#BrasileirãoNaVAVEL: Times em maior crise  financeira
Foto: Reprodução / Corinthians

 A realidade financeira de times brasileiros está ocupando boa parte do espaço dos noticiários esportivos. Se 2019 já  não foi um ano fácil para a grande maioria dos clube, que  já via sua situações econômicas em estado decadente, a pandemia de coronavírus só piorou o que já estava ruim. 

Faturamento subiu, dívidas também

Apesar do faturamento da elite do futebol brasileiro ter aumentado para R$ 5,7 bilhões em 2019, principalmente por conta de direitos de transmissão e transferências de jogadores, a maior parte do aumento está concentrada em poucos clubes.

O grande problema encontrado é que as contas dos clubes não fecharam, tornando as dívidas ainda maiores. Só em 2019, o endividamento deste bloco aumentou em cerca de R$ 1 bilhão em relação ao ano anterior. Os principais aumentos no número de  endividamentos foram causados por: dívidas bancárias, trabalhistas e com clubes, agentes e patrocinadores. 

Os times em maior crise financeiras

Corinthians

A situação financeira do alvinegro paulista não é fácil. O mesmo Corinthians que tinha um dos maiores faturamentos no início desta década hoje tem dificuldade para arrecadar tanto quanto adversários. As dívidas representam atualmente duas vezes o valor da arrecadação anual. 

Os problemas começam na parte de arrecadamento: apesar de ter uma das maiores torcidas do Brasil, arrecada somente R$ 14 milhões com sócios-torcedores. Na parte de direitos de transmissão, as eliminações na Libertadores e na Copa do Brasil fez o clube não completar a receita com transmissão e premiações.

As dívidas e despesas com a Arena Corinthians são pagos com a bilheteria do estádio. Além de torcedores, direitos de transmissão e estádio, transferências de atletas caíram pela metade em relação a 2018.

A parte de gastos também é um grande problema no Parque São Jorge. Além das dívidas com os jogadores, a política também consome parte considerável dos recursos. A estrutura política dá um prejuízo de R$ 45 milhões. 

O balanço geral da diretoria financeira do Corinthians aponta dois principais problemas:  a arrecadação não bateu a expectativa, principalmente por não avançar em competições, e a despesas saíram do controle. Foram R$ 177 milhões de prejuízo em uma temporada só. O aumento no endividamento a curto prazo ainda pode colocar o Corinthians em maus lençóis.  

Botafogo

Os cariocas também não vivem dias bons. Só em 2019, as receitas do clube são insuficiente para qualquer recuperação financeira, o orçamento estourou, e as dívidas pioraram em quantidade e perfil.

Do lado das receitas, os problemas do presidente Nelson Mufarrej são muitos. Na área comercial, patrocínios e licenciamentos caíram para menos da metade do que havia sido registrado em 2018. Quando se trata de arrecadação e despesas com estádio e torcida, o Botafogo teve um prejuízo de R$ 9,9 milhões em 2019. Ou seja: tudo o que o Botafogo ganha com a torcida, seja com ingresso ou com sócio-torcedor, ajuda a pagar somente as despesas com os jogos no Nilton Santos. As transferências de jogadores e a folha salarial não ajudam em nada o clube a sair da situação. 

O que torna o cenário ainda mais catastrófico para o Botafogo é que a má administração não é novidade no clube. Só os juros de dívidas públicas e privadas somam quase R$ 40 milhões por temporada. Resumindo: são R$ 319 milhões de endividamento fiscal, R$ 306 milhões de endividamentos trabalhistas e R$125 milhões de endividamento bancário.

Atlético-MG

A situação é ruim para os dois gigantes de Minas Gerais. Enquanto o Cruzeiro se afunda em dívidas financeiras e no futebol, o Galo vive uma situação bipolar: enquanto Sérgio Sette Câmara admite não ter conseguido pagar as dívidas de seus antecessores, trouxe vários reforços para o time, além de Jorge Sampaoli e Alexandre Mattos. 

Qual é o principal problema do Atlético-MG? Não entra dinheiro suficiente. Nos direitos de transmissão, a verba varia por conta da inconsistência do time. Na área comercial, patrocínio, bilheteria e sócios-torcedores estão em baixa. A folha salarial também aumentou bastante na temporada passada. A única notícia boa que os atleticanos recebem é na venda de jogadores. 

A novela ainda piora quando se trata na política.  As eleições do fim do ano ilustrarão um cenário dividido entre o atual presidente Sette Câmara, apoiado pelos principais patrocinadores do clube, e o prefeito de Belo Horizonte e ex-presidente do Galo, Alexandre Kalil. O coronavírus só ajudou a piorar a situação que já não era boa.

São Paulo

Além dos problemas dentro de campo, o tricolor paulista, também sofre fora dele. Quem imaginava uma melhora depois da contratação de Dani Alves e Juanfran estava completamente errado e a prova disso foi as demonstrações financeiras de 2019. O time que sempre pôde se orgulhar da estabilidade financeiras agora vê as dividas ultrapassarem o arrecadamento do clube. 

A crise do São Paulo começou em 2015, quando Aidar renunciou a presidência e deu lugar a Leco. No último ano, o endividamento cresceu e o faturamento diminuiu. Com  as eliminações precoces de Copa do Brasil e Libertadores, os direitos de transmissão foram bem prejudicados. As contratações de peso também não surtiram efeito: patrocinadores não vieram e a torcida também não apareceu no estádio como esperado. Além do problema de bilheteria, a venda de jogadores caiu muito. 

Apesar da venda de jogadores como Gustavo Maia, David Neres e Antony, o clube não conseguiu equilibrar as contas. Tanto que os salários dos jogadores estavam atrasados no início do ano, mesmo antes do impacto da pandemia. Ao todo, são R$ 331 milhões de dívidas para pagar só esse ano.

Há dois principais motivos para que essa situação acontecesse: Leco foram tomou empréstimos com instituições financeiras para pagar  as dívidas e não conseguiu pagar e os dirigentes de futebol não conseguiram administrar o futebol com baixos custos e pouco investimento. 

Santos

O caso do Santos ficaram bem conhecidas no ano passado. Em janeiro, o técnico Jorge Sampaoli reclamou publicamente da falta de reforços e de não saber nada sobre a crise no clube. Já em dezembro, jogadores se queixaram do atraso no pagamento dos direitos de imagem. A crise aumentou de tamanho durante a quarentena, quando Eduardo Sasha entrou na justiça alegando falta de pagamento dos salários e dos direitos de imagem, além da falta de recolhimento do FGTS.

O time da Baixada Santista tem a distribuição de finanças bem desequilibrada. Enquanto recebe bastante com transferência de jogadores, as áreas comerciais e da torcida representam, em conjunto, 15% do faturamento. Por não conseguir diversificar a entrada de dinheiro, sofre mais riscos de ter problemas financeiros. 

E eles chegaram. Hoje, o Santos tem quase R$300 milhões em gastos anuais e R$ 190 milhões em dívidas enquanto as receitas recorrentes estão na casa dos R$ 180 milhões. Em condições normais, as dívidas seriam renegociadas e outro jogador, como Rodrygo, poderia ser vendido. Porém, a pandemia atrasou tudo e piorou a situação.

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