Após a polêmica saída de Helena Costa, Clermont Foot aposta em outra mulher no comando
Clermont estreia na Ligue 2 sob o comando de Corinne nesta segunda-feira, dia 4, contra o Brest (Foto: Divulgação/Clermont Foot)

Em maio deste ano, o Clermont Foot, modesta equipe da segunda divisão francesa, havia entrado para a história ao anunciar a portuguesa Helena Costa, de 36 anos, como técnica do time principal. A partir daí, Helena tornou-se a primeira mulher a treinar uma equipe profissional de futebol. Entretanto, no final de junho, a treinadora deixou o cargo devido a problemas internos. Para ela, houve "uma combinação de fatores que nenhum treinador pode aceitar". O principal motivo foi o fato de o diretor de esportes do clube querer contratar jogadores sem o seu aval.

Apesar da surpreendente e polêmica saída de Helena Costa, o Clermont não desistiu do seu projeto de promover alguém do sexo feminino para a área técnica e sondou a francesa Corinne Diacre, que aceitou o convite. Diacre tem 39 anos e foi jogadora do Soyaux e da seleção francesa feminina, atuando nos gramados entre os anos de 1988 e 2007. Mesmo jogando na defesa, marcou 14 gols em 121 partidas pelos Bleus.

Curiosamente, foi nestas equipes que Corinne iniciou a caminhada a qual trilha até hoje: começou como assistente técnica no selecionado nacional de mulheres em 2007 e, três anos depois, assumiu o comando do Soyaux, onde ficou até maio deste ano, quando concluiu seu curso de treinadora e recebeu autorização para comandar qualquer time profissional, seja da primeira divisão ou do segundo escalão, através do Prêmio Técnico Profissional Francês, sendo a primeira mulher agraciada com tal premiação.

Em entrevista coletiva, Corinne Diacre falou sobre a eventual pressão que pode sofrer por treinar um time do sexo oposto. "Não tenho medo, treinar uma equipe levando em conta somente o sexo, masculino ou feminino, é absurdo. Treinamos porque amamos o futebol. Não tenho nenhuma responsabilidade particular. Sou uma a mais. Sei por que estou aqui e o que tenho que fazer. Pressão eu terei, obviamente, mas a ideia é transmitir o mínimo de orientações possíveis para que meus jogadores se sintam à vontade em campo", comentou.

Corinne Diacre em ação pela seleção francesa (Foto: Panoramic)

Quanto às pretensões de seus comandados para a temporada 2014/2015 da Ligue 2, Diacre admite que o objetivo, a princípio, é não ser rebaixado. "Temos que assegurar a permanência o quanto antes", afirmou.

Emmanuel Gas, integrante da comissão técnica de Corinne, diz que a treinadora é bem vista pelos jogadores rouge et bleu. "Os jogadores ficaram decepcionados com a saída de Helena e lamentaram por não estarem mais sendo treinados por uma mulher. Depois veio Corinne, e eles agora estão encantados", relatou.

Jëan Noel Cabezas, outro membro da comissão, também falou sobre a comandante. "Ela é metódica e, além do mais, sempre te escuta. Não há muita diferença entre ela e um técnico masculino, exceto o fato de ela tomar banho num banheiro diferente do nosso, obviamente", declarou o assistente.

Nesta segunda-feira (4), Corinne entrará para a história ao ser a primeira mulher a comandar um time masculino de futebol profissional numa partida oficial. O compromisso promete não ser fácil, tendo em vista que o adversário, o Brest, é uma das equipes mais cotadas para lutar pelo acesso à Ligue 1. O jogo será disputado no Stade Francis Le Blé, casa do adversário do Clermont. Independentemente do resultado, será um dia importante para o futebol mundial. Caso tenha uma carreira bem sucedida, Corinne Diacre, além de quebrar um enorme tabu no esporte mais popular do mundo, abrirá diversas oportunidades para as mulheres que quiserem seguir seus passos.

Revista France Football define Diacre como uma "mulher atual" (Foto: Divulgação/Clermont Foot)
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