Mufarrej se pronuncia sobre crise financeira no Botafogo: "Queremos passar confiança ao torcedor”
(Foto: Vítor Silva/SSPress/Botafogo)

Mufarrej se pronuncia sobre crise financeira no Botafogo: "Queremos passar confiança ao torcedor”

Em coletiva o diretor de futebol falou com a imprensa sobre a crise que anda assombrando o Botafogo

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Tulio Moraes de Sales

Em 2017, o Botafogo viveu um dos seus melhores anos no quesito financeiro nos últimos tempos. Devido a disputa da Copa Libertadores da América e de ter alcançado as semifinais da Copa do Brasil, o Glorioso fechou o ano com um dos maiores superávits do ano entre os clubes brasileiros. 

Porém, nem tudo são flores. Este ano, o time passa por dificuldades para pagar os atrasados, seja o salário dos jogadores ou o Profut - programa de refinanciamento de dívidas. Além disso, o clube encontra dificuldades para obter a CND Certidão Negativa de Débito) da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, necessária para assinar o patrocínio com a Caixa Econômica Federal, cada vez mais perto. 

Nelson Mufarrej, Presidente do clube, em entrevistao ao Globoesporte.com se pronunciou pela primeira vez sobre este assunto.

Mufarrej admitiu que que mesmo após recebimento do patrocínio, no valor de R$ 10 milhões, será ainda necessário vender algum jogador para que o clube possa respirar um pouco melhor. 

O mandatário alvinegro confessou que não descartou pegar empréstimos para aumentar o fluxo de caixa, mas sem fazer nenhum exagero que possa vir a comprometer a saúde financeira alinegra. 

Mufarrej falou como está sendo lidar com esta dificuldade financeira:

"A gente teve essa experiência no final de 2014 e início de 2015. Acontece que as coisas foram evoluindo, receitas vieram... Umas de televisão, outras de jogador: o Dória tinha sido vendido e começamos a receber; depois teve o Ribamar; o Pimpão, que depois voltou... Essas coisas fazem parte, e você vai sobrevivendo a todo esse cenário. O que aconteceu em 2016 e 2017 é que a renovação do contrato de transmissão deu uma injeção para todos os clubes, e deu para respirar.

Se você pegar 2017, não vendemos ninguém. Ficamos até em uma posição tranquila também com a Copa do Brasil e a Libertadores. Esse ano eu, quando candidato, avisei que 2018 seria difícil, a gente sabia. Lógico que você imagina que não vai acontecer, mas às vezes acontece. Em maio tivemos que atrasar os salários dos jogadores e funcionários, mas pagamos. Agora pagamos junho para parte dos funcionários, está sendo escalonado. A gente está procurando dar ao torcedor essa confiança de que estamos lutando."

Sobre a questão da CND:

"Estamos tentando obter recursos através de antecipações de valores, gerando nisso receita para tentar tirar a CND e fechar o contrato com a Caixa, que está só esperando. Tem que ser sincero e transparente para as pessoas entenderem a nossa filosofia de trabalho. Se houvesse as receitas do ano passado, não estaríamos nesse problema. Estava com o Conselho Fiscal explicando”.

“É um fato do dia a dia do Botafogo em programar receitas. Nós perdemos na primeira fase da Copa do Brasil, se até agora tivéssemos nos mantido, teríamos uma receita que estava prevista. Lamentavelmente nós saímos. Por outro lado, tem o título do Carioca, entrou uma receita que não estava prevista. Mas as premiações da Copa do Brasil são muito maiores do que as do Carioca, embora tenha sido uma conquista muito importante. A taça já viajou o Brasil”.

“Evidentemente, outra grande fonte de recurso são os ativos. Todos os outros clubes estão vendendo, nós estamos tentando. Esperamos que a gente consiga nessa janela, é nosso objetivo. Não que a casa esteja desarrumada, mas para colocá-la no eixo. Assim a gente vai fazendo nosso dia a dia. É chato, triste para a gente (a situação), mas ao mesmo tempo tem um otimismo muito grande. E os botafoguenses sabendo disso vão torcer mais ainda para que dê tudo certo."

Com relação ao pensamento sobre empréstimos, Mufarrej deixou claro que não é o que desejam, porém é preciso:

"Evidentemente tem que haver alguma antecipações, é o que estamos fazendo. Seja de televisão, do Carioca... Lógico que não é o que gostaríamos. Agora, de banco privado acho bom e tudo, mas até agora não vi. Se aparecer algum dentro de uma condição de taxa (de juros) que seja interessante, por que não? Não fechamos as portas, mas temos consciência do que fazemos."

