Para Ceni, Fortaleza errou ‘um pouco acima do normal’ contra o Cruzeiro
Ceni atentou para o elevado número de erros de passe de sua equipe no Mineirão (Foto: Divulgação/Fortaleza E.C.)

Em partida recheada de expectativa, seja pelo duelo entre duas equipes que buscam permanecer na Série A, ou pelo reencontro entre Cruzeiro e Rogério Ceni, o Fortaleza voltou a não realizar boa atuação longe da Arena Castelão e ficou no empate em 1 a 1. O gol dos cearenses foi marcado pelo atacante Wellington Paulista, que chegou ao seu 11º tento na competição.  

Com o resultado, o Tricolor alcançou os 32 pontos e manteve distância de três para o próprio Cruzeiro, equipe que abre o Z-4 com 29 pontos. Na 14ª posição, o Leão conquistou 9 vitórias, 5 empates e sofreu 14 derrotas. São 31 gols marcados e 38 sofridos. A campanha como visitante requer atenção especial. Foram apenas dois triunfos longe do Castelão, diante de CSAChapecoense.  

Últimos jogos do Leão fora de casa: Santos 3 a 3 Fortaleza; Bahia 1 a 1 Fortaleza; Athletico-PR 4 a 1 Fortaleza; São Paulo 2 a 1 Fortaleza; Vasco 1 a 0 Fortaleza; Cruzeiro 1 a 1 Fortaleza. São três derrotas e três empates.  

No mapa de calor do aplicativo de estatísticas Footstats, ante os mineiros, o Fortaleza concentrou sua posse de bola no campo defensivo, com 42.95%; no setor de meio-campo, a porcentagem ficou em 38.21%; e apenas 18.83% no ataque. As maiores trocas de passes foram realizadas entre o zagueiro Paulão e o volante Felipe; entre o volante Juninho e o lateral-esquerdo Carlinhos; e, por fim, entre os volantes Felipe e Juninho.

Ao todo, o Leão terminou o duelo com 40% de posse de bola e somente uma finalização certa no alvo do goleiro Fábio, a do gol de empate do atacante Wellington Paulista, que chegou aos 11 gols e se iguala a Gilberto, do Bahia, no terceiro posto da artilharia do Campeonato Brasileiro. Na frente do avante da equipe cearense, apenas Gabriel (19 gols) e Bruno Henrique (12 gols), ambos atacantes do líder Flamengo.

Em entrevista coletiva após o empate obtido em Minas Gerais, o técnico Rogério Ceni comentou sobre a atuação de seus comandados e lembrou de jornadas anteriores mais convincentes.

"Sabíamos que, provavelmente, a posse de bola seria um pouco maior do Cruzeiro, eles teriam mais controle do jogo. Contra-atacamos em velocidade mas não tomamos as decisões corretas. Perdemos muita bola com facilidade, muitos erros de passe hoje. Acima do normal. Jogamos bem melhor contra Grêmio e Flamengo. Mas o que fica de positivo é mesmo sofrendo um gol a equipe não desistiu, lutou e ainda teve uma boa oportunidade no final com o Kieza. Erramos um pouco acima do normal, tivemos poucas oportunidades de gol por errarmos o último passe nos contra-ataques", analisou. 

Mesmo com a má atuação, Rogério enalteceu o resultado e lembrou a diferença orçamentária entre os dois clubes.

"Jogar duas partidas contra o Cruzeiro, ganhar em Fortaleza e empatar aqui, ou seja, fazer quatro pontos é algo a ser comemorado por uma equipe que sobe da Série C para a Série B e da B para a A. Sabemos as diferenças de orçamento, você conseguir conquistar pontos preciosos assim valoriza ainda mais. Foi importante para dar sequência na caminhada e fazer com que o Fortaleza no final do campeonato não esteja entre os últimos quatro colocados", pontuou. 

Reencontro aguardado

Após passagem frustrada pelo Cruzeiro, onde não conseguiu desempenhar o trabalho esperado, além de divergências públicas com alguns atletas como o lateral-direito Edílson e, principalmente, o meio-campista Thiago Neves, o técnico Rogério Ceni fez questão de elogiar o clube mineiro, a torcida e a sua satisfação pessoal de sempre retornar ao Mineirão.

"Sempre um prazer jogar aqui (Mineirão) desde a época em que eu atuava pelo São Paulo. Estádio gostoso, acolhedor, a torcida sempre se faz presente, vem apoiando o Cruzeiro nessa situação difícil. Para mim super especial e poder rever grandes amigos que deixei, a maioria dos jogadores vindo cumprimentar, sei do carinho de todos, da maneira como foi conduzido o trabalho, do profissionalismo. Você sai com a consciência tranquila, coração tranquilo, faz parte do mundo do futebol, mas é sempre bom voltar a jogar contra um time da grandeza do Cruzeiro", disse.

O comandante leonino ainda teceu mais comentários sobre o trabalho interrompido na Raposa e ressaltou sua gratidão pelo tricolor cearense ao firmar retorno até o final de 2019.

"Para qualquer pessoa que venha para um lugar novo com contrato de 16 meses e você ficar menos de 2 meses não tenha dúvida que não é o que você esperava, mas assim é o futebol brasileiro, a gente não pode colocar a instituição, mas uma ou outra pessoa vê o futebol dessa maneira. Queria, na verdade, ter descansado depois da saída do Cruzeiro, foi bastante corrido o ano com os títulos do Fortaleza, sempre deixando o time fora do Z-4, depois vindo para o Cruzeiro. Mas não poderia deixar de ter a gratidão que o Fortaleza sempre teve comigo e, por isso, decidi voltar a pedido do presidente (Marcelo Paz) e continuar o trabalho. Tomara consiga entregar o que o torcedor espera e o que traçamos no começo do ano que era fazer com que o Fortaleza ficasse na Série A para 2020", discorreu Ceni. 

Mais um "jogo de seis pontos"

A temporada em reta final não permite tempo para maiores lamentações. Na próxima quarta-feira (30), diante do Avaí, às 19h30, na Ressacada, em partida válida pela 29ª rodada, o Fortaleza vai em busca dos três pontos em mais um confronto direto pela permanência na primeira divisão. 

Rogério Ceni comentou sobre a logística programada pelo Leão visando o importante compromisso diante dos catarinenses e descartou pensar, desde agora, nas partidas posteriores na sequência leonina no campeonato. 

"Para nós seria inviável voltar hoje para Fortaleza e, talvez, na segunda à noite descer novamente até Santa Catarina. Então foi a melhor escolha que nós encontramos. São Paulo, como fica centralizado, o clube tem boa relação com os grandes paulistas, a gente conseguiu centro de treinamento para trabalhar. Segunda e terça trabalhamos pensando no Avaí. Vamos pensar primeiro no Avaí", sentenciou Rogério. 

Para o jogo em Santa Catarina, o volante Felipe é desfalque certo por cumprir suspensão automática pelo terceiro cartão amarelo. O atacante Osvaldo, com cansaço muscular, ainda será reavaliado pelo departamento médico. 

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