Guia VAVEL da Copa do Mundo 2018: Dinamarca

Sem muito alarde dos fãs do esporte, os dinamarqueses já causaram emoções no Mundial durante a década de 1980 e 90, quando chegaram ganhar o apelido de "Dinamáquina"

Guia VAVEL da Copa do Mundo 2018: Dinamarca
Foto: Editoria de Arte/VAVEL

Oito anos depois, a Seleção Dinamarquesa retorna à Copa do Mundo após ficar ausente da edição disputada no Brasil, em 2014. Na Russia, a Dinamarca foi sorteada para cair no Grupo C do Mundial, onde enfrentará Austrália, França Peru. Na fase de grupos da competição, está sediada na cidade de Anapa e disputará partidas em Saransk, Samara e Moscou. A primeira será o palco de sua estreia, contra a Seleção Peruana. 

Em sua quinta participação no Mundial, os dinamarqueses chegam à competição após passarem pela Irlanda na fase de Repescagem das Eliminatórias da Europa e aplicarem 5 a 1 no placar agregado, resultado do segundo jogo do confronto, na casa da seleção adversária. Em ambos jogos, a Dinamarca foi amplamente superior e concretizou a merecida vaga com um show de Christian Eriksen, principal jogador do time, que marcou três gols.

Durante o ciclo para a Copa da Rússia, a seleção passou por uma drástica mudança no comando: o treinador Morten Olsen, que estava há 15 anos no cargo, foi demitido após não conseguir vaga para a Eurocopa de 2016. Em seu lugar, Age Hareide assumiu e levou os dinamarqueses ao tão sonhado Mundial.

Foto: Brendan Moran/Getty Images
Foto: Brendan Moran/Getty Images

A Dinamarca se inspira principalmente nas equipes dos anos 1980, quando surpreendeu o mundo com seus grandes talentos e futebol vistoso, e de 1998, quando fez sua melhor campanha na competição. Até o início da década de 80, os nórdicos não contavam com grande tradição no esporte, porém, tudo começou a mudar na Eurocopa de 1984. 

Confiante após chegar perto de se classificar à Copa do Mundo dois anos antes, a Dinamarca conseguiu classificação à Euro de 84. Sem causar muito temor, a seleção dinamarquesa surpreendeu a todos ao bater adversários como Iugoslávia - por 5 a 0 -, Bélgica e Inglaterra, e chegar à semifinal da competição, quando foi eliminada para a Espanha. Durante a surpreendente campanha, foi alcunhada como "Dinamite Dinamarquês". A participação chegava ao fim, mas o sonho de postular no cenário internacional, não.

Então, os dinamarqueses seguiram firmes e conseguiram classificação ao Mundial de 1986, o primeiro da história. Logo no sorteio das chaves, os europeus não deram sorte e caíram, para muitos, no apontado "Grupo da Morte", formado por Uruguai, Escócia e Alemanha Ocidental. Porém nada teve de temeroso para a equipe de Elkjaer Larsen e Michael Laudrup, e a Dinamarca passou de fase com ampla vantagem de seus concorrentes, com nove gols marcados e 100% de aproveitamento. Entre as vitórias, entrou para a história o 6 a 1, em cima do Uruguai.

Na sequência do torneio, a equipe seria eliminada para a Espanha, com direito a dura goleada sofrida por 5 a 1. Mesmo assim, a equipe marcou época com seu padrão tático avançado para a época e a qualidade dos jogadores. Com isso, ganhou o apelido de "Dinamáquina". 

Jogadores dinamarqueses comemoram goleada sobre Uruguai, na Copa de 1986. Foto: Bob Thomas/Getty Images
Andersen, Laudrup e Larsen comemoram goleada sobre Uruguai, na Copa de 1986. Foto: Bob Thomas/Getty Images

A premiação pelo protagonismo entre as seleções se deu no ano de 1992, quando a Dinamarca sagrou-se campeã da Eurocopa. O técnico não era mais Sepp Piontek, que foi substituído por seu auxiliar Richard Møller Nielsen. Com ele, mudou-se o esquema tático e o estilo ofensivo passou para uma tática visada para a parte defensiva, o que acabou dando certo. Além disso, a seleção contou com novos talentos, como Peter Schmeichel e Brian Laudrup. A competição foi uma das mais difíceis na história do esporte: no caminho até o título, a Dinamarca bateu equipes como França, Inglaterra e Suécia, além da Holanda e da Alemanha, cuja foi enfrentada na final.

Seis anos mais tarde, a Dinamarca chegava à Copa do Mundo da França sobre olhares opostos ao de dez anos anteriores e justificou a mudança de comportamento. Na fase de grupos, caiu ao lado do país sede, além de África do Sul e Arábia Saudita, e se classificou no segundo lugar do Grupo C. Na fase seguinte, eliminou com autoridade a equipe da Nigéria, vencendo por 4 a 1. O desempenho era excelente e os fãs sonhavam com voos ainda maiores na competição, porém, nas quartas de final, veio o Brasil. E num jogo disputado do início ao fim, os brasileiros derrotaram os dinamarqueses por 3 a 2 e deram fim ao sonho da superconquista da Copa do Mundo.