Sobre o patrocínio com a Caixa, foi perguntado ao Presidente se o clube vai receber o retroativo relacionado à exposição dna camisa desde janeiro:

"Essa é uma boa pergunta. Não sei como a Caixa irá se portar. Seria bom se ela fosse retroativa a nós, entrariam mais parcelas. Mas ela pode ter o direito de dizer que não porque só assinou agora. A gente ainda não conversou. Primeiro tem que assinar, depois vamos sentar e acordar."

O CT alvinegro é uma das coisas mais aguardadas pela torcida. Além disso, alguns torcedores estão receosos que a situação financeira do clube venha a interferir na finalização do novo espaço do time.

"Não está porque estamos fazendo agora um projeto com a Tecnoplano do que vamos fazer naquela área. Se vai dar dois, três, cinco campos... Tem áreas construídas que vão ter que ser demolidas... Isso tudo está sendo feito no projeto. Até agora não finalizou para discutirmos. Acredito que em uns 15 dias saia o projeto para analisarmos. Deve ter atrasado por causa da Copa do Mundo, que mexe muito com a gente. Até levantaram uma hipótese de que não teríamos pagado a Tecnoplano, mas está em dia, tudo bonitinho."

Uma das principais especulações a cerca do clube nesta janela de verão europeu foi relacionada à venda das jóias alvinegras, Igor Rabelo e Matheus Fernandes. Muitos torcedores desejam que as negociações sejam concretizadas para que o clube tenha um dinheiro extra para fechar o ano no azul.

"Olha, eu sou um presidente muito ativo, procuro estar sempre acompanhando. Mas não gosto de ficar ligando toda hora para o meu vice de futebol, o Gustavo Noronha, nem para meu gerente de futebol, o Anderson Barros. Eles estão mais ligados nisso. Lógico que quando tiver alguma coisa eles vão me ligar. No momento, o que eu sei é que existem propostas que estão sendo encaminhadas, mas ainda não tem definição."

Sobre reforços no clube alvinegro:

"No momento, não há como. Enquanto a gente não acertar essa parte toda, não podemos pensar em nenhuma contratação. Pode aparecer gente dizendo: "Presidente, quer o Marcelo para você"? É de graça? Se tiver que contratá-lo não temos nenhuma condição para isso."

Paquetá:

"Tivemos uma mudança de treinador, o Valentim nos deixou por um motivo justo, não temos condições de enfrentar um mercado financeiro tão difícil. E contratamos o Marcos Paquetá, que é uma pessoa de experiência muito grande, que conhece futebol. Os jogadores vão entender e estão com ele, pelos treinamentos que a gente vem acompanhando. Estamos juntos fazendo essa corrente. Temos uma fé plena nele."

Ambição do clube na Libertadores:

"Está igual cavalo de corrida, estamos correndo por fora. É possível que os outros se distraiam e a gente belisque lá uma vaga. É difícil, tem grandes equipes disputando, mas nós também, guardadas as devidas proporções, estamos lutando para isso, de repente podemos chegar lá. Temos tudo para fazermos um bom jogo nesta quarta contra o Corinthians."

Copa do mundo:

"Quando cheguei a Londres, fiquei com eles lá acompanhando e observando como estava sendo dirigida a Seleção. De uma forma maravilhosa, o Tite teve um papel espetacular, de conceituação, filosofia de vida, de tudo. Fiquei assim, admirado. E também com os jogadores. Saí de lá, fui para Viena, teve o jogo da Áustria, e voltei de lá convicto. Falava com meus amigos: Não vejo o Brasil perder essa hexa, não. Mas a gente esquece que o mata-mata te mata mesmo, te pega na esquina quando menos se espera. Aconteceu conosco contra a Aparecidense. Lamentavelmente nos pegou, mas tenho certeza que os dirigentes da CBF vão ter tranquilidade de manter o Tite, de quem sou fã. Tem que fazer um trabalho de mais quatro anos, que vai se consolidar com o título."

Futuras convocações de jogadores alvinegros:

"É muito cedo para falar, mas isso aí tem que ser o técnico. Tem que fazer todos os cursos para chegar lá. Prefiro ficar admirando mesmo o trabalho que o Tite emprega aos times por onde passa."

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