Brasil enfrenta Camarões precisando de apenas um empate para ir às oitavas

O técnico Luiz Felipe Scolari e os jogadores da seleção brasileira têm minimizado os pecados que cometeram no empate sem gols com o México, na semana passada. Para provar que estão com a razão, jogarão na capital federal na tentativa de buscar a classificação às oitavas de final da Copa do Mundo de forma convincente contra a já eliminada equipe de Camarões.

Com os mesmos quatro pontos ganhos pelo México, o Brasil lidera o Grupo A e poderá até empatar nesta última rodada. Camarões perdeu os dois jogos que disputou até então, enquanto mexicanos e croatas farão confronto direto na Arena Pernambuco, por uma vaga na próxima fase.

Ainda assim, Felipão provavelmente voltará a escalar o Brasil com a formação da partida de estreia. O técnico havia sacado o atacante Hulk, que reclamou de desconforto muscular na coxa esquerda (mas estava recuperado) para a entrada de Ramires, contra o México. O meio-campo nacional ficou confuso com a alteração, com dificuldades para transpor a marcação adversária.

Camarões sabe bem o quanto uma Copa do Mundo é mais difícil. Apesar de ter vencido em 19 de junho de 2003 o seu último encontro com o Brasil (por 1 a 0, com gol do astro Samuel Eto’o), justamente em uma Copa das Confederações, o time só ganhou um dos últimos 15 jogos que disputou em Mundiais. Foi em 2002, contra a Arábia Saudita.

Para piorar, Camarões vivenciou discussões entre o elenco e a direção de sua federação por premiação, além de ter perdido Song, expulso na derrota por 4 a 0 para a Croácia. Assou-Ekotto, que brigou em campo com Moukandjo, também deixará o time titular. O veterano Samuel Eto’o, lutando contra um problema no joelho direito, completa a lista de ausências no início do jogo.

Brasil tem a volta de Hulk na equipe principal

O empate com o México não estava nos planos, e a seleção entra em campo contra Camarões, nesta segunda-feira (23), ainda sem a vaga assegurada nas oitavas de final da Copa do Mundo. A eliminação precoce e a crise do adversário aliadas à necessidade de apenas um empate enchem os brasileiros de confiança. É bom, no entanto, os jogadores brasileiros entrarem ligados. Apesar do retrospecto contra os africanos ser positivo, algumas lembranças não são tão favoráveis.

Brasil e Camarões já duelaram quatro vezes. A vantagem verde-amarela é ampla, com três vitórias e uma derrota. Mas o tropeço aconteceu justamente no último confronto. Em 2003, sob o comando do atual coordenador técnico, Carlos Alberto Parreira, os brasileiros perderam na estreia na Copa das Confederações. No Stade de France, em Saint Denis, Samuel Eto'o – dúvida para o jogo – fez o único gol do jogo. O resultado colaborou com a eliminação precoce do Brasil na primeira fase do torneio.

Foi a única derrota da seleção para um adversário africano. No geral, o retrospecto é altamente favorável ao Brasil. No total, foram 32 vitórias em 33 jogos. O único tropeço foi justamente esse para Camarões, em 2003. Em todos os confrontos, a equipe verde-amarela fez 88 gols e sofreu apenas 13.

A população de Brasília deu mais uma demonstração de carinho à seleção brasileira na noite deste domingo (22). Após o treino de reconhecimento no Mané Garrincha, o time de Felipão foi recebido por aproximadamente 300 torcedores na porta do hotel em que está hospedado na capital federal, por volta das 21h.

Parreira lamentou o fato de o Brasil chegar ao terceiro jogo sem a vaga garantida para as oitavas, mas disse acreditar que a equipe terá sua melhor atuação até agora contra Camarões, nesta segunda-feira.

"É melhor chegar na terceira rodada classificado. Põe um pouco mais de responsabilidade. O Felipão poderia dar alguma mexida, poupar alguns jogadores com cartão, mas agora somos obrigados a entrar com o time completo porque o jogo é decisivo. Mas em função de pensarmos em título, na próxima fase, não muda, porque o time está crescendo de produção, está confiante. Com certeza, vamos fazer dessa partida contra os Camarões o melhor jogo dessa fase inicial", afirmou Parreira, em entrevista ao programa Esporte Espetacular.

