Serie A TIM 2015/16: o campeonato italiano mais disputado dos últimos anos
Foto: Divulgação/Lega Serie A

Os deuses do futebol estão em festa na Itália. Depois de quatros anos com a Juventus soberana, liderando o campeonato do começo ao fim, sem dar qualquer chance aos rivais, a Serie A, depois de 13 anos, voltou a ter um campeonato disputado, aberto, tendo 5 equipes com chance reais de se sagrar campeão ao término da temporada. 

Depois da era da Internazionale, que durou de 2005 à 2010, a Juventus foi quem ditou o ritmo do futebol italiano nos últimos anos. Nas últimas 5 temporadas, a Vecchia levantou a taça por 4 vezes seguidas e é a atual vice-campeã europeia. Todos acreditavam que a temporada 2015/16 iria se repetir o filme e o time de Turim ergueria, sem dificuldades, o scudetto do pentacampeonato.

Mas, para a alegria de quem ama o futebol, a Itália está tendo o campeonato mais disputado dos últimos anos na bota e o mais acirrado da Europa. Internazionale, Fiorentina, Napoli, Juventus e Roma lutam rodada a rodada pela ponta da tabela, jogo a jogo disputando as primeiras posições e, hoje, após a 17ª rodada da Serie A, apenas 4 pontos separam o 5° lugar do 1°.

A última vez que se viu algo parecido foi na temporada de 2001/02, quando Internazionale, Roma e Juventus brigaram até a última rodada para decidir com quem ficaria o título, naquela ocasião deu Juve, graças ao tropeço nerazzurro diante da Lazio na capital. 

Mas como que de uma hora para a outra o futebol na Itália sofreu essa reviravolta? Muitos acreditam ser por conta do mal começo da Juventus, que perdeu atletas importantes e demorou até encontrar o time ideal, abrindo assim brechas aonde os rivais cresceram, mas os outros quatros que lutam pelo scudetto também fizeram por onde para estar lutando pelo título, e a VAVEL Brasil cita aqui alguns pontos chaves dos times que brigam pelo campeonato italiano. 

Internazionale: O melhor ataque é a defesa 

Roberto Mancini chegou no meio da temporada de 2014/15, mas somente esse ano ele conseguiu montar um elenco totalmente para si. Diferente do que foi com Walter Mazzarri, a Internazionale, enfim, abriu os cofres e trouxe jogadores importantes como Geoffrey Kondogbia, Felipe Melo, Miranda e Ivan Perisic.

O objetivo da temporada era briga por uma das vagas na próxima Uefa Champions League, mas a Beneamata foi além e, nas primeiras 5 rodadas, venceu todas e se isolou na liderança. Na sexta rodada veio o primeiro baque do time, goleada sofrida em casa para a Fiorentina e ali surgiu o primeiro alerta: Nem tudo está nos conformes.

Parte do sucesso nerazzurro passa por Miranda e Murillo

Ainda assim essa foi apenas uma das três derrotas da equipe, até aqui, em 17 jogos. São ao todo 11 vitórias, com 23 gols marcados e apenas 11 sofridos. Se hoje a Internazionale lidera o campeonato é graças a três jogadores: Miranda, Murillo e Samir Handanovic. Diferente do que se via nos últimos anos, a Internazionale voltou a ter consistência na zaga e uma dupla de zagueiros com sintonia, aonde hoje são comparados à Lucio e Córdoba, os pilares da defesa na conquista do Triplette.

A defesa, que é a menos vazada de todo o calcio, também conta com  o esloveno Handanovic, um dos melhores goleiros da Itália, que contribuiu para tal feito operando verdadeiros milagres, principalmente nos jogos mais complicados. Em compensação, lá na frente as coisas não funcionam com a mesma facilidade. Mauro Icardi, artilheiro do último campeonato ao lado de Luca Toni, só balançou as redes 6 vezes, ainda assim é o goleador da equipe na temporada.

Depois que Mateo Kovacic trocou Milão por Madrid, a Internazionale não achou alguém que pudesse armar e criar as jogadas que o croata desempenhava. Perisic, compatriota de Mateo, foi contratado para a mesma função, porém ainda sofre com a adaptação. Quem surge como alternativa é Marcelo Brozovic, um dos destaques do últimos jogos, mas o também croata sofre com altos e baixos e ainda não é peça certa no time. 

Mas a Internazionale tem jogado o que podemos chamar de suficiente, para se manter entre os primeiros e continuar na luta pelo scudetto. Se a defesa manter a boa fase e em Janeiro chegar um homem de ligação, há possibilidades do time nerazzurri, depois de 5 anos, voltar a ser campeão na Itália. 

Fiorentina: A aposta que deu certo 

Depois de apenas ficar com a 4ª colocação no último campeonato, a Viola decidiu não continuar com Vicenzo Montella, hoje na Sampdoria, como treinador. Para seu lugar uma aposta: Paulo Sousa. Como meio-campista foi um bom jogador, de sucesso, principalmente na Itália.

Mas o seu curriculum como treinador não é o dos mais atrativos, antes da Fiorentina comandou apenas equipes modestas e conquistou títulos não muitos significativos. Ainda assim a equipe de Florença contratou o português para comandar a equipe, e não é que deu certo?!

