Em 1980, Atlético-MG goleia América-MG e se consagra tricampeão mineiro
Foto: Reprodução/Terceiro Tempo

No próximo domingo (1º), América-MG e Atlético-MG começam a decidir mais um Campeonato Mineiro. A partida será no Independência, às 16h. As duas equipes já protagonizaram vários embates decisivos, sem ser necessariamente uma final de campeonato. Bastava o resultado de um jogo para definir o título de competição, ainda que outras rodadas viessem pela frente.

Foi o que aconteceu em 1980. Atlético e América realizaram uma boa campanha na primeira fase, que era composta por 21 times divididos em três grupos de sete equipes. Os dois primeiros colocados passavam para um octogonal final, e ainda os dois melhores terceiros colocados, no caso, Esportiva de Guaxupé e Guarani de Divinópolis.

Durante o campeonato, o Atlético foi quase perfeito. Só não foi por que empatou uma partida, contra o Guarani, no Mineirão, por 0 a 0, e perdeu um único jogo contra o Alfenense, em Alfenas, por 1 a 0. Tamanha regularidade se refletiu no octogonal decisivo, onde o Atlético terminou invicto. Por outro lado, o América fez uma boa campanha, mas não o suficiente para brigar pela taça de campeão. No entanto, o Coelho garantiu participação na Taça de Prata (segunda divisão) de 1981.

Sem dó e nem piedade, Galo goleia e é tricampeão mineiro

O Atlético era por um elenco bem sucedido, formado nas categorias de base do clube nos anos 1970. As exceções ficavam pelo zagueiro Osmar, o lateral-esquerdo Jorge Valença, o volante Chicão, o meia-atacante Palhinha, e os pontas Pedrinho e Éder. O Galo era tão forte, que no meio da temporada de 1980, foi vice-campeão brasileiro.

Por sua vez, o América também tinha vários jovens formados em suas categorias de base. O destaque ficava por conta do centroavante Wagner e do meia-atacante Mateus. Além de contar com nomes experientes, casos do goleiro Hélio, e do ponta-direita Eli Mendes.

No Mineirão, um coro de mais de 42 mil vozes deram o tom da partida, que começou alegre para o lado americano quando Eli Mendes abriu o marcador aos 15 minutos. Após o gol, o Coelho se retraiu em campo, dando campo para o Atlético. O Galo tanto insistiu que marcou com Palhinha, no final do primeiro tempo.

Na etapa final, só deu Galo, e embalado pelo esforço dos jogadores, o Atlético deu um verdadeiro show para o torcedor, mostrando para o atleticano porque a hegemonia do estado deveria ser alvinegra. Éder virou o jogo aos 17 e ampliou aos 23. Com o coro de campeão na garganta, Heleno fez o quarto aos 33, e Renato Queiroz colocou a última pedra no caixão americano, aos 42.

O resultado deu o tricampeonato mineiro ao Atlético com duas rodadas de antecedência, já que o Cruzeiro, outro postulante ao título, empatou sem gols contra o Uberaba, no Triângulo Mineiro, permitindo que o Galo comemorasse o título por antecipação.

E depois da goleada, o que aconteceu?

Com o Campeonato Mineiro decidido, ainda restavam mais duas rodadas para serem cumpridas. O Atlético recebeu o Guaxupé, no Mineirão, e emplacou uma goleada por 6 a 1. Em seguida, Cruzeiro e Atlético entraram em campo para encerrar o Estadual. O Galo não deu chances ao time celeste, e fez a alegria dos atleticanos. Éder marcou duas vezes e fechou o placar em 2 a 0.

Números e curiosidades

O Atlético fez uma campanha quase perfeita, com 18 vitórias, um empate e apenas uma derrota. Marcou 55 gols e sofreu oito gols. Éder foi o artilheiro da equipe na competição com 12 gols, seguido de perto por Reinaldo, que anotou 11 tentos.

Toninho Cerezo foi escalado contra o América quase sem condições de entrar em campo. O volante, que sequer treinou na semana da partida, foi titular no time comandado por Procópio Cardoso. Cerezo teve raça, força de vontade, e ficou em campo por quase 70 minutos, entre atendimentos médicos e descansos enquanto outros jogadores comemoravam os gols. Após a partida, Cerezo declarou à Revista Placar sua emoção pelo título.

Hoje, nós demos uma esporada violenta, não foi? Que garra! Que jogo! Que massa! Domingo que vem então... Ganhamos essa parada na categoria e eu tive de pedir ajuda a Deus para não sair no começo da partida. Agora, o Cruzeiro que se cuide, pois a espora do Galo está afiada”, declarou.

Ainda segundo a Revista Placar, publicada no dia 28 de novembro de 1980, o Cruzeiro ofereceu um bicho extra de 30 mil cruzeiros para os jogadores do América, além de dar o passe livre para Eli Mendes, jogador emprestado pelo time celeste ao Coelho, no final da temporada. Eli Mendes bem que tentou, chegou a colocar o time americano a frente do marcador, mas o Galo não deu brechas aos alviverde.

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