Fora da vice-presidência de futebol do Cruzeiro, Bruno Vicintin emite carta de despedida

Ex-dirigente da Raposa declarou amor ao clube e não citou motivos de sua saída

Fora da vice-presidência de futebol do Cruzeiro, Bruno Vicintin emite carta de despedida
Foto: Washington Alves/Light Press/Cruzeiro

A vice-presidência de futebol do Cruzeiro ficou vaga nesta quarta (4) com a saída de Bruno Vicintin. Por meio de sua conta no twitter, o ex-dirigente celeste emitiu uma carta de despedida, na qual agradece aos seus parceiros nos quase seis anos de serviços prestados ao clube, bem como reitera seu amor à Raposa. 

"Chegou o momento da despedida. Foram quase seis anos intensos dedicados a essa instituição gigantesca chamada Cruzeiro Esporte Clube. Quero agradecer aqui a todos que contribuíram para essa história, de títulos nacionais conquistados, mas também de luta e muito sacrifício", disse Vicintin na abertura da carta.

Quando à sua saída e aos fatores que o levaram a deixar o cargo, nada foi dito. O Conselho Deliberativo do Cruzeiro, na última segunda (2), elegeu Wágner Pires de Sá para a presidência do clube, sendo o novo cartola celeste apoiado pelo atual mandatário da Raposa, Gilvan de Pinho Tavares. Apesar de apoiar a chapa de Wágner, Bruno deixou o clube por saber da grande possibilidade de mudanças na diretoria da instituição, cujos atuais integrantes o agradam.

Um dos grandes nomes da campanha de Wágner Pires, Itair Machado pode assumir algum cargo na Raposa, o que significaria uma reconfiguração do panorama da diretoria do clube. Em sua carta, Bruno agradeceu a pessoas como Gilvan de Pinho, Mano Menezes, Klauss Câmara, Tinga e Alexandre Mattos, ex-diretor de futebol celeste.

"Aos que trabalharam e já saíram, queria agradecer ao meu irmão Alexandre Mattos por todos os ensinamentos. Anos atrás, na arquibancada do Mineirão, nós sonhávamos e brincávamos em conquistar o mundo com o Cruzeiro. Não chegamos lá. Mas todos concordam que chegamos muito longe. Que outros sonhadores das arquibancadas ocupem nossos lugares", pontuou.

Existe ainda a possibilidade de outras saídas do Cruzeiro, como o atual diretor de futebol da Raposa, Klauss Câmara, e o gerente de futebol, Tinga. Esses nomes, no entanto, seguem no clube. Ainda na carta, Vicintin revelou contrastes que viveu dentro do clube, como a quase queda em 2015 e a glória em 2017 com a Copa do Brasil.

Confira a carta de Bruno Vicintin na íntegra

"Chegou o momento da despedida. Foram quase seis anos intensos dedicados a essa instituição gigantesca chamada Cruzeiro Esporte Clube. Quero agradecer aqui a todos que contribuíram para essa história, de títulos nacionais conquistados, mas também de luta e muito sacrifício.

A história começou em 2012, quando fui convidado para ser auxiliar da vice-presidência da base. Fomos campeões brasileiros sub-20. Naquele ano, o Brasil começava a ser nosso. Em 2013, fui promovido a superintendente das divisões de base. Ao todo, foram mais de 30 títulos conquistados, nacionais e internacionais, além da hegemonia regional em todas as categorias. No profissional, fomos bicampeões brasileiros com 11 jogadores da base no elenco. Em setembro de 2015, fui promovido a superintendente de futebol profissional, quando o clube estava sem diretor de futebol, sem treinador e a um ponto da zona de rebaixamento. No caminho para a Toca, para minha coletiva de apresentação, recebi o telefonema de uma pessoa que eu respeito muito, falando que não era para eu assumir, pois o Cruzeiro estava sem dinheiro, desorganizado e que a queda era certa. Lembrei na hora da frase do meu filho, no dia anterior, quando ele escutou no rádio citarem meu nome. 'Papai, o Cruzeiro precisa de você'. Meu maior orgulho não foram os títulos, mas sim não ter dado meia volta naquele momento. E ter acreditado nos meus sonhos. Deixo este exemplo para você, Massi, meu filho.