Não só vencer, como também convencer, mas sem a preocupação em dar espetáculo. É isso o que a seleção quer na partida desta segunda-feira contra Camarões, em Brasília, pela terceira e última rodada do Grupo A da Copa do Mundo. O zagueiro e capitão Thiago Silva, garante que não existe pensamento de que a partida será fácil, tampouco que o objetivo seja dar show. No entanto, destaca que o grupo sabe que precisa de uma boa exibição para garantir a classificação às oitavas de final do Mundial.

"A impressão que nós queremos passar ao mundo é de equipe coesa, que joga futebol coletivo da melhor maneira possível. Nos últimos jogos, tivemos algumas dificuldades, mas é normal numa Copa do Mundo. Queremos mostrar o comprometimento que temos entre nós. Para confirmar nossa classificação, temos que fazer um grande jogo. Camarões é um time traiçoeiro, joga bem, enfrentei muitos deles na França. Para não sermos surpreendidos em casa, temos que estar atentos", disse o capitão brasileiro.

O técnico Luiz Felipe Scolari abriu para os jornalistas somente os primeiros 15 minutos do treino da seleção brasileira neste domingo, de reconhecimento do gramado no Estádio Nacional Mané Garrincha, em Brasília. Porém, antes de mandar fechar, três alterações puderam ser percebidas. Assim como tinha feito na parte final da atividade de sábado, na Granja Comary, o treinador iniciou o trabalho sem os pendurados Neymar, Thiago Silva e Luiz Gustavo e apostou nas entradas de Willian, Dante e Fernandinho - Ramires é o outro que tem cartão amarelo, mas é reserva.

Brasil fez o treino de reconhecimento no Estádio Nacional (Foto: Rafael Ribeiro/CBF)

Logo na primeira pergunta da entrevista coletiva oficial da Fifa no Estádio Mané Garrincha, Felipão foi questionado sobre quem preferia enfrentar na próxima fase. Começou a responder brincando, mas depois mostrou contrariedade com o que o treinador Louis Van Gaal, da Holanda, disse neste domingo, sobre os horários dos jogos do Grupo B serem antes do A. Segundo o holandês, assim, os anfitriões são beneficiados e podem escolher o adversário do mata-mata - caso a equipe verde-amarela fique em primeiro lugar da chave, duela com o segundo colocado da outra.

"Eu prefiro a Espanha. Já não está mais aqui. Seria WO. Primeiro, temos que pensar que temos que ganhar amanhã, temos que classificar. Alguns se manifestam dizendo que vamos escolher adversários. Ou são burros, ou mal-intencionados. Se perdermos, nós podemos não classificar. Não temos que escolher ninguém", afirmou o treinador, primeiro arrancando risos dos jornalistas, depois, deixando o clima um pouco mais pesado na sala.

Com desfalques e já eliminado, Camarões quer vencer para apagar campanha ruim

Camarões nesta Copa do Mundo, por enquanto, é sinônimo apenas de desorganização, brigas internas e um futebol fraco dentro de campo, incapaz de fazer sequer um gol e que chega à terceira rodada já sem chances de avançar às oitavas de final. O time atual em nada lembra o estilo de jogo alegre, ofensivo e também eficiente dos tempos de Roger Milla, craque da equipe que em 1990 mudou a percepção do mundo sobre o futebol não só camaronês, mas africano em geral.

A última oportunidade de recuperar parte dessa impressão é justamente na próxima segunda-feira, às 17h, contra a seleção brasileira, no estádio Mané Garrincha, em Brasília. A motivação camaronesa pode não ser a de quem ainda pensa em se classificar às oitavas, mas existe, segundo o treinador.

