Ricardo Tenório sinaliza mudança no futebol do Fluminense: "Aliados do Mário"
Foto: Divulgação / Facebook Ricardo Tenório

Ricardo Tenório sinaliza mudança no futebol do Fluminense: "Aliados do Mário"

Série de entrevistas com os candidatos à presidência do Tricolor inicia com o ex-vice de futebol que esteve presente na fuga do rebaixamento em 2009

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Luis Araujo

Ricardo Tenório tem 58 anos e concorrerá à presidência do Fluminense pela primeira vez como principal nome de uma chapa. Na eleição passada, estava aliado à Mario Bittencourt e seria seu vice-presidente geral. Ex-vice de futebol do Tricolor por duas oportunidades, ele prega união de todos os setores do clube para tirá-lo da crise política que atravessa e que culminou na antecipação das eleições para o dia 8 de junho.

O presidente que assumir dia 10 de junho pegará o clube com a temporada já iniciada e também com a principal competição do calendário já com muitas rodadas disputadas. Tenório entende que o vencedor do pleito deverá trabalhar para não perder o comando dos jogadores.

"Pois é, a antecipação das eleições criou uma novidade perigosa: o presidente assumirá com o campeonato na nona rodada. Será preciso tocar com muito cuidado e transferir para o time a tranquilidade de se ter uma gestão não política no campo e no vestiário. Vê-se hoje Fernando Simone e Angioni envolvidos no processo eleitoral, porque são indicações políticas do Mário. Será necessário lidar com isso com muito cuidado", comentou. 

Peguntado se manterá os integrantes do departamento de futebol e a comissão técnica, o candidato só confirmou a permanência de Fernando Diniz e seus auxiliares. "A comissão técnica sim (será mantida)".

Um importante ponto na eleição passada foi a conclusão do Centro de Treinamento. Muitos sócios ouviram de Pedro Antônio, no dia da votação, que somente Pedro Abad teria o compromisso de terminar a obra. Tenório entende que o ex-vice de projetos especiais deve ser o encarregado de prosseguir com o projeto.

"Que tal deixar isso por conta do Pedro Antonio, demitido pelo Abad? O CT é um patrimônio fundamental para o Fluminense, porque um time tetracampeão brasileiro de futebol, que quer disputar e vencer a Libertadores e ser Campeão Mundial, não pode prescindir de um espaço moderno de treinamento. Os investimentos no CT foram feitos. Dinheiro do Fluminense foi gasto lá. Pedro Antônio me disse que com pouco menos de 500 mil reais conseguirá concluir. Daremos a ele as condições e se ele não quiser mesmo o trabalho, encontraremos um meio de fazer".

Foto: Divulgação / Facebook Ricardo Tenório
Foto: Divulgação / Facebook Ricardo Tenório

Leia a entrevista completa abaixo:

Se apresente ao torcedor do Fluminense.

"Passei a minha infância e juventude na sede do Fluminense. Fiz parte das escolinhas. Marquei a minha infância e adolescência torcendo pelo meu Fluminense e até hoje, já com filhos e netos, e minha vida profissional resolvida, torço pelo Fluminense e torcerei até morrer e tenho muita paixão por Laranjeiras. Ali está parte da minha história e da minha família. Em 2009, fui chamado para conduzir o futebol profissional, como Vice-Presidente não remunerado. A história do time mostra o que foi aquele momento para todos os torcedores. Lá nasceu o time de Guerreiros, uma marca que a gente carrega até hoje. 2009, foi um momento único na minha vida de torcedor.

Vi o que fizeram com o meu Fluminense nos últimos anos e entendi que eu possa ajudar, colaborar mesmo, para reconstruir a instituição e torná-la moderna, nos moldes do que é o futebol mundial. Podemos ser o melhor clube brasileiro, sem dúvida, se soubermos unir as melhores cabeças e atributos.

Apresentei-me, então, como candidato a presidente e cá estou, numa batalha grande, mas convicto da chance de vencer. A situação do Fluminense pede equilíbrio, boa técnica de gestão e zero da euforia e da obrigação de remunerar por serviços que não são prestados ou prestados sem nenhum controle ou cobrança de bons resultados".

ESPORTES OLÍMPICOS

Pensa em viabilizar uma reforma para o ginásio poliesportivo do Fluminense? 

"Há anos se fala nisso. Eu quero fazer a reforma, como quero reforma todo o parque de Laranjeiras, da sede do Fluminense. O ginásio é um patrimônio fundamental para quem entende a necessidade de o Fluminense ter atletas, que tenham no peito a marca do Fluminense. Somos uma escola reconhecida de formação de atletas e mesmo assim, muitos ficam numa posição, perdoem-me, idiota, de achar que o Fluminense deve ser só futebol. O Fluminense é uma marca com história e isso vale dinheiro e dinheiro é algo que o Fluminense precisa".

Como enxerga o apoio dos Esportes Olímpicos para o candidato Mário Bittencourt? 

"Ato democrático da diretoria escolhida pelo Presidente Abad. Está claro que se o meu adversário vencer, o tratamento que se dará ao departamento será o mesmo - eu acredito até pior - ao dado pelo Presidente Abad. Eu tenho certeza que é um ato isolado da diretoria, porque todos os atletas, professores, enfim, toda a turma que está no Esportes Olímpicos e precisa da Instituição sabe o que pensam Mário e Celso sobre a presença do esporte olímpico na grade de serviços do Fluminense. Olhe o passado. Olhe o tempo do Celso Barros na presidência da patrocinadora master, UNIMED-RIO. Houve um só momento em que ele se dispôs a colocar um tostão no Esporte Olímpico? E olha que os uniformes dos atletas carregava a mesma marca do futebol profissional. Precisa dizer mais?"

O projeto do vôlei feminino será mantido? Pensa em expandir para o basquete masculino?

"Será mantido e penso sim expandir para o basquete masculino. Há dinheiro para isso? Já há só não se sabe como fazer. O dinheiro está no potencial da marca de gerar exposição positiva. Hoje é possível fazer transmissão de jogos, de matérias com atletas, tudo isso com patrocínio sem depender tanto da TV. E temos ainda a janela de oportunidade dos incentivos fiscais e eventos. Portanto, é possível sim, porque é factível produzir novas receitas com a marca, com a história, com os ídolos, com os atletas, com as escolas de formação".

FINANÇAS

É notório que o clube mudou seu jeito de encarar as dívidas na gestão Peter Siemens. Pretende manter o modelo de pagamento destas? Como sua gestão lidará com isso?

"Duas Vice-Presidências foram minha prioridade de escolha: a financeira e a jurídica, porque dívidas a gente paga com realinhamento entre receitas e despesas fugindo dos atrasos de pagamento que são alimentadores da dívida. Dívidas a gente paga com a busca de novas receitas e o Fluminense tem potencial para consegui-las. Dívidas a gente paga quando interrompe o processo que nos levou a elas e nesse momento entra o departamento jurídico, porque as dívidas de qualquer instituição ou empresas são resultado de contratos firmados. O jurídico fará revisão em todos os contratos, criará novos procedimentos para contratação. As duas vice-presidências trabalharão com conceitos que serão novidade no Fluminense, mas velhos demais na vida das empresas: risco, custo, transparência e compromisso com resultado".

Muitos analistas dizem que o clube está próximo da falência. Como fazer para enfrentar esse desafio? 

Vale a resposta anterior. O adversário fala em equacionar as dívidas. Não sabe o que diz. Elas estão quase todas equacionadas em parcelamentos. As dívidas fiscais no PROFUT e as Trabalhistas no Ato. É preciso cumpri com os pagamentos.

O clube não consegue um patrocinador master já tem alguma temporadas. Como acabar com isso e conseguir captar recursos nessa parte tão importante do orçamento?

"O modelo ideal de patrocínio é aquele que garante ao patrocinador algo grau de retorno para a marca dele. Quando isso acontece ou está garantido nas negociações, o patrocinador coloca dinheiro na composição da marca e na exposição das duas. Por que a UNIMED-RIO enriqueceu? Exatamente, porque explorou convenientemente a marca Fluminense. E o Fluminense recebeu retorno? De certo modo sim, mas num modelo que transferiu para o Fluminense uma dívida trabalhista colossal. Teremos uma área com bons profissionais de negociação. Isso fará diferença, porque tirará dos negócios o sufoco para pagar as contas. O Fluminense está sempre negociando mal, porque desesperado para pagar as contas".

XERÉM

Xerém é uma das melhores bases do Brasil e vem se destacando nos últimos anos vencendo campeonatos e revelando grandes atletas. Pretende manter o investimento, aumentar ou diminuir?

"Xerém tem dado às contas do Fluminense um alívio enorme. O que recebeu de retorno por isso? Quanto foi investido lá? No meu desenho, Xerém terá participação financeiras nas transferências dos jogadores que formou, mas com a obrigação de cumprir um plano de investimentos definido pela Presidência. Meu desejo é ampliar os investimentos que são feitos em Xerém".

Marcelo Teixeira continuará como comandante do trabalho em Xerém?

"Ele já decidiu sair. O mercado tem formadores com bons currículos no campo em que ele atua".

Como sua gestão irá trabalhar com a venda de jogadores revelados em Xerém?

"Reconhecendo que eles são um ativo importante e que alguns podem ser ídolos no próprio Fluminense. É preciso interromper o comportamento ruim de entender Xerém como um depósito de matérias-primas que você vende para pagar salários ou despesas de custeio. As transferências serão analisadas com os conceitos que apresentei aqui antes: risco, custo, transparência e resultados positivos".

Foto: Divulgação / Facebook Ricardo Tenório
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FUTEBOL PROFISSIONAL

Diferente de outros processos eleitorais, desta vez o presidente assumirá o clube com a temporada em andamento. Qual sua proposta para mudança do departamento de futebol? 

"Pois é, a antecipação das eleições criou uma novidade perigosa: o presidente assumirá com o campeonato na nona rodada. Será preciso tocar com muito cuidado e transferir para o time a tranquilidade de se ter uma gestão não política no campo e no vestiário. Vê-se hoje Fernando Simone e Angioni envolvidos no processo eleitoral, porque são indicações políticas do Mário. Será necessário lidar com isso com muito cuidado".

Manterá os integrantes do departamento de futebol e a comissão técnica? 

"A comissão técnica sim".

Já tem conversas com empresários para contratação de jogadores? 

"Esse seria um comportamento imoral. Seria transferir a política para a negociações. Mas, eleito, não terei nenhuma dificuldade para iniciar as tratativas, porque conheço o mercado e terei liberdade para brigar pelos interesses do Fluminense. Não atuo profissionalmente no mercado de negociação de jogadores, por isso, terei plena liberdade para impor os conceitos de risco, custo, transparência e resultados".

Como irá trabalhar para conseguir concluir as obras no Centro de Treinamento.

"Que tal deixar isso por conta do Pedro Antonio, demitido pelo Abad? O CT é um patrimônio fundamental para o Fluminense, porque um time tetracampeão brasileiro de futebol, que quer disputar e vencer a Libertadores e ser Campeão Mundial, não pode prescindir de um espaço moderno de treinamento. Os investimentos no CT foram feitos. Dinheiro do Fluminense foi gasto lá. Pedro Antônio me disse que com pouco menos de 500 mil reais conseguirá concluir. Daremos a ele as condições e se ele não quiser mesmo o trabalho, encontraremos um meio de fazer".

Foto: Divulgação / Facebook Ricardo Tenório
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Irá manter o nome escolhido pelo presidente Peter para o CT?

"Por que não? Não se pode ter no Fluminense a marca dos políticos tradicionais, que querem personalizar a gestão como se ela fosse uma propriedade privada".

A torcida reclama muito do posicionamento institucional em alguns episódios que sujam o nome do clube. Pretende manter o setor de comunicação do clube ou uma nova equipe comandará a pasta?

"Uma nova equipe. Está claro que a equipe que serviu ao Abad não produziu, em campo algum, os resultados esperados e em alguns casos, os resultados pelos quais recebeu".

ESTÁDIO

Quais o projeto a chapa tem preferência? Manutenção do acordo com o Maracanã, Laranjeiras ou um estádio próprio? 

"Casos distintos. O Maracanã é nosso. Sempre foi. Nos foi tomado pela orgia com dinheiro público que se viu no Rio de Janeiro. Temos um acordo lá com o Flamengo, que será preciso ser revisto, uma das primeiras tarefas do Vice-Jurídico, que é Procurador do Estado e conhece como poucos a relação do estado com o Maracanã, porque cuidou do assunto. Laranjeiras precisa ser revitalizado como sede do Fluminense e como há propostas de ter novamente lá um estádio, isso será submetido ao torcedor".

O plano de sócio torcedor não é foi atualizado nos últimos anos. Pretende manter o vigente ou teremos um novo plano de sócio futebol?

"Por que perder essa conquista? É possível melhorar os resultados financeiros e usá-lo como instrumento de reaproximação com os torcedores. É o que faremos".

Foto: Divulgação / Facebook Ricardo Tenório
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Alguns dirigentes do Flamengo já se manifestaram a favor da retirada de cadeiras do setor Norte do Maracanã para aumentar a capacidade e poder criar um setor popular. Concorda com a medida? Pensa em estender para o setor sul caso seja vencedor da eleição?

"Antes precisamos conhecer o contrato e avaliar as decisões com base no melhor desenho para a nossa torcida. O estádio é fonte inestimável de receitas e deve ser olhado sob esse prisma. Nenhuma decisão na nossa gestão será precipitada. Todas elas serão olhadas com o olhar dos conceitos fundamentais: risco, custo, transparência e resultados".

Por fim, o que o torcedor Tricolor pode esperar de Ricardo Tenório como presidente do Fluminense?

"Dedicação, transparência absoluta, zero de interesse pessoal, capacidade de liderança e diálogo e todas as medidas que sejam importantes para unir o Fluminense. Esse conjunto nos levará à Libertadores e à Liberdade de um conjunto de amarras que não deixam o Fluminense caminhar".

A VAVEL Brasil conversou com três candidatos a presidência do Fluminense com as mesma perguntas. As entrevistas completas serão publicadas a partir desta quarta-feira em nosso site. Fique ligado!

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