Paulo Sousa é o destaque da Viola

Paulo Sousa fez a Viola jogar um futebol que Montella não conseguiu, e com reforços nada estravagantes. A Fiorentina perdeu seu principal jogador, Mario Gomes, que mais ficou no departamento médico do que jogou, em compensação trouxe o "desconhecido" Nikola Kalinic que, ao lado de Borja Valero e Josip Ililic, hoje forma o ataque que mais balançou as redes da Serie A. 

Mesmo com o belo futebol que tem apresentado, a Viola perdeu jogos chaves e tropeçou quando não deveria ter tropeçado. Derrota para Torino, Napoli, Roma e Juventus, além de empates com Sassuolo e Empoli, fizeram com que a equipe deixasse a liderança do campeonato, feito esse conseguido após vencer a Internazionale em Milão na sexta rodada. Mesmo assim venceu os mesmos 11 jogos que o time nerazzurro e hoje está 1 ponto de voltar ao lugar mais alto da tabela. 

Ao time de Paulo Sousa resta manter uma regularidade, vencer os jogos diretos contra os rivais e trazer reforços pontuais, assim, sem duvidas, os torcedores de Florença poderão sonhar cada vez mais alto com o scudetto. 

Napoli: Higuaín e mais 10 

Depois de boas temporadas entre os três primeiros e chegando até a jogar a Uefa Champions League, o Napoli, na temporada de 2014/15, amargou apenas o 5º lugar. Para suprir a saída de Rafa Benítez, que foi treinar o Real Madrid, a diretoria Napolitana trouxe Maurizio Sarri, e até agora tem mostrado resultado.

Reforços não foram muitos, o mais impactante foi o retorno de Pepe Reina a meta dos partenopei e a permanência de Gonzalo Higuaín, talvez a mais importante de todas. Graças ao goleador argentino o Napoli hoje briga pelo scudetto.

Higuaín lidera a artilharia com folga

Dos 17 jogos em que esteve em campo, Higuaín balançou as redes 16 vezes, média de quase um gol por partida. Hoje lidera a artilharia isolada do campeonato e, ao que parece, assim deve continuar. Além de decisivos e importantes, Gonzalo hoje é um dos líderes do Napoli e, ao lado de Sarri, tenta levar os partenopeis ao lugar mais alto da Itália. Mas, como em todos os times, nem tudo é uma maravilha. 

O início foi ruim, nos 5 primeiros jogos apenas uma vitória, mas foi a vitória. O 5 a 0 para cima da Lazio parece que acordou os jogadores e a partir da 6ª rodada foram 11 jogos sem derrotas, sendo 9 vitórias, em cima de equipes importantes como Internazionale, Milan, Juventus e Fiorentina, e dois empates que lhe custaram também a liderança, conseguida em cima da Viola, devolvendo ao topo à Internazionale.  

O que falta ao Napoli é o mesmo que falta a Fiorentina: Regularidade e não desperdiçar pontos em jogos considerados faceis. Reforços para o setor de meio campo e defensivo seriam de grande ajuda, no mais o Napoli, dentre os cinco, é um dos favoritos a brigar até o final pelo título italiano. 

Juventus: Em má fase sim, morta jamais 

Dos grandes, foi a que mais penou nesse início de temporada. Atual vice-campeã europeia, a Vecchia perdeu jogadores importantes como Andrea Pirlo, Arturo Vidal e Carlos Tevez. Muito por conta disso, Massimiliano Allegri demorou (e muito) até encontrar o time ideal, mas pelo visto, enfim, achou. Para o lugar de Tevez a Juve trouxe Mario Mandzukic, outro que sofreu com adaptação, mas aos poucos vem se familiarizando com o calcio.

Outra grande contratação foi a do jovem e talentoso Paulo Dybala, que sofreu com o peso da camisa mas também já vem mostrando estar acostumado com tamanha responsabilidade. Quem não chegou, porque já estava no time, e não decepcionou foi Álvaro Morata. Quando tudo parecia perdido, o espanhol surgia para decidir pela equipe de Turim, muitas das vezes na Champions League, sendo fundamental para a classificação da Vecchia para as oitavas de finais.

O campeão acordou?

Mas como foi dito no começo, o início foi ruim, e isso atrapalhou muito a vida da Juventus na Seria A. Em 10 jogos a Juventus só havia vencido apenas 3, muito pouco para quem é a atual tetra-campeã. Mas depois da derrota para a Sassuolo na 10ª rodada, o sinal verde foi ligado em Turim e não parou mais.

São até aqui 7 vitórias consecutivas, a última contra o Carpi no último domingo (20), fora de casa, por 3 a 2. Vitórias essas que tiraram o time bianconeri da segunda metade da tabela para a 5ª colocação, hoje estando apenas 3 pontos do lugar mais alto da classificação. 

Para conseguir o penta-campeonato consecutivo a Juventus precisa fazer contratações que realmente possam mudar a cara do time. Visivelmente a equipe sente a falta de alguém com mais criação e de um "novo" Vidal, que brigue por todas as bolas e apareça como surpresa na área.

