Copa do Mundo VAVEL: a história do Mundial de 1974

Alemanha Ocidental sediou e conquistou o bicampeonato mundial daquele ano. Neste especial, a VAVEL Brasil conta a história da Copa do Mundo de 1974

Copa do Mundo VAVEL: a história do Mundial de 1974
(Foto: Hugo Alves / VAVEL Brasil)

De 13 de junho a 7 de julho de 1974, aconteceu a décima edição da Copa do Mundo. Sediada na Alemanha Ocidental, a competição contou com a participação de 16 seleções: Alemanha Oriental, Chile, Austrália, Iugoslávia, Brasil, Escócia, Zaire, Países Baixos (Holanda), Suécia, Bulgária, Uruguai, Polônia, Argentina, Itália e Haiti.

A Alemanha Ocidental foi a grande anfitriã da Copa do Mundo de 1974. Mas por que ela era chamada assim? Com a derrota dos nazistas na Segunda Guerra Mundial, que ocorreu de 1939-1945, o país foi dividido em duas partes, com nome, bandeiras e cidadanias diferentes: Ocidental e Oriental. É verdade que anos depois elas se unificaram, mas isso acabou sendo o principal empecilho para que a Alemanha não sediasse o Mundial em décadas anteriores, já que era, e ainda é, considerada como uma das grandes potências do esporte.

Nas eliminatórias, a Alemanha, por ser anfitriã, e o Brasil, o último campeão, tiveram classificações garantidas. Potências como Inglaterra, Espanha e França, ficaram de fora, enquanto Itália, Holanda, Alemanha Oriental e Bulgária tiveram campanhas sem grandes sustos. Ao contrário do Chile, que se classificou apenas na repescagem ao bater a União Soviética.

Estádios

No total, nove estádios em nove cidades distintas receberam as partidas do Mundial.

Estádio Cidade Capacidade
Olympiastadion Berlim 85.000
Olympiastadion Munique 76.000
Neckarstadion Stuttgart 72.200
Parkstadion Gelsenkirchen 70.100
Rheinstadion Düsseldorf 69.600
Waldstadion Frankfurt 62.200
Volksparstadion Hamburgo 60.600
Niedersachsenstadion Hannover 60.400
Westfalenstadion Dortmund 53.600

Primeira fase

A primeira fase da Copa do Mundo de 1974 teve 16 equipes divididas em quatro grupos, com os dois melhores se classificando para a etapa seguinte. Alemanha Ocidental, Brasil, Itália e Uruguai foram as cabeças de chave.

Grupo 1 PTS JGS
1º Alemanha Oriental 5 3
2º Alemanha Ocidental 4 3
3º Chile 2 3
4º Austrália 1 3

14/06/1974 - Alemanha Oc. 1 x 0 Chile
14/06/1974 - Alemanha Or. 2 x 0 Austrália
18/06/1974 - Alemanha Oc. 3 x 0 Austrália
18/06/1974 - Chile 1 x 1 Alemanha Or.
22/06/1974 - Austrália 0 x 0 Chile
22/06/1974 - Alemanha Or. 1 x 0 Alemanha Oc.

Grupo 2 PTS JGS
1º  Iugoslávia 4 3
2º Brasil 4 3
3º Escócia 4 3
4º Zaire 0 3

13/06/1974 - Brasil 0 x 0 Iugoslávia
14/06/1974 - Zaire 0 x 2 Escócia
18/06/1974 - Iugoslávia 9 x 0 Zaire
18/06/1974 - Escócia 0 x 0 Brasil
22/06/1974 - Escócia 1 x 1 Iugoslávia
22/06/1974 - Zaire 0 x 3 Brasil

Grupo 3 PTS JGS
1º Holanda 5 3
2º Suécia 4 3
3º Bulgária 2 3
4º Uruguai 1 3

15/06/1974 - Uruguai 0 x 2 Holanda
15/06/1974 - Suécia 0 x 0 Bulgária
19/06/1974 - Bulgária 1 x 1 Uruguai
19/06/1974 - Holanda 0 x 0 Suécia
23/06/1974 - Bulgária 1 x 4 Holanda
23/06/1974 - Suécia 3 x 0 Uruguai

Grupo 4 PTS JGS
1º Polônia 6 3
2º Argentina 3 3
3º Itália 3 3
4º Haiti 0 3

15/06/1974 - Itália 3 x 1 Haiti
15/06/1974 - Polônia 3 x 2 Argentina
19/06/1974 - Argentina 1 x 1 Itália
19/06/1974 - Haiti 0 x 7 Polônia
23/06/1974 - Argentina 4 x 1 Haiti
23/06/1974 - Polônia 2 x 1 Itália

Segunda fase

Na segunda fase, os oito classificados foram separados em dois grupos de quatro seleções no qual todos se enfrentavam. Os líderes de cada grupo se classificavam para a final; os dois segundo melhores disputavam a terceira colocação.