A caminhada foi dura, de aprendizado e evolução, mas falo com segurança que nunca faltou entrega em 2016, e, mesmo em um ano tão difícil, quase conquistamos a Copa do Brasil, parando na semifinal para o campeão. O ano de 2017 começou cheio de esperança e, mesmo durante as turbulências algo me fez acreditar que coisas boas aconteceriam, pois o trabalho estava sendo bem feito. Ser campeão é para poucos. Ainda mais de um título que buscávamos há 14 anos. Ter trabalhado e conhecido pessoas que amam realmente o clube não tem preço.

Agradeço, primeiramente, ao presidente Gilvan de Pinho Tavares pela confiança e ensinamentos. Ao doutor Francisco Lemos por ter trazido um menino de 20 e poucos anos para dentro do clube. Até hoje não sei o que ele viu em mim. Ao Márcio Rodrigues pela oportunidade e amizade. Hermínio Lemos, Gustavo Gatti e doutor Dalai, pela amizade. Ao meu irmão Antônio Assunção, por ser um dos poucos mais cruzeirenses que eu.

Aos meus irmãos Klauss Câmara e Paulo César Tinga. Como disse para vocês dentro do campo, recebendo o troféu de pentacampeão, é um honra que levarei por toda minha vida ter trabalhado com vocês. Nenhuma diretoria do Brasil faria o trabalho de blindar nossa comissão e elenco tão bem como vocês fizeram. Minha eterna gratidão a vocês dois. Ao Guilherme Mendes e ao Pedro Moreira, por todos os momentos vividos juntos. Vocês também escreveram seus nomes na história do Cruzeiro. A todos os funcionários que trabalham comigo nas Tocas I e II. Seria impossível citar todos, porém vocês sabem que estão no meu coração.

Aos que trabalharam e já saíram, queria agradecer ao meu irmão Alexandre Mattos por todos os ensinamentos. Anos atrás, na arquibancada do Mineirão, nós sonhávamos e brincávamos em conquistar o mundo com o Cruzeiro. Não chegamos lá. Mas todos concordam que chegamos muito longe. Que outros sonhadores das arquibancadas ocupem nossos lugares.

Ao Mano Menezes, meu primeiro e último treinador. Quando você aceitou voltar em 2016, naquele momento tão difícil, falei que seria eternamente grato, como sou. Aos nobres cruzeirenses que nos deixaram durante essa caminhada, como minha amada sobrinha Carol, o meu amigo Carlinhos, presidente da Máfia Azul, e o torcedor Eros, que vocês tenham comemorado muito nossos títulos aí do céu, assim como todos os cruzeirenses.

Para finalizar, queria agradecer a todos os meus amigos que estiveram comigo nesta caminhada. Sem a força de vocês eu não conseguiria passar pelos momentos ruins e não seria tão bom comemorar as grandes vitórias. Ao meu pai Ricardo, à minha mãe Mariza, à minha irmã Adriana, ao meu cunhado Bernardo, aos meus sogros Orlando e Lourdes. Aos meus filhos Massimiliano, Valentina e Matteo, e À minha esposa Paulo. Espero, de coração, que tenha deixado vocês orgulhosos. Vocês são a única coisa no mundo que eu amo mais que o Cruzeiro.

Sei que errei muito, mas nunca por falta de vontade ou de humildade. Saio da diretoria com a certeza de ter me entregado por completo e ter feito o melhor que pude pelo clube que amo. Quem sabe o que Deus guarda para o futuro? Por enquanto sigo como mais um entre oito milhões de loucos, que largam tudo para te ver, Cruzeiro, e fazem isso por amor. Sigo dando minha vida por você. E farei isso para sempre. #FechadoComOCruzeiro todos os dias da minha vida”.