Se tais jogadores chegarem, sem duvidas a Juventus será sim a favorita, mesmo na 4ª colocação, a levantar mais um scudetto. Além disso, vencer os jogos chaves também é importante, mas isso não deve ser um problema já que a maioria deles será em seu terreno, no Juventus Stadium. 

Roma: A certeza da incerteza 

Para a Roma ser campeã italiana ela, primeiro, precisa parar de "Romar". Para os mais leigos, a equipe da capital ganhou esse singelo adjetivo ao perder jogos, nos últimos anos, considerados tranquilos e muitos deles a derrota foi por conta dela própria. Há bons jogadores no elenco e uma equipe que pode brigar por todos os títulos na Itália, mas seus tropeços e deslizes continuam acontecendo e isso tem lhe custado muito caro. 

Os reforços que chegaram foram nomes conhecidos no futebol mundial. Para o ataque chegaram Edin Dzeko e Mohamed Salah, o último sendo destaque no campeonato passado pela Fiorentina. No gol, Wojciech Szczesny chegou para fazer sombra à De Sanctis e acabou se tornando titular.

Além desses, nomes como Florenzi, Gervinho, De Rossi e Pjanic permaneceram no clube, ou seja, um elenco forte que viria com tudo para brigar pelo campeonato, viria. 

E a Roma, vai ou não vai?

Nas 5 primeiras rodadas foram duas vitórias, uma delas em cima da atual campeã Juventus. Mas depois houveram duas "Romadas": Empate, em casa, contra a Sassuolo e derrota para a Sampdoria. Na sequência vieram 5 vitórias consecutivas, incluindo goleada em cima do Carpi e vitória, fora de casa, diante da Fiorentina.

Mas os tropeços voltaram a se repetir e nas últimas 5 rodadas só venceram um jogo, contra o Genoa, no último domingo (20), em casa, por 2 a 0. A classificação para as oitavas de finais da Uefa Champions League aconteceu, não foi nada fácil, mas a equipe comanda por Rudi Garcia avançou na competição e agora tem pela frente "só" o Real Madrid.  

Com a pausa para as festas, especulasse que Rudi Garcia, que já não é unanimidade nos giallorossi, talvez nem volte em Janeiro. Se a ideia é mudar para tentar uma reviravolta, esse é o melhor momento. Apesar da 5ª colocação, a equipe da capital já mostrou que elenco, futebol e capacidade tem, se o problema é alguém que consiga fazer isso funcionar esse é o momento ideal para mudanças.

No restante, algumas contratações para o setor defensivo e alguém que possa jogar ao lado de Dzeko, já que Juan Iturbe não se firmou e até está de malas prontas para outro clube. No mais, a única certeza que temos é que a Roma é uma equipe incerta, que pode se esperar tudo e também nada ao mesmo tempo. 

Milan: Olha, se deixar eu chego 

Não erramos a conta, são 5 mesmo os que brigam pelo título, mas, mesmo na 6ª colocação e 8 pontos do 1° colocado, não se pode falar de futebol italiano e deixar um dos maiores clubes do país de fora. Ao lado da Internazionale, o time rossonero foi um dos que mais contratou.

Trouxe jogadores para o ataque, meio-campo e defesa. Dentre os principais está a contratação do brasileiro Luiz Adriano e do colombiano Carlos Bacca, que não sofreu com adaptação e hoje é um dos artilheiros do calcio com 10 gols, o mais regular da equipe até o momento. O problema do Milan é a instabilidade, os altos e baixos que o time sofre e também os tropeços em jogos mais tranquilos.

Bacca tenta carregar o Milan nas costas

O início não foi ruim, mas também não foi dos melhores. Em 5 jogos foram 3 vitórias e duas derrotas, ambas para equipes da parte de cima da tabela: Fiorentina e Internazionale. Depois vieram duas novas vitórias, em cima de Palermo e Udinese,  e derrotas para Genoa e uma sonora goleada do Napoli em pleno San Siro por 4 a 0.

Ainda assim, dos 17 jogos até aqui foram 8 vitórias, 4 empates e 5 derrotas. Sonhar com títulos talvez esteja longe da realiadade, mas uma vaga na próxima Uefa Champions League não pode ser descartada. Os times da parte de cima, tirando a Juventus, vivem altos e baixos, ora vencem, ora perdem, e isso acabou facilitando para que o time rossonero colasse nos lideres do campeonato.

Se Sinisia Mihajlovic, treinador do Milan, conseguir manter uma regularidade e continuar contando com os deslizes dos adversários, o Milan chegará sim para brigar pela parte de cima da tabela, mas se quiser o scudetto a campanha do segundo turno terá de ser impecável, e do futebol não se pode duvidar nada, já que, como dizem por ai, ele é uma caixinha de surpresa. 

Cinco equipes brigam pelo campeonato, 21 jogos a serem disputados, times sobem, outros descem, uns vencem, outros perdem, e assim o campeonato italiano segue, disputado, apertado, mas somente um, ao final das 38 rodadas, vai gritar 'É campeão'. Senhoras e senhores, façam suas apostas.

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