Grupo A PTS JGS
1º Holanda (Final) 6 3
2º Brasil (3º lugar) 4 3
3º Alemanha Oriental 1 3
4º Argentina 1 3

26/06/1974 - Holanda 4 x 0 Argentina
26/06/1974 - Brasil 1 x 0 Alemanha Or.
30/06/1974 - Argentina 1 x 2 Brasil
30/06/1974 - Alemanha Or. 0 x 2 Holanda
03/07/1974 - Argentina 1 x 1 Alemanha Or.
03/07/1974 - Holanda 2 x 0 Brasil

Grupo B PTS JGS
1º Alemanha Ocidental (Final) 6 3
2º Polônia (3º lugar) 4 3
3º Suécia 2 3
4º Iuguslávia 0 3

26/06/1974 - Iugoslávia 0 x 2 Alemanha Oc.
26/06/1974 - Suécia 0 x 1 Polônia
30/06/1974 - Polônia 2 x 1 Iugoslávia
30/06/1974 - Alemanha Oc. 4 x 2 Suécia
03/07/1974 - Polônia 0 x 1 Alemanha Oc.
03/07/1974 - Suécia 2 x 1 Iugoslávia

Alemanha Ocidental bate Holanda e conquista o bicampeonato mundial

Em 7 de julho de 1974, duas potências do futebol mundial ficavam frente a frente. O estádio olímpico de Munique recebera o maior público de sua história – 75 mil pessoas. De um lado, Franz Beckenbauer. Do outro, Johan Cruyff. Alemanha Ocidental, conhecida pela sua força e técnica, encarava a fantástica e favorita Holanda. Nas casas de apostas, a maioria dava o título para a Laranja Mecânica.

E essas apostas pareciam virar certezas quando Cruyff, com apenas um minuto de jogo, arrancou e foi derrubado na área. O árbitro marcou o pênalti, naquele que seria o primeiro numa final de Copa do Mundo, convertido por Neeskens. A Alemanha, dona da casa, teve, então, que correr atrás do empate. E ele veio exatamente da mesma maneira. Breitner marcou de pênalti e deixou a decisão tudo igual novamente.

No fim do primeiro tempo, a seleção de Beckenbauer chegou a virada. Em jogada pela direita, Muller recebeu, dominou e, mesmo cercado, conseguiu girar e mandar para o gol defendido por Jan Jongbloed. Naquela altura, a virada, que parecia improvável mediante a força holandesa, tornava-se realidade. O estádio olímpico de Munique estava em festa, assim como toda a nação alemã. Decepção holandesa e frustração dos apostadores: a Alemanha era campeã mundial pela segunda vez em sua história.

(Foto: Agência AP)
(Foto: Agência AP)

Brasil na Copa: o melancólico quarto lugar

O Brasil era, sem dúvidas, uma das favoritas ao título do Mundial de 1974. Ainda treinado por Zagallo, o time canarinho perdera Pelé, que abandonara a seleção em 1971, além de Tostão, Gérson e Carlos Alberto. Entretanto, ainda contavam com os remanescentes Émerson Leão, Zé Maria, Marco Antônio, Wilson Piazza, Jairzinho, Roberto Rivelino, Paulo César Caju e Edu Américo.

Mesmo com a base mantida, o que se viu foi uma seleção brasileira fraca e sem brilho. Campeão em 1970, o time canarinho parecia pouco inspirado, apresentando uma campanha totalmente diferente da mostrada quatro anos antes. Os dois empates por 0 a 0: contra a Iugoslávia e a Escócia, demostravam bem isso. O primeiro triunfo veio apenas na terceira partida: 3 a 0 sobre o desconhecido Zaire.

Na segunda fase, o time comandado por Zagallo fez uma campanha melhor, mas, ainda assim, longe de encantar. Vitórias diante da Alemanha Oriental, 1 a 0, e da Argentina, 2 a 1, deram uma tranquilidade maior à Seleção Brasileira para a fase final. A expectativa era que o rendimento crescesse, já que tinham jogadores com grande poder de decisão, casos de Jairzinho e Rivelino, por exemplo.

Entretanto, diante da Holanda, em jogo que daria vaga à grande final, o Brasil sucumbiu a Laranja Mecânica e foi derrotado por 2 a 0, com gols de Neeskens e Cruyff. Restou ao time de Zagallo apenas a disputa do terceiro lugar contra a Polônia, que não tinha tradição nenhuma em Copas do Mundo. Vitória fácil do Brasil, certo? Errado. Com um time modificado em relação a estreia contra a Iugoslávia, o time canarinho foi novamente derrotado: 1 a 0 com gol do artilheiro polônes Grzegorz Lato. De favorita ao título, o Brasil terminou a Copa de 1974 apenas em quarto lugar.

Marinho Chagas no confronto contra o Zaire (Foto: Getty Images)
Marinho Chagas no confronto contra o Zaire (Foto: Getty Images)

Johan Cruyff, o craque que se negou a usar Adidas

Foi graças a um nome que a Holanda conseguiu disputar a tão sonhada final de Copa do Mundo: Johan Cruyff. Disciplinado, genial e técnico, o camisa 14 foi o principal destaque da Laranja Mecânica durante a competição. Dos pés dele, saíram três gols, sendo dois na goleada por 4 a 0 sobre a Argentina e outro no triunfo de 2 a 0 contra o Brasil. Na final, contudo, não conseguiu repetir o bom desempenho e acabou sendo parado pelo bom sistema defensivo alemão.

Todos sabem que craque recebe um tratamento diferenciado dos demais. E com Cruyff não era diferente. A Holanda, na Copa de 1974, foi patrocinado pela Adidas. O camisa 14 holandês, por sua vez, ostentava um fornecedor próprio: a Puma. Para não fazer propaganda de graça para a maior rival comercial, o jogador foi o único da Laranja Mecânica a entrar em campo com um uniforme que possuía apenas duas listras na lateral.

(Foto: Getty Images)
Imagem mostra Cruyff usando uniforme diferente dos demais (Foto: Getty Images)

O dia em que as Alemanhas se enfrentaram

A Copa do Mundo de 1974 reservou um confronto um tanto quanto curioso. Alemanha Ocidental e Alemanha Oriental se enfrentaram no dia 22 de junho, no Volksparkstadium, Parque do Povo, em Hamburgo, perante 60.350 torcedores no estádio, sendo apenas dois mil deles da parte oriental. Todos selecionados requintadamente pelo Partido Socialista Unificado da Alemanha.

Em campo, o clima de guerra esperado não aconteceu. Foi um jogo disputado, porém, leal. Com a bola rolando, a Alemanha Ocidental teve duas boas oportunidades de gol, com Grabowski e Breitner. Minutos depois, Kreische respondeu para a seleção oriental, mas a bola saiu pela linha de fundo. Foi um primeiro tempo acirrado, mas sem gols em Hamburgo.

Na volta para a etapa final, a história foi outra. Aos 23 minutos, Sparwasser entrou na área e chutou forte para colocar a Alemanha Oriental em vantagem. E o placar permaneceu assim até o apito final, com a vitória daquela que não era a favorita, mas que encarou Beckenbauer e cia de cabeça erguida.

(Foto: Getty Images)
(Foto: Getty Images)

Grzegorz Lato, o artilheiro polonês da Copa

Um dos maiores jogadores da história do futebol polonês, Grzegorz Lato foi o grande artilheiro daquele Mundial com sete gols marcados. Técnico e oportunista, o atacante foi responsável por conduzir a Polônia rumo ao terceiro lugar na classificação geral, despachando o último campeão Brasil, de Rivelino e Jairzinho. Além disso, ajudou sua seleção a conquistar a Medalha de Ouro nas Olimpíadas de 1972 e a prata em 1976.

Lato fez gol no Brasil na Copa de 1974 (Foto: AFP)
Lato marcou um gol no Brasil na Copa de 1974 (Foto: AFP)

A decepcionante Itália

Uma das grandes potências mundiais, a Itália, sem dúvidas, foi a maior decepção da Copa de 74. Com trajetória sem brilho e inspiração, a Azzurra mostrara um comportamento totalmente adverso a de quatro anos atrás, quando foi vice-campeã. Em campo, a seleção não passou da primeira fase. Atrás de Polônia e Argentina, amargurou apenas o terceiro lugar no Grupo D, com uma vitória por 3 a 1 sobre o Haiti, um empate contra a Argentina e uma derrota por 2 a 1 para a Polônia.