Bra-Pel: a mistura do ouro e do vermelho
Mithyuê comemorando gol no último clássico disputado, que deu ao Pelotas o título da Copa Sul Fronteira (Foto: Reprodução/Jô Folha/Diário Popular)

Tudo começou com um cinco a zero no dia 20 de abril de 1913. 100 anos se passaram e três histórias foram escritas: as individuais de Brasil e Pelotas e a história do clássico, como um todo. Dias de glórias não faltaram. Tanto o rubro-negro como o áureo-cerúleo deram alegrias as suas torcidas, assim como tristezas aos rivais.

Com fama de jogo de poucos gols nos últimos anos, o atual momento não condiz com a história: ainda no ano de 1913, no segundo Bra-Pel da história disputado no Estádio Avenida, o Lobo aplicou uma sonora goleada de sete tentos contra zero do time da Baixada, totalizando doze gols marcados e nenhum sofrido nos dois embates que tiveram. Dez anos depois, em bom momento e ainda no embalo de ter conquistado o título estadual em 1919, o Xavante deu o troco. No mesmo estádio, venceu também por 7 a 0. Os dois jogos ainda figuram como as maiores goleadas da rivalidade.

O Pelotas não deixaria para trás. Em 1930, em um campeonato que contava com a presença de Grêmio, 14 de Julho de Passo Fundo, Guarani de Alegrete e o Novo Hamburgo, o clube pelotense sagrou-se campeão ao empatar com os tricolores de Porto Alegre por 3 a 3, no estádio Eucaliptos, com três gols de Marcial. Naquela partida, os esquemas táticos eram diferentes. As duas equipes entraram em campo no ousado 2-3-5, bastante comum à época.

Iguais em títulos estaduais, também iguais em grandeza. Cada um com suas impossibilidades, com suas possibilidades e individualidades. O Pelotas, sempre ligado à elite da cidade e o Brasil aos menos favorecidos, - imagem esta que mudou bastante nos últimos anos -. De viagens ao exterior e rebaixamentos, de vida e morte, de sorrisos e tragédias. De Bra-Pel à Bra-Pel a história se fez.

O sentimento do clássico é inexplicável. Se pudessem atribuir sinônimos ao termo do embate, talvez usassem “raça”, “paixão”, “garra” e “torcida”. Sim, torcida, pois sem ela o confronto não teria metade de beleza que tem. Os aficionados falam por si só.

Sem ter destaque nas grandes mídias, a história sobrevive ano a ano. De pai pra filho, de vizinho pra vizinho, de esquina em esquina, de bar em bar. Dizem os estudiosos que nada se cria, mas tudo se copia. Dizem, pois não conhecem o maior confronto do sul do Rio Grande do Sul. Em todos os pontos do Bra-Pel há algo diferente, algo que não se vê por aí. Talvez uma dádiva dos deuses do futebol, que se compadecem dos grandes clubes.

Atualmente, os times não vivem uma grande realidade. Brasil e Pelotas, apesar de estarem na primeira divisão do Gauchão, sendo que o Xavante conquistou o acesso este ano, não disputam nenhuma competição nacional. Os projetos dos últimos anos são falhos e não correspondem ao tamanho das equipes, embora o áureo-cerúleo esteja em rumo certo desde o ano passado, que pode ser extremamente benéfico.

Apesar dos pesares, das diferenças atuais, do que conquistaram ou não, Brasil e Pelotas nunca foram e nunca serão da mesma forma. Assim como irmãos que brigam fortemente, que tentam superar um ao outro, que desejam mostrar que podem fazer mais, chegar mais longe, ser o maior, o mais forte. E é disso que o Bra-Pel sobrevive e sempre sobreviverá. 

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