Opinião: requisitos que fazem do Henrique o segundo maior ídolo da década celeste 
Henrique levantando a taça do título da Copa do Brasil de 2018 (Foto: Vinnicius Silva/Cruzeiro)

Certamente, atingir um patamar de idolatria requer mais predicados que o simples fato de ter competência técnica. O valor técnico por si só, ainda que executado de forma diferenciada junto às conquistas, pode não consolidar um ídolo – seja qual for a área. É necessário um compromisso ético, a capacidade de ampliar suas ações e tornar-se um ponto fora da curva.

No futebol, não é diferente. Aliás, não há necessidade de um elevado nível técnico para tal estágio, e Henrique é prova viva disso. Que o volante está distante dos mais qualificados que já passaram pelo Cruzeiro em sua posição é fato, mas suas singularidades o coloca como o principal de seu setor na última década e o segundo maior de todas as posições desde 2010. Ressalto, a análise não está apenas em qualidade com a bola nos pés.

Como tudo começou

Sob indicação de Adilson Batista, chegou por empréstimo do Júbilo Iwata, do Japão, há 12 anos, cercado de desconfianças e com início duvidoso. Apesar disso, Henrique construiria sua identidade caracterizada de raça, disciplina e, o mais importante, um futebol que se amadurecia a cada partida. Foi então quando o Cruzeiro o adquiriu, em definitivo, no início de 2010.

Pela Libertadores de 2009, tornou-se peça essencial e um dos responsáveis por levar a Raposa até a final da competição. O meia marcou um golaço pelas quartas de final. Relembre:

Sua representatividade poderia seria maior, já que realizou um gol pela final - não suficiente após a virada do Estudiantes de La Plata. Nesta altura, Henrique já havia se autoafirmado perante os cruzeirenses, mas longe de qualquer predicado para credencia-lo ídolo.

Conquistas

Após ser vendido ao Santos em 2011, fez valer o ditado ‘o bom filho a casa torna’, e, seu retorno, seria crucial para o início do status de ‘segundo maior ídolo celeste da última década’. De fato, atuando pouco, conquistou o Campeonato Brasileiro de 2013, no entanto, com maior protagonismo e, em ótima fase, ganhou o tetracampeonato nacional no ano seguinte.  

Nisto, Henrique já revelava um amor ao clube, acompanhado de respeito aos torcedores e instituição, sem nem falar de disciplina e exemplo profissional. O currículo se enriqueceria, e sua participação em outros êxitos como titular o engrandeceria. As conquistas da Copa do Brasil em 2017 e 2018 foram essenciais para afastar um argumento de escassez de feitos. O médio ainda contou com seis estaduais pelo clube.

Os títulos que conquistou pelo clube:

- Campeonato Brasileiro 2013 e 2014

- Copa do Brasil 2017 e 2018

- Campeonato Mineiro 2008, 2009, 2011, 2014, 2018 e 2019

Último título conquistado pelo clube - Campeonato Mineiro de 2019 (Foto:Vinnicius Silva)
Último título conquistado pelo clube - Campeonato Mineiro de 2019 (Foto: Vinnicius Silva/Cruzeiro)

Identidade e feito histórico

Após a lesão de Fábio, adquiriu a faixa de capitão em 2016, tornava simbólico a identificação criada junto à instituição e torcida. Não bastasse as conquistas, a liderança dentro de campo, Henrique se tornou o oitavo jogador a mais vestir a camisa do Cruzeiro. Foram 516 jogos e 27 gols, em 11 anos de clube, entre idas e vindas.

Foto: Divulgação/Cruzeiro
Foto: Divulgação/Cruzeiro

Tais singularidades descritas, na década, só as têm Fábio, o primeiro colocado.

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