Valentim vê evolução no Botafogo e tira 'peso' nas costas: "Precisávamos dessa vitória"
Alberto Valentim durante vitória do Botafogo contra o Bangu, na Taça Rio 2018 (Foto: Vitor Silva/SS Press/Botafogo FR)

Nada como uma rodada após a outra no Campeonato Carioca. O Botafogo voltou a vencer na Taça Rio e parece ter tirado um peso das costas do técnico Alberto Valentim. O placar contra o Bangu no Estádio Nilton Santos, nessa terça-feira (06), foi magro: apenas 1 a 0, com gol de Rodrigo Pimpão, mas essencial para a evolução da equipe e para dar um ar de tranquilidade mais aos jogadores e o "professor", que elogiou o comprometimento dos seus comandados e as oportunidades criadas. 

"Achei o começo muito bom, até os 30 minutos. Nós fizemos a bola rodar, criando oportunidades. Depois, desorganizamos um pouco ofensivamente, mas criamos oportunidades. O time evoluiu, tivemos o controle do jogo. Procuramos alternar passe e bolas longas. Depois de um clássico, da forma que perdermos, os jogadores foram muito fortes na maneira de se preparar. Eles estão de parabéns, era uma vitória importante", analisou o técnico em entrevista coletiva após o jogo. 

Na rodada anterior, o Botafogo perdeu por 1 a 0 para o Flamengo, apesar de ter feito um bom jogo e jogado com um a mais durante o final da partida. A derrota para um rival nunca faz bem, mas atrapalhou ainda mais os planos do alvinegros, que vinha de dois jogos e duas vitórias e tentando recuperar a confiança da torcida. Por isso, Valentim explica que a vitória diante do Bangu era essencial para uma melhora na competição. "Pedi muito aos jogadores que fizéssemos uma partida boa, de qualidade. Precisávamos muito dessa vitória. Vitória boa. Agora, vamos ter mais tranquilidade para o jogo com o Volta Redonda. Vai ser difícil e precisamos ir fortes", explicou. 

Apesar da vitória, Valentim reconhece, ainda, alguns pontos que precisam ser analisados e melhorados na equipe, principalmente no setor ofensivo. O Botafogo conseguiu jogar mais no campo do Bangu, em relação ao último jogo, mas não obteve êxito nas finalizações. "Se criamos, se não me engano, 16 finalizações, a precisa caprichar mais. O jogo estava controlado, mas precisamos aproveitar as chances", lamentou. 

O clássico contra o Flamengo ficou marcado, principalmente para os alvinegros, pelos erros de arbitragem. A atuação do trio de árbitros gerou tanto incômodo à diretoria do Botafogo, que o clube protocolou à Federação de Futebol do Rio de Janeiro (FFERJ) um protesto formal sobre a ocasião. Contra o Bangu, o clube voltou a sofrer com erros dos profissionais de arbitragem. Dessa vez, um gol mal anulado de Kieza aos 3 minutos do primeiro tempo. Valentim criticou o prejuízo à equipe, mas reconheceu dificuldade do bandeirinha. "Mais uma vez foi mal anulado. Hoje era mais difícil, mas infelizmente erraram de novo. (No último jogo) Foram erros muito pesados, o Flamengo ganhou injustamente por esses erros, mas é bola parada, jogador de frente, ele já está numa posição irregular e o bandeira não consegue ver", analisou. 

Um reforço muito desejado pela torcida e diretoria finalmente está prestes a chegar no Rio de Janeiro. O uruguaio Rodrigo Aguirre, de 23 anos, que chegou a demontar publicamente vontade de jogar no Botafogo, deve chegar ao Rio nessa quarta-feira (07) para a realização de exames médicos e, se nada mudar, assinar o contrato com a equipe alvinegra. O técnico Valentim se mostrou exaltou o provável reforço e elogiou o jogador. "Muita qualidade, jogador veloz e forte. Pode jogar em três posições. Nos dois lados e pode fazer o 9 também. Chega amanhã, torcer para dar tudo certo nos exames. Vai nos ajudar muito", elogiou. 

Uma briga que parece perambular a cabeça dos treinadores do Botafogo é a escolha entre Marcos Vinícius e Léo Valencia. Com Jair Ventura, Marcos Vinícius chegou a ser titular em algumas ocasiões e teve bons momentos. Já Felipe Conceição deu mais espaço a Léo Valencia, que ainda não mostrou serviço em campo. Com Valentim, o chileno tem sido titular e, na partida de terça-feira (07), deu lugar a Marcos Vinicius logo no começo do segundo tempo. "Queríamos Marcos mais como camisa 10, para achar uma bola. Gostei do primeiro tempo com o Léo. Queria dar mais a qualidade no passe. Poderíamos perder na dinâmica, porque Marcos não está com ritmo de jogo. Eles têm características diferentes, pedi para o Léo ocupar um pouco mais a faixa central. Marcos é mais cadenciado, até porque ele não está 100% fisicamente. A gente vai vendo de acordo com adversário. É uma briga boa e vai enchendo a minha cabeça", explicou. 

Outra dupla elogiada pelo técnico foram os volantes Rodrigo Lindoso e João Paulo. O último foi um dos melhores da partida e vem sendo destaque desde o ano passado na equipe. Segundo Valentim, a escolha de titularidade dos dois é, principalmente, a alternância em bolas longas.  "Temos que ter posse para achar essas bolas. Rodrigo Lindoso e João têm características de segundo volante. A gente busca alternar: um vai, ora o outro vai. Lindoso chega, João consegue finalizar. Não temos aquele 'marcadorzão'", respondeu. 

Mesmo com o gol da vitória, o atacante Rodrigo Pimpão parece ter ainda mais trabalho para recuperar a credibilidade da torcida. Desde o final da temporada passada, o jogador vem sendo alvo de protestos, que se intensificaram no começo do Campeonato Carioca desse ano. No entanto, o comandante da equipe prefere dar seu voto de confiança ao atleta e logiou a postura do jogador, que entrou em campo com sete pontos na cabeça causados no jogo contra o Flamengo. "Não só o Pimpão, mas todos os jogadores precisam trazer nosso torcedor de volta. Lógico que houve período difícil, e alguns jogadores ficam mais visados. Isso em qualquer time. Tem treinado bem, tem se esforçado, procura fazer o que a gente pede. Jogou com sete pontos na cabeça e podia ir para o cabeceio", defendeu. 

Se em campo as coisas parecem começar a se encaixar, nas arquibancadas o público parece ainda não ter achado sua motivação. Sem ser um problema exclusivamente do Botafogo, o Campeonato Carioca vem sofrendo com baixos números de público presente em jogos da competição. Para o técnico do alvinegro, é difícil de entender as causas, mas a violência no estado e o horário das partidas pode ser um dos fatores. "Vim de um estado que está batendo recoordes de público e renda. Não sei direito o que acontece, quais são as razões para os torcedores não virem. Jogávamos no Palmeiras com média de 30 mil, fazia a diferença. Tomara que o governo tome as mudanças necessárias, a violência tem que acabar. Futebol carioca é muito importante para o Brasil, estamos falando de quatro clubes muito importantes para o futebol", finalizou. 

 

 

 

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