"O terceiro jogo é especial, de certa forma. É impossível deixar a Copa do Mundo com todos tendo a impressão de que o nível de Camarões é esse que tivemos contra México e Croácia. Essa é a nossa motivação, provar que podemos fazer mais", afirma Finke.

A presença de Samuel Eto'o contra o Brasil ainda é um mistério. Sem treinar com bola desde a estreia de Camarões (derrota por 1 a 0 para o México, no dia 13 de junho), o atacante pode ser utilizado por alguns minutos no duelo desta segunda-feira, a partir das 17h (de Brasília), no Mané Garrincha, na despedida dos africanos da Copa do Mundo. O técnico Volker Finke descartou começar com Eto'o no time titular, mas deixou no ar a possibilidade de utilizá-lo no decorrer da partida.

"Para amanhã (segunda-feira), é um pouco incerto. Talvez possa ajudar por alguns minutos, atuar por alguns minutos. Mas começar como titular, não. Eu não acredito que haja algum milagre durante a noite. Como titular, eu acho impossível. Mas pode ser que atue por alguns minutos. Por isso eu acho incerto", afirmou Finke, em entrevista coletiva na tarde deste domingo, após o treino de reconhecimento no Mané Garrincha.

Samuel Eto'o não participou do treino de reconhecimento de Camarões no Mané Garrincha, durante os 15 minutos liberados para o acompanhamento da imprensa. Apesar de ter deixado Vitória-ES sem proteção no joelho direito, o atacante ficou fora da atividade física com o restante do elenco nos minutos iniciais, em um sinal de que chega a Brasília com poucas chances de enfrentar o Brasil, nesta segunda-feira, às 17h (de Brasília), pela terceira rodada do Grupo A da Copa do Mundo.

Os convocados, assim que entraram em campo, fizeram uma roda, se abraçaram e depois iniciaram uma corrida em torno do campo. Neste momento, Eto’o parou para tirar foto com alguns policiais, caminhou com um fone de ouvido na mão esquerda e sentou no banco. Viu de lá ainda seus companheiros darem piques e trocarem passes.

No último treino de Camarões no estádio Kleber Andrade, em Cariacica, Volker Finke esboçou o time que deve colocar em campo para o jogo contra o Brasil. Em coletivo que teve apenas dez jogadores de cada lado, o treinador alemão deu sinais de que fará mudanças, entre elas a barração do lateral-esquerdo Assou-Ekotto, que deu uma cabeçada no companheiro Moukandjo durante a partida contra a Croácia.

Sem entrevistas no sábado passado (21), não houve explicação se a possível barração de Ekotto teria relação com o episódio de quarta-feira passada (18). Já Moukandjo treinou entre os prováveis titulares.

O foco principal das mudanças deve ser a defesa. Apenas N'Koulou tem lugar garantido. Neste sábado, na atividade que começou por volta de 17h30, Nyom ganhou uma chance na lateral direita, Matip na zaga e Bédimo na lateral esquerda, nas vagas anteriormente ocupadas por Mbia, Chedjou e Assou-Ekotto.

Nguemo também compôs o time principal, no meio-campo, ao lado de Enoh, e pode ser o substituto de Song, suspenso. O ataque, caso Eto'o não se recupere da lesão no joelho, seria repetido com Moukandjo, Aboubakar e Choupo-Moting.

Para o meia Jean Makoun, do Rennes, da França, que tem chances de ser uma das novidades contra o Brasil na partida da próxima segunda-feira, apesar dos questionamentos feitos ao trabalho de análise e pesquisa da comissão técnica, o Brasil será bem estudado. Segundo ele, Camarões vai se dedicar para surpreender o time de Luiz Felipe Scolari.

"Antes de cada jogo, vemos vídeos dos adversários e vamos estudar bem o Brasil da mesma forma. Vamos gastar um bom tempo com a análise tática até a partida, além do trabalho no campo. Queremos sair de cabeça erguida da Copa do Mundo. O Brasil vai tentar nos dominar rapidamente, ainda não está classificado, mas vamos tentar nos despedir deixando uma boa imagem", diz Makoun, que vinha de lesão no tornozelo.

VAVEL Logo