Alexandre Campello justifica viagem à Rússia e fala sobre questão política do Vasco

Presidente cruzmaltino concedeu entrevista exclusiva ao globoesporte.com, explicando a ausência e negociação com o atacante Lucas Barrios

Alexandre Campello justifica viagem à Rússia e fala sobre questão política do Vasco
(Foto: Paulo Fernandes/Vasco.com.br)

Mandatário máximo do Clube de Regatas Vasco da Gama, Alexandre Campello voltou da Rússia, depois de acompanhar a fase inicial da Copa do Mundo e tentar uma relação mais próxima com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), e concedeu uma entrevista exclusiva ao site globoesporte.com, onde presidente ficou sabendo que em São Januário, o caos estava voltando à tona.

No cargo desde o início do ano, depois de um embróglio judicial, que foi noticiado por um longo tempo e é falado até hoje, Campello ainda convive com casos de divisão dentro do clube, por conta da divisão que há entre a chapa que o apoiou nas eleições, grupo o Identidade Vasco, e conflitos políticos internos.

O mais recente foi na viagem ao país da copa, onde o comandante do Vasco, foi para tentar contratar o atacante, campeão da Libertadores, Lucas Barrios, além de conseguir estreitar relações com a entidade máxima do futebol brasileiro. O jogador estava bem encaminhado para reforçar o elenco cruzmaltino, quando surgiu a confusão. Campello logo voltou ao Brasil depois de saber que o presidente do conselho deliberativo, Roberto Monteiro, o declarou dispensado e nomeou Eloi Ferreira, vice-geral, como o presidente interino do clube. O clube ficou inerte e nessa confusão toda, a torcida "viu" um possível reforço, assinar com outro clube.

"Coincidência ou não, estávamos negociando com o Lucas Barrios. As conversas vinham evoluindo muito bem, e exatamente nesses dias em que essas aconteceram, ele acabou fechando com o Colo Colo. A gente sabe que o futebol chileno paga menos que o brasileiro. Coincidência ou não, nesse período o Barrios, que vinha demonstrando interesse grande em jogar pelo Vasco, acabou fechando com o Colo Colo", explicou o presidente Campello.

Logo após solucionar o problema, o presidente lamentou o ocorrido e afirmou que a viagem para a Rússia, foi à trabalho, para ajudar o Vasco em negociações com possíveis patrocinadores grandes, já que a maioria acompanhava a Copa do Mundo, in loco. De acordo com Campello, uma oportunidade única para o gigante da colina se fazer presente e poder voltar do torneio, com algum "parceiro" para o clube.

"Acho que foi um fato lamentável para o Vasco. É uma viagem institucional. Fui a convite da CBF. Um evento da maior magnitude do futebol, que é a Copa do Mundo, no local onde estão representantes de diversos clubes, da própria CBF. Empresários, investidores, patrocinadores... Uma ótima oportunidade para um clube da grandeza do Vasco se fazer representar e, com isso, estreitar relações, abrir portas, criar oportunidades de patrocínio e investimentos no clube".

Reflexo do caos político cruzmaltino

O presidente contou sobre o ocorrido e declarou que tudo não passou de um engano do presidente do conselho deliberativo, Roberto Monteiro, onde queria dar uma licença para o mandatário administrativo, sendo que o mesmo estava em uma viagem à trabalho, pelo Vasco da Gama.

"Fui surpreendido com uma ação, a meu ver, indevida do presidente do conselho deliberativo. Interpretando o estatuto de uma maneira errônea, onde diz que o presidente do conselho deliberativo pode licenciar o presidente administrativo, ele tomou essa atitude de querer licenciar o presidente, que estava em exercício numa viagem institucional", afirmou Campello

Perguntado se a volta, com antecedência, ao Brasil foi por conta da possível dispensa, Campello confirmou e afirmou que há um grupo dentro da instituição que não concorda com as escolhas do presidente e,por isso, tenta encontrar modos de tirá-lo do poder.

"Exato. O retorno foi colocando o Vasco em primeiro plano, tentando acabar com o caos que foi instalado aqui por conta dessa ação, que tem por trás um grupo de oposição, que é o Identidade Vasco, do qual o vice-presidente faz parte e o presidente do conselho deliberativo é o líder”, explicou o presidente.

Com tantos problemas que acontecem dentro do clube, Campello disse que casos como esse, atrapalham a gestão, ainda mais de maneira recorrente, como está sendo rotina no dia a dia vascaíno. Além disso, o presidente também disse que antes de qualquer inciativa de conversa com algum representante de jogador para uma possível contratação, os empresários, ou até mesmo os próprios jogadores, questionam sobre o momento político do clube, por conta da dificuldade financeira e embróglios já rotineiros.

"Sem dúvida alguma atrapalha bastante. A gente acaba tendo que direcionar nossa energia, que deveria ser para a gestão, para estas questões políticas. A gente observa que isso tem ocorrido de maneira recorrente. A cada duas, três semanas é gerado um fato novo que tem finalidade de dificultar a gestão, o que ela tem se proposto a fazer, que é reestruturar o clube financeiramente", afirmou o mandatário que ainda completou.

"A primeira pergunta de um jogador que a gente pretende contratar é sobre a questão politica. Ao sentar com o Alexandre (diretor executivo), a primeira pergunta foi sobre a questão política. Somos cobrados porque não temos um patrocinador máster. Estamos conversando com possíveis patrocinadores e nesse momento se preocuparam com essa questão política. Esses fatos ocorrendo de maneira recorrente, atrapalharam sobremaneira esse resgate de patrocinadores”, finalizou Campello.