Ebbe Sand comemora gol na vitória sobre a Nigéria, em 1998. Foto: Mark Sandte/Getty Images)
Ebbe Sand comemora gol na vitória sobre a Nigéria, em 1998. Foto: Mark Sandten/Getty Images)

Depois de 20 anos, a Dinamarca não conta mais com uma equipe repleta de craques, porém, possui bons talentos e deposita suas fichas em seu principal jogador, Christian Eriksen, meia do Tottenham, da Inglaterra. Há uma curiosidade no elenco dinamarquês: o goleiro Kasper Schmeichel, do Leicester City, é filho de Peter Schmeichel, arqueiro do time da Copa de 98. Além deles, pode-se observar diversos jogadores renomados e jovens promessas no cenário internacional, como Christensen (Chelsea), Kjaer (Sevilla), Delaney (contratado recentemente pelo Borussia Dortmund), Schone e Dolberg (Ajax). 

Em sua última participação, na edição de 2010, na África do Sul, os dinamarqueses caíram no grupo E, ao lado de Holanda, Japão e Camarões, e não passou da primeira fase. A equipe já contava com nomes presentes em 2018, como o próprio Eriksen, porém, ainda inexperientes. Hoje, com maior equilíbrio entre juventude e experiência, além de contar com maior recurso técnico, a Dinamarca promete incomodar seus rivais e brigar, não somente por passar da primeira fase, mas também no mata-mata da competição.

Veja a lista dos 23 convocados pelo técnico Age Hareide:

Goleiros: Kasper Schmeichel (Leicester-ING), Jonas Lossl (Huddersfield-ING), Frederik Ronow (Brondby-DIN).

Defensores: Simon Kjaer (Sevilla-ESP), Andreas Christensen (Chelsea-ING), Mathias Jorgensen (Huddersfield-ING), Jannik Vestergaard (Borussia Mönchengladbach-ALE), Henrik Dalsgaard (Brentford-ING), Jonas Knudsen (Ipswich-ING).

Meio-campistas: William Kvist (FC Copenhagen-DIN), Thomas Delaney (Werder Bremen-ALE), Lukas Lerager (Bordeaux-FRA), Lasse Schone (Ajax-HOL), Mike Jensen (Rosenborg-NOR), Christian Eriksen (Tottenham-ING), Michael Krohn-Dehli (Deportivo La Coruna-ESP).

Atacantes: Pione Sisto (Celta de Vigo-ESP), Martin Braithwate (Bordeaux-FRA), Andreas Cornelius (Atalanta-ITA), Viktor Fischer (FC Copenhagen-DIN), Yussuf Poulsen (RB Leipzig-ALE), Nicolai Jorgensen (Feyenoord-HOL), Kasper Dolberg (Ajax-HOL).

Como joga a Dinamarca?

Escalação da Dinamarca no último amistoso pré-Copa, contra o México.
Escalação da Dinamarca no último amistoso pré-Copa, contra o México.                                                                        

Tendo Christian Eriksen como principal desafogo, a equipe de Age Hareide possui diferentes formas de jogar de acordo com o adversário enfrentado. Podemos observar os dinamarqueses com maior posse de bola e tomando a iniciativa da partida, como nos jogos contra a Irlanda, na Repescagem das Eliminatórias da Copa, quando foi amplamente superior nos dois jogos, ou optando por se retrair na defesa e investir nas rápidas saídas no contra-ataque.

As mudanças são observadas logo no pontapé inicial, quando são divulgados os titulares da partida. O treinador norueguês costuma trabalhar com duas peças especiais para a mudança tática: o rodízio entre Yussuf Poulsen e Andreas Cornelius.

Ambos possuem alta estatura física, com 1,93m de altura, porém, a diferença entre eles está na agilidade e velocidade. Enquanto Poulsen é utilizado como uma peça para construção de jogo pelo chão, Cornelius é visto como um jogador para ganhar território no campo, como no futebol americano, pelas jogadas aéreas. Vale ressaltar que não necessariamente é utilizado o chuveirinho na área para tal tática dar certo, mas sim, como uma simples bola lançada em uma das pontas, para Andreas fazer a proteção e ter a posse absoluta da bola. No resto das posições, o natural é que os jogadores utilizados sejam os mesmos sem trocas de acordo com os adversários.

Foto: Laurens Lindhout/Getty Images
Dolberg, Dalsgaard, Eriksen e Poulsen comemoram segundo gol na vitória contra o México, em amistoso pré-Copa da Rússia. Foto: Laurens Lindhout/Getty Images

Contratado recentemente pelo Borussia Dortmund, Delaney estabelece a função de ser um "meia completo", que consegue defender e atacar em forte nível. Ao seu lado, Kvist funciona como um ladrão de bolas e não costuma se arriscar no ataque.

Com nove gols sofridos em doze jogos nas Eliminatórias da Europa, a zaga dinamarquesa causa certo temor entre os torcedores. O único que possui confiança absoluta é o capitão Kjaer, que formava dupla de zaga com Andreas Bjelland, cortado da competição por lesão. Christensen, defensor do Chelsea, foi o escolhido para substituí-lo e tem respondido com crescimento no rendimento, porém, não chegou a ser utilizado constantemente nos jogos classificatórios. O jogador dos Blues também pode atuar como lateral-direito, como foi por vezes nas Eliminatórias.

Completando a linha de zagueiros, os laterais Dalsgaard e Larsen também não costumam subir tanto para ajudar os atacantes. Abaixo da meta está Kasper Schmeichel, ídolo do Leicester City e filho de Peter, referência mundial na posição nas gerações passadas.

A expectativa entre os torcedores da Dinamarca é de que a equipe faça boa campanha e consiga passar da fase de grupos, ao lado da França. Porém não se pode definir algo quando ainda há duas outras seleções, casos de Austrália e Peru, além de se tratar de Copa do Mundo, o maior torneio disputado no esporte e recheado de surpresas em sua história.