Medalhista no hóquei, treinador do Independiente busca primeiro título no futebol

Ariel Holán é uma figura um tanto quanto peculiar no futebol, mas conquistou, em pouco tempo, os corações da torcida do Rojo

Medalhista no hóquei, treinador do Independiente busca primeiro título no futebol
Foto: Gabriel Rossi/LatinContent WO

Ariel Holán, técnico do Independiente, não é um daqueles que treinadores que fazem inúmeros cursos de uma federação, ou que foram funcionários do clube que treina durante anos e tampouco é um ex-jogador que marcou época em alguma equipe argentina no passado. Muito pelo contrário, sua vida profissional sempre esteve longe do futebol, apesar do mesmo afirmar que é, desde pequeno, apaixonado pelo esporte.

Trajetória

Começou sua carreira sendo treinador de equipes de hóquei sobre a grama, e logo se destacou no cenário nacional, chegando a treinar as principais equipes do país nessa modalidade. Por muitos anos, Holán se dedicou inteiramente ao esporte, passando longe de exercer alguma função dentro do contexto do futebol.

Seu sucesso local fez com que o treinador fosse contratado pela Federação Uruguaia para treinar a seleção feminina de hóquei sobre a grama do país. O resultado foi muito bom: conquistou a medalha de bronze no Jogos Panamericanos de 2003 em Santo Domingo, na República Dominicana, sendo, até hoje, a única medalha conquistada pelo Uruguai nessa modalidade.

Com os bons resultados no torneio, teve o seu primeiro contato prático com a gestão de futebol em 2003, quando foi chamado para uma série de palestras sobre o esporte em Pennsylvania e Atlantic City, nos Estados Unidos. A coisa ficaria séria quando Jorge Burruchaga, ex-jogador que participou do título da Copa do Mundo de 1986, o chamaria para ser seu assistente técnico no Arsenal de Sarandí.

Holán acompanharia o ex-jogador em suas aventuras no clube de Sarandí, de 2003 a 2004, no Estudiantes, em 2005, e no próprio Independiente, em 2006. O trabalho no clube de Avellaneda foi tão bom que Ariel seria convidado a integrar as escolas de base do Rojo, lidando, em dois anos, com mais de 1500 jovens entre os 5 e 14 anos de idade.

Seu primeiro trabalho – de fato – grande seria em 2011, integrando ao corpo técnico do River Plate, treinado por Matías Almada, que buscava retornar à elite do futebol argentino. Com uma campanha irrefutável, os Millonarios garantiriam o título da divisão de acesso, com uma campanha de 73 pontos.

Almada não terminaria a temporada seguinte no River Plate, seria demitido e assinaria com o Banfield, levando Holán junto. Por lá, em 2013, assumiu a função de auxiliar técnico da equipe de Buenos Aires, ficando no campo junto com o treinador da equipe. Os dois conquistaram, em 2014, outro acesso e teriam a oportunidade de disputar a primeira divisão novamente.

Sua primeira oportunidade como um treinador de fato viria em 2015, quando assumiria o cargo do Defensa y Justicia, pequeno clube do país, que resolveu apostar em uma nova filosofia vinda da casamata. No DyJ, implantou seu sistema de jogo e, mesmo com alguns jogadores limitados tecnicamente, conseguiu colocar a equipe na 10ª colocação no Campeonato Argentino de 2016, na zona de classificação para a Copa Sul-Americana desse ano – sendo a primeira competição internacional da equipe canarinho.

Com todo esse sucesso e a desgastada saída de Gabriel Milito do Independiente, Holán assumiria o cargo do Rojo, clube que ele assumiu que torcia desde a infância, dando a entender que, mesmo vindo do hóquei, tinha uma base do futebol.

Filosofia

Sem papas na língua, Holán assumiria o Independiente. Em um áudio que viralizou antes de assumir o cargo, ele dizia “Não se pode querer jogar como o Barcelona porque lá (no Independiente) não tem os mesmos jogadores e porque isso não está na essência do clube. Tem que implementar um futebol prático e dinâmico.” – Apesar de ter sido criticado por alguns ícones do clube, muitos torcedores apoiaram a ideia do treinador, que ainda afirmou que vivia intensamente o clube desde pequeno e que era frequentador de arquibancada, ou seja, que sabia da pressão e das características do Rojo.

Apesar de ser muito questionado por isso, Ariel Holán implementou muitos conceitos do hóquei sobre a grama na sua equipe. Analisando por alto, até faz sentido, já que as posições e espaços ocupados pelos jogadores em campo se assemelham em partes. A modalidade olímpica requer dinamicidade e muita precisão e, por isso, uma das características de suas equipes dentro das quatro linhas são a verticalidade e as rápidas transições.

Uma frase famosa de Holán é “Jogar sem qualidade individual é como jogar tênis sem raquete” – Nesse contexto, é possível entender uma das características que o treinador prioriza em seus jogadores: a inteligência. Mesmo apoiando um jogo muito ofensivo, com marcação pressão e intensa movimentação, Ariel diz que, antes de tudo, o jogador não pode tomar decisões sem usar sua cabeça, o que acaba, consequentemente, priorizando o seu talento.

Vibração: Holán assumiu o Rojo de corpo e alma (Foto: Demian Alday/LatinContent WO)
Vibração: Holán assumiu o Rojo de corpo e alma (Foto: Demian Alday/LatinContent WO)

Em seu site oficial, a primeira frase que aparece é “A estratégia é um complemento da tática”, o que exemplifica a atenção que Holán dá em seus treinamentos, trabalhando as jogadas e sua filosofia. Outra característica marcante de seu arsenal é a paixão com a qual ele trata isso tudo – como pôde ser visto na partida contra o Libertad, pela semi-final da Sul-Americana, quando Ariel se emocionou com a festa da torcida diante do resultado positivo. 

A verdade é que, apesar de questionado por utilizar conceitos do hóquei e alguns resultados negativos no começo da temporada, Ariel Holán transformou o Independiente em uma equipe competitiva novamente, conquistando o coração de todos os torcedores. A Copa Sul-Americana é a primeira chance do treinador conquistar um título pelo Rojo.