring, já com nova configuração). Durante esse período, o traçado de Hockenheim teve quatro configurações, sendo as alterações respeitantes à introdução de chicanes nas longas "quase-rectas" do circuito, nomeadamente em 1969, após o acidente fatal de Jim Clark, na Fórmula 2, e após a morte de Patrick Depailler em 1980, na marcante Ostkurve, curva larga que fazia a ligação entre as duas rectas do traçado: em 1982 seria adicionada, à entrada da Ostkurve, hoje fora do traçado, a Bremskurve, chicane que, como o seu nome alemão indica, se destinava ao travar ("bremsen") os monolugares.

Em 1994, as duas chicanes -- a Clark kurve e a Senna kurve -- que interrompiam as rectas foram ligeiramente modificadas, tornadas mais profundas e lentas, mas em 2002 o traçado viria a sofrer a maior alteração da sua história enquanto circuito de Fórmula 1. Após o GP de 2002, vencido pelo brasileiro da Ferrari Rubens Barrichello, numa corrida "cega" para o público, já que grande parte das ultrapassagens ao circuito de quase 7km foram feitas nas chicanes, imersas na floresta. A F1 ameaçou com a quebra do contrato e o Hockenheimring actualizou-se pela mão do famoso desenhador de traçados Hermann Tilke.

Circuito na sua anterior configuração, com as chicanes escondidas na floresta (in Google Earth).

Os anos da discórdia entre Hockenheimring e Nürburgring

Desde 2007 que o Hockenheimring e Nürburgring têm alternado a recepção ao GP da Alemanha, com Hockenheim a receber a prova alemã nos anos pares. 

Entre 1999 e 2007, além de outras ocasiões pontuais, Nürburgring era a casa do GP da Europa, mas em 2007 a Formula One Management decidiu não haver motivo para realizar duas corridas anuais em solo alemão -- até porque Ecclestone tinha já definido como objectivo a aposta asiática para deslocação de algumas das provas da temporada. A vida alternada entre os dois traçados, contudo, não parece solução pacífica, com as direcções dos dois circuitos à procura de acentuar o seu protagonismo no campeonato.

Recorde-se que ainda em Junho Hockenheim esteve nas notícias, após Bernie Ecclestone, favorável ao regresso da F1 à lendária pista de Nürburgring, ter alegadamente assinado um contrato com o traçado concorrente de Hockenheim para sedear permanentemente a prova rainha do desporto automóvel nessa pista, recentemente adquirida pelo grupo alemão Capricorn. Sem desenvolvimentos e, aparentemente, sem enquandramento legal, uma vez que Hockenheim tem contrato com o "grande circo" até 2018, não é claro o futuro do GP da Alemanha, e parece ganhar terreno a possibilidade de uma das pistas acabar mesmo por ficar de fora do campeonato mundial, se Ecclestone continuar a insistir na deslocalização da F1 para outros continentes, apesar da crescente perda de espectadores na casa-mãe história da F1, a Europa.

Hockenheimring nos nossos dias

Traçado actual de Hockenheim (Foto: formula1.com)

Na sua configuração actual, o circuito, praticamente sem desnível, apresenta a forma de uma bota. Desapareceram as longas secções que antes davam a forma quase elíptica à pista, introduziram-se uma série de curvas muito lentas e um apertadíssimo gancho à direita, o Spitzkehre, no final da longa curva 5, a Parabolika. É nesta curva aberta à esquerda que se localiza a segunda zona DRS de Hockenheim. A primeira está na segunda recta da volta; após a Nordkurve, que faz praticamente um ângulo de 90º à direita após a partida.

No total, o "ring" de Hockenheim possui 17 curvas (6 à esquerda e 11 à direita), ao longo de um percurso de 4,574km que os pilotos devem percorrer por 67 voltas antes de verem a bandeira axadrezada. O melhor tempo neste traçado é do finlandês Kimi Räikkönen, que em 2004, pela McLaren aqui assinou uma "fast lap" de 1:13,780.

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