O dia em que a festa do futebol se transformou em tragédia
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O dia em que a festa do futebol se transformou em tragédia

Os acontecimentos do último derby entre Sporting e Benfica, trouxeram de novo à memória a final trágica da Taça de Portugal em 1996. Uma data que devia ser vista e respeitada por todos aqueles que colocam o pontapé na bola acima da vida humana e servir de reflexão para quem dirige o futebol português.

RodolfoReis
Rodolfo Reis

18 de Maio de 1996, final da Taça de Portugal, competição denominada como sendo a festa do futebol. No Estádio do Jamor Benfica e Sporting entravam em campo para mais um derby, onde estava em jogo um troféu com 77 anos de história. Numa tarde de sol e de convívio entre adeptos como é habitual nesta prova, longe estava o país de imaginar que iria assistir a uma das tragédias mais marcantes ao nível do desporto em Portugal.

Estavam decorridos nove minutos de jogo quando o argentino Mauro Airez inaugurou o marcador para os encarnados, a alegria das hostes benfiquistas foi depressa suprimida pelo drama que se vivia no lado oposto do estádio. Um very light lançado por um elemento da claque do Benfica, atravessou todo o relvado e acabou por atingir mortalmente Rui Mendes, um adepto do Sporting que se encontrava na bancada por trás da baliza leonina.

Um homem e adepto do futebol, que tinha deixado em casa mulher e filho, para assistir a um jogo de futebol do seu Sporting. A partida foi interrompida, mas haveria de recomeçar (algo que nunca deveria ter acontecido), já com a maioria dos adeptos leoninos a abandonar o recinto do Jamor. A festa tinha sido estragada da pior forma possível.

O Benfica venceu por 3-1 com João Vieira Pinto a fazer dois golos e Carlos Xavier a reduzir para os leões de grande penalidade. No final jogadores e adeptos encarnados não se coíbiram de festejar, mas a Taça essa só foi entregue uma semana depois no Estádio da Luz. O culpado desta tragédia foi preso, fugindo depois e andando «a monte» durante onze anos, nos quais continuou a acompanhar o seu clube até ser de novo capturado.

Quase vinte anos depois os adeptos do Benfica fizeram questão de relembrar o acto criminoso praticado naquela tarde, exibindo uma tarja no passado sábado no jogo de futsal entre as duas equipas onde se podia ler «Very Light 1996». Não estando satisfeitos com tamanha falta de respeito para com a vida de ser um humano, os mesmos elementos fizeram questão de no dia seguinte, no clássico do futebol e após o golo de Jardel para lá do minuto 90' atirar os mesmos engenhos pirotécnicos na direcção dos adeptos leoninos que se encontravam na bancada ao lado.

Tarja exibida no derby de futsal (Foto: futebol-now.com)

Em Portugal são vários os acontecimentos que marcam pela negativa o futebol, e os adeptos dos três grandes são sempre aqueles que mais se evidenciam por os provocar. Maus e bons existem e vão existir sempre seja qual for o clube, o importante é que aqueles que vão para um recinto desportivo seja qual for a modalidade apenas com o intuito de provocar distúrbios, sejam banidos para sempre.

Só que para isso era preciso que fossem os próprios clubes os primeiros a dar o exemplo punindo exemplarmente esses adeptos em questão, mas parecem preferir «assobiar para o lado», tal como a Liga de Clubes e a Federação Portuguesa de Futebol continuam a fazer. Diz o ditado que, «depois da casa arrombada, trancas à porta», infelizmente no futebol português parecem não ter acontecido ainda tragédias que cheguem, para que finalmente «as trancas» sejam colocadas.

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