Marlone revela que chegou a comer resto de comida largado para saciar fome na base do Vasco
Marlone marcou o gol do Sport no empate diante do Atlético-PR, na Arena da Baixada, na última rodada do Brasileirão (Foto: Divulgação/Sport)

Um dos pilares para o sucesso do Sport no Campeonato Brasileiro, Marlone iniciou sua trajetória no futebol profissional defendendo as cores do Vasco. O garoto da pacata cidade de Augustinópolis, no Tocantins, chegou à equipe profissional do Gigante da Colina em agosto de 2012 e era considerado um prodígio do futebol brasileiro. Porém, engana-se quem pensa que o meia não passou dificuldades antes de realizar seu sonho de se tornar um jogador de futebol.

Em entrevista ao canal Fox Sport, Marlone relembrou as dificuldades que passou na equipe juvenil do Vasco e fez um comovente desabafo sobre o que se submeteu a fazer para não passar fome.

Eu não me envergonho de contar porque eu vivi na pele. No alojamento do Vasco, quem tinha contrato com a base, tinha café às 7h e almoço ao meio-dia. Mas até a janta era um espaço muito grande e jovem tem bastante fome, né? Nesse intervalo, quem tinha dinheiro, ia pra fora do estádio e comprava um biscoito, algo pra saciar a fome”, disse Marlone.

O atleta confessou que às vezes mentia para seu pai sobre sua condição dentro do alojamento vascaíno. “Meu pai mandava um dinheiro por mês pra mim, mas não era o ano todo. Até porque eu não pedia, porque eu queria ajudar minha família também. Eu falava ‘não pai, tá tudo bem’, quando na verdade tava mal”, contou.

E teve um tempo que o Vasco jogava sábado e isso era bom para quem morava na concentração, pois tínhamos algo para nos distrair. Mas no domingo era tenso. Quem era do Rio, ia pra casa dos pais, e ficavam poucas pessoas na concentração. E quantas vezes, depois do jogo do Vasco, ficava aquele lixo na arquibancada e eu ia buscar comida. Biscoito que sobrava, saco de amendoim com formiga, eu comia isso pra saciar a fome. E eu olhava pro campo, chorava e pensava: ‘um dia vou estar ali. Um dia a torcida vai gritar meu nome e eu vou fazer um gol como profissional’. Eu ficava largado na base.

E quando os meus colegas dormiam no chão, eu ficava sem sono e desenhava o campo de São Januário, eu marcando gol, eu dando entrevista. E tenho isso até hoje. Graças a Deus, meu sonho se realizou”, finalizou, emocionado.

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