#EntrevistaVAVEL: Marcos Assunção relembra trajetória e fala sobre identificação com Palmeiras
Piervi Fonseca/Folhapress

O ex-jogador Marcos Assunção, natural de Caieiras-SP, teve uma carreira gigante jogando em grandes clubes do futebol brasileiro e europeu. O ex-volante ficou muito marcado por suas incríveis cobranças de falta, marcando 124 gols em bola parada.

Assunção, aqui no Brasil, defendeu muitos times, entre eles o Santos, Flamengo e o Palmeiras, se tornando ídolo no Verdão. Já na Europa, o jogador defendeu a Roma e também se tornou ídolo no Real Betis. Em entrevista à VAVEL Brasil, Marcos Assunção falou sobre toda sua carreira, seleção brasileira, faltas e muito mais.

Assunção, voltando um pouco para a sua infância, em Caieiras. Como foi o início da sua caminhada no futebol?

“O início como a maioria dos moleques que tem uma situação financeira muito ruim, muito baixa, que tem seus pais que trabalham diariamente para conseguir colocar o alimento na mesa, e a minha infância não foi diferente. Tive um pai e uma mãe que trabalhavam muito e passamos por muitas dificuldades, mas graças a Deus deu tudo certo. Consegui me tornar um jogador de futebol e hoje graças a Deus dou uma vida para a minha família, esse é o importante. Hoje consigo ajudar pessoas próximas, ajudar pessoas necessitadas, quando eu vejo que alguém precisa de ajuda, principalmente aqui em Caieiras, eu procuro ajudar.”

Você foi sem dúvida nenhuma um dos melhores batedores de falta da história do futebol brasileiro. Quando você era pequeno, você já tinha essa pretensão? Já gostava de bater falta? Quem foi sua referência?

“Quando eu era pequeno eu lembro que tinha um campinho de futebol, e eu e meus amigos da época ficava chutando no gol, vendo quem batia mais forte aí ia aumentando a distância. Mas eu não tinha a intenção de ser um batedor de falta, eu queria ser um jogador de futebol, um atleta profissional de futebol. Sobre o batedor de falta, eu fui para Americana, em 1993, comecei a ver o Marcelinho Carioca, no Corinthians, fazendo gols de falta, batendo falta de todos os jeitos e foi aí que eu comecei a treinar para bater na bola igual a ele, para tentar bater falta igual a ele.”

Logo no início da sua carreira, depois da sua passagem pelo Rio Branco, você foi para o Santos e já assumiu ser torcedor santista. O amor à camisa do Peixe foi o que mais pesou em sua decisão?

“Não, não foi. O Santos foi o time que fez a melhor oferta para eu jogar. Eles queriam mais que os outros times que eu jogasse lá. Eu falo com meus amigos: ‘nem todos os jogadores tiveram o privilégio de jogar no time que torcem’ e vestir aquela camisa foi uma emoção muito grande. E eu tentei honrar ao máximo aquela camisa, ainda mais que eu era um torcedor do time desde criança”

Agora Assunção, partindo para Europa, você defendeu a Roma e depois o Betis. Qual clube você se identificou mais?

“Eu me identifiquei mais com o Betis. Foram 5 anos jogando lá, 5 anos maravilhosos, 5 anos de muita dedicação ganhando títulos importantes. Na Roma também ganhei títulos importantes, mas no Betis eu fui um dos protagonistas, porque tínhamos muito bons jogadores como Denílson, que é um cara que eu considero um irmão de outra família, Ricardo Oliveira, Joaquín. Éramos jovens de muito talento e eu me identifiquei mais por ter sido mais influente e na Roma já tinham grandes jogadores, e lá eu não era o protagonista. No Betis, eu cheguei sendo o protagonista.”

Agora mudando um pouco de assunto, vamos falar de Seleção Brasileira. Você acha que dava para ter jogado mais com a amarelinha, quem sabe até uma Copa do Mundo?

“Não só eu, mas como muitos jogadores muito bons e também não jogaram uma Copa. Infelizmente o jogador de futebol não depende só dele para ser convocado para a Seleção Brasileira, ele depende de outras pessoas. Mas, o mais importante, é que eu consegui chegar na Seleção Brasileira.”

Depois de um tempo no Emirados Árabes, você retornou ao Brasil para defender Grêmio Prudrente e depois foi vestir a camiseta do Palmeiras. O Verdão foi a equipe que você criou a maior identificação?

“Eu acho que sim, porque lá fazia 12 anos que o Palmeiras não ganhava um torneio nacional, sem ser o Paulistão. E foi um campeonato muito importante e lá eu me identifiquei muito com a torcida do Palmeiras. E olha que eu sou santista e mesmo assim me identifico mais com a torcida do Palmeiras, do que com a do Santos.”

Mesmo com o título da Copa do Brasil, o Palmeiras acabou sendo rebaixado. Analisando de fora, anos depois, você consegue explicar algo que poderia ter sido feito de diferente para evitar a queda do clube?

“Muito simples cara, time grande tem que estar sempre contratando jogadores. Naquela época a gente tinha um problema muito sério que a gente tinha poucos jogadores e pouco dinheiro para contratar. E aquela Copa do Brasil foi muito desgastante, em que muitos jogadores se machucaram. No final do torneio, 5 ou 6 jogadores titulares que tiveram que operar. E começamos muito mal o campeonato brasileiro, que eu sempre digo que é o campeonato mais difícil do mundo e com o acúmulo de derrotas não conseguimos recuperar.”

Agora Assunção, para fechar, vamos voltar ao tema de faltas. Quero que você me fale, pra você,  em que posição você se encontra, dos maiores batedores de falta? Top 3, Top 5, Top 10?

“Cara, os números estão e não mentem (124 gols de falta). Para mim, o melhor da história é o Marcelinho Carioca, foi a minha referência, minha base toda foi olhando o Marcelinho bater falta. Eu vi pouco o Zico jogar, mas vi que ele batia muito bem falta. Mas é o que eu sempre falo, o batedor de falta completo, não é aquele que bate só de perto da área, é aquele que bate de todos os jeitos, de perto, de longe, da esquerda, da direita. Então acho que o Marcelinho Carioca e o Juninho Pernambucano, eles eram reais especialistas, batiam de todos os jeitos e faziam gols de todos os jeitos. E eu acho que eu me encontro entre esses 3. Juninho, Marcelinho e eu. Eu me viro para brigar com eles.”

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