Desafios, planos, conflitos e perspectiva: a era Sérgio Santos Rodrigues
no Cruzeiro
Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro

Na última quinta (21), o Cruzeiro elegeu seu novo presidente: Sérgio Santos Rodrigues, de 37 anos, que venceu Ronaldo Granata, em maioria considerável na votação. Ele vai presidir o clube por pelo menos até o fim do ano, quando haverá nova eleição.

O resultado final agradou a maioria dos cruzeirenses, no entanto, a resposta não foi a mesma ao novo presidente do Conselho Deliberativo. Isso porque Paulo Pedrosa foi eleito. Ele era presidente do Conselho Fiscal da equipe em 2019, com apoio da então diretoria – a ala política do ex-presidente Wagner Pires de Sá, quem novamente o apoiou nas eleições que triunfou. Paulo Pedrosa também fazia oposição ao Conselho Gestor, que obtinha iniciativas de alterações no estatuto.

Paulo Pedrosa, novo presidente do Conselho Deliberativo do Cruzeiro (Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro)
Paulo Pedrosa, novo presidente do Conselho Deliberativo do Cruzeiro (Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro)

 

As rápidas atitudes de Sérgio Santos Rodrigues 

Muitos são os desafios a serem enfrentados pelo novo presidente do clube Sérgio Santos Rodrigues, alguns a serem encarados em caráter emergencial e outros que requer de tempo para se colocar em prática.

Na pior crise dos 99 anos do Cruzeiro, Sérgio tem a missão de limpar sujeira da gestão Wagner Pires de Sá, que têm os seguintes crimes apurados: falsificação de documentos/falsificação ideológica, apropriação indébita, organização criminosa e lavagem de dinheiro – segundo manifestou o Ministério Público do Estado de Minas Gerais.

Ele afirmou quais serão as prioridades no início de sua gestão, quando toma posse no dia 1° de junho e fica até 31 de dezembro. Primeiro refere-se ao salário em dia a jogadores e funcionários – o elenco está com dois meses de salários atrasados; em seguida, o pagamento de uma dívida de R$11 milhões de reais à FIFA, no qual envolve a compra de Willian ao Zorya FC, da Ucrânia, no ano de 2014. Haverá também uma tentativa de diálogo a partir da perda de 6 pontos na Série B, que aconteceu devido ao não pagamento de empréstimo do volante Denílson. Este último, no entanto, em maior pessimismo, distante da possibilidade de a pena ser retirada.

Ainda em condição de candidato, Sérgio surpreendeu ao encarar na pior crise do clube um estímulo para liderar: “A gente vê os grandes empreendedores falarem que é na crise onde temos que enxergar as grandes potencialidades”, afirmou, em abril, em entrevista para a Rádio Cinco Estrelas.

O projeto

Após nove anos trabalhando de forma voluntária dentro do clube, com passagem no Tribunal de Justiça Desportiva e tendo realizado cursos de Gestão da CBF e Gestão de Entidades Desportivas, o advogado e líder celeste, agora, alcança seu maior objetivo na carreira. A renegociação de dívidas, plano de cargo e salário, readequação administrativo financeiro e buscas de novas formas de captação de recursos são os principais pontos que regem o seu projeto frente a instituição.

Além disso, ele pretende modernizar o clube em alguns aspectos: transformação digital e inovação em tecnologia na equipe. A modernização, no entanto, não se restringe apenas a isso, mas também do ponto de vista normativo. Sérgio já declarou ser a favor da modernização do estatuto. Suas alterações se dariam pela democratização do voto, ampliação do leque de quem deve ser presidente e critérios de orçamento do Conselho Fiscal.

Vale ressaltar que o novo presidente do Conselho Deliberativo - à época, líder do Conselho Fiscal - se mostrava contra o Conselho Gestor, também favorável à modernização do estatuto. Agora, em condição de fiscalizar e aprovar as contas do clube, Paulo Pedrosa se depara com presidente não coincidente às suas ideias.

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