Marca entrevista Bebé, novo jogador do Córdoba
Foto: Córdoba

Marca entrevista Bebé, novo jogador do Córdoba

O jogador foi emprestado pelo Benfica ao Córdoba e este fim de semana joga com o Real Madrid. VAVEL leva até si a entrevista dada pelo português ao jornal espanhol Marca.

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Paulo Pereira

Tiago Manuel Dias Correira, Bebé como alcunha, irrompeu desde a segunda divisão para o Vitória de Guimarães onde esteve dez dias antes de ser transferido para o Manchester United por nove milhões. Não jogava e então foi emprestado ao Besiktas onde não teve sucesso devido a uma lesão no joelho. Foi novamente emprestado ao Rio Ave e Paços de Ferreira onde voltou a ser jogador e, no principio deste época, chegou ao Benfica onde foi quase sempre suplente. No sábado vai ser titular contra o Real Madrid.

«É a minha oportunidade. Já as tive antes mas não estava preparado, agora sím. Em Manchester era um miúdo e estava só. Vou crescendo e sou uma pessoa melhor, muito diferente. Penso que é a hora de poder aproveitar e o Córdoba é uma grande ocasião para demonstrar o meu valor e creio que estou a responder bem», explica Bebé.

Prefere Bebé a Tiago, o seu nome real, porque era a única maneira que o seu pequeno irmão conseguia chamá-lo. É orfão desde os 12 anos e esteve na Casa do Gaiato. Ali vivia com 150 «irmãos». «A Casa do Gaiato foi o melhor que me aconteceu na vida. Ali vivi desde os 12 anos. Foi uma chamada de deus. Estarei Sempre agradecido», recorda. Com o seu primeiro ordenado, 1300 euros no Estrela da Amadora, comprou presentes para todos, «não necessitava de nada, tinha tudo ali e gastava o dinheiro como queria», diz. Agora cada vez que volta a Lisboa, recebem-no como um herói. Todos na Casa do Gaiato querem ser como ele, jogar futebol. Mantém contacto com quase todos, são a sua familia e viveu ali 10 anos. Hoje tem 24, um filho que vive em Inglaterra e uma noiva que trabalha em Lisboa. Já não está só. «Na solidão a minha cabeça não está bem. Estar com a minha noiva dá-me muita força e agora estou preparado para enfrentar qualquer desafio», afirma.

Bebé marcou 40 golos num Mundial de rua, para futebolistas que não têm equipa. Chegou a Guimarães e ali apareceu Jorge Mendes, seu representante e o homem que se empenha no seu sucesso. «É como um pai. Tem parte do mérito para que eu possa ter esta oportunidade. É uma pessoa que gosto muito e que me ajuda. Estou muito agradecido. É devido ao seu trabalho que pude jogar em grandes clubes e nas melhores ligas. Nunca me faltou nada, vou-lhe estar agradecido para sempre», confessa o jogador. «Cinco dias depois de chegar a Guimarães chamou-me e fui a sua casa. Falámos e pareceu-me perfeito. Aceitei que fosse o meu representante. Tinha um contrato com uma cláusula de rescisão de 9 milhões de euros e havia uma equipa que quería batê-la. Fui a Manchester mas pensava que estavam a brincar», esclarece.

Mas Manchester não foi o que pensava: «Aprendí muito com Ferguson. Que falhou? Estava só. Necessitava mais experiência para enfrentar essa condição. O meu melhor futebol foi em Paços de Ferreira. Ali comecei uma nova vida, jogar muito era o que necesitava, e correspondi. Depois fui para o Benfica e vi que não ia ter espaço, portanto pedí para sair. Hoje estou feliz e com vontade de dar tudo pelo Córdoba».

Entende-se bem com Ghilas (emprestado pelo F.C. Porto) e o jogo com o Real já está no seu horizonte: «jogar contra o Real Madrid é um sonho. Nós estamos tranquilos vamos ganhar, não pensamos em perder nem em empatar. Sabemos que não somos favoritos, mas temos a vontade de vencer». Cresceu a ver Cristiano Ronaldo mas não o conhece e também quer conhecer Pepe e Coentrão. «Não falo com eles, mas Cristiano é o jogador que mais admiro. É um orgulho e vou pedir a sua camisola no fim. É um exemplo para todos os jogadores: trabalha muito e tem ambição . É um lutador, uma pessoa formidável», assegura.

Leva apenas uns dias em Córdoba mas ao passar pela Calleja de las Flores, uma das partes mais populares da cidade, alguém diz, «um golito ao Real Madrid, Bebé». É que somos do Córdoba e do Barça". «Cristiano não pode sair à rua assim em Madrid pois não?», pergunta.

No sábado volta aos grandes palcos. O futebolista inexplicável está preparado para explicar-se e já não é um menino. Já ganhou muito e sonha jogar na seleccão do seu país, mas agora sabe os passos que tem que dar, pouco a pouco, começando pelo Córdoba. É um rapaz muito religioso e irá jogar no El Arcángel (estádio do Córdoba).

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