Crítica | Homem-Aranha: Longe de Casa
(Foto: Divulgação/Sony Pictures)

Crítica | Homem-Aranha: Longe de Casa

O ilusionismo cartunesco do MCU

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Luana Bonvicini

"E eu sempre amarei você, sempre amarei você, você meu querido, você". Exatamente, você, caro leitor, e se você acha que esse texto é um engano e o título uma mentira, pode ficar tranquilo, a tradução da música I Will Always Love You da Whitney Houston é a introdução perfeita para descrever a volta do nosso amigo da vizinhança.

Andrew Garfield que me perdoe, mas o título de Espetacular Homem-Aranha transcendeu e foi parar no colo de Tom Holand, que com seu carisma e atuação incrível, dividiu o tempo do telespectador na poltrona entre lágrimas e gargalhadas.

O jovem aranha recém órfão de seu maior espelho, Tony Stark (Robert Downey Jr.) e imerso no desejo de conquistar M.J (Zendaya) em sua viagem pela Europa após os eventos de Vingadores: Ultimato, traz consigo o carisma do herói, sempre tão presente nas HQs, e reflexões sobre as responsabilidades de ser o salvador da pátria além do anseio por uma vida normal. Não só isso, mas o garoto carrega toda a carga emocional presente na ausência de Stark, levando o telespectador de volta ao luto de Ultimato e referenciando Tony constantemente.

E não só de referências aos nossos queridos heróis que se foram se fez o filme, que apresentou um vilão um tanto quanto conhecido pelos fãs dos quadrinhos, o Mysterio.

O personagem que transportou até mesmo os leigos das HQs em uma viagem pra lá de ilusionista, deu a obra de Jon Watts um grande baú de tesouro visual, onde a trilha estética e cartunesca abriu espaço para o enriquecimento visual e imersivo de Longe de Casa, além de contar com uma atuação inédita e propositalmente cômica do ator Jake Gyllenhaal.

Sem apresentação de um enredo complicado e com um desenrolar sempre imediatista e cartunesco, o longa não esquece na bagagem a representatividade, surgindo quase como que uma pintura de toda a obra e estendendo-se entre cenas e o elenco, enquanto abraça o enredo com ausência de qualquer nó e dança junto com a trilha sonora de Michael Giacchino, que desarma a seriedade dos personagens em diversos picos do filme, estampando referências e desenhando o humor clássico da Marvel nas telas do cinema.

Homem-Aranha: Longe de Casa faz amarrações bem feitas e traz à tona a singularidade do herói, sem deixar de ser mais uma peça no quebra cabeças do MCU, enquanto imerge o telespectador na estética quadrinista e pluralidade de tudo o que ainda não havíamos visto do jovem aranha nas telinhas.

A obra carrega um sentimento de empatia ainda maior pela história de Peter Parker e afasta a ideia de amigo da vizinhança, difundindo por fim a tão esperada nomenclatura de vingador ao adolescente e abraçando enfim a independência e autonomia do